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Corujão da Saúde 'é emergencial e por apenas um ano', diz João Doria sobre uso da rede privada na madrugada

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O candidato João Doria, do PSDB, foi o primeiro entrevistado do HuffPost Brasil na sabatina de entrevistas para a prefeitura de São Paulo. Em uma conversa de 40 minutos, com a participação dos leitores, o candidato defendeu a privatização de órgãos que pertencem à prefeitura para financiar a saúde e a educação. Doria também respondeu sobre as críticas ao seu programa de exames em hospitais privados, batizado como "Corujão da Saúde'.O candidato afirmou que o programa seria "emergencial".

"Sou a favor da desestatização e não tenho medo de afirmar isso. A privatização é necessária porque vai gerar mais empregos, melhorar a especulação física dos espaços e vai gerar recursos para a educação e saúde", afirmou. Doria estimou que as privatizações de espaços como o Autódromo de Interlagos, Parque Anhembi e Pacaembú devem gerar uma renda de R$ 3,5 bilhões para os cofres da prefeitura.

Em uma das perguntas dos eleitores, Doria foi criticado pelo seu programa Corujão da Saúde, que pretende utilizar hospitais privados para atender usuários do SUS durante a madrugada. "Você acredita que quem mora na periferia, depende de transporte público e acorda de madrugada tem condições de atravessar a cidade com seus filhos para serem atendidos?", perguntou Mayara Souza.

João Doria argumentou que o programa foi criado para diminuir a fila de pacientes esperando por exames nos hospitais municipais. "É uma solução emergencial para zerar o déficit. Depois, a rede pública vai assumir. Vai demorar pelo menos um ano porque vamos precisar contratar profissionais e comprar novos equipamentos. Isso leva tempo", explicou.

Quando indagado sobre as condições dos hospitais privados, que também enfrentam filas para exames e atendimentos, o candidato tucano disse que isso não será um problema. "Os hospitais privados têm um tempo livre nestes equipamentos. É horário marcado. Eu te asseguro: as pessoas preferem ser atendidas às 11 da noite do que esperar um ano pelo exame."

Leia os principais trechos da sabatina:

Privatizações

O candidato diz não ter medo de defender as parcerias com o setor privado. De acordo com ele, o Brasil precisa de "soluções criativas e eficientes, e não da ineficiência do Estado".

"Sou plenamente a favor da desestatização, não tenho medo de defender isso. Eu não quero as mutretas que o PT fez durante 13 anos nem para São Paulo nem para o País. A privatização do Autódromo de Interlagos e do Parque Anhembi é necessária. Primeiro porque vai gerar mais emprego, mais qualificados, com maior plano de carreira. Eu já administrei o Anhembi quando fui secretário do Mário Covas, mas não faz sentido ser administrado pelo setor público. Ele tá caindo aos pedaços. Tem 400 pessoas lá recebendo o salário, mas não tem infraestrutura. Só este ano quantos eventos e feiras o Anhembi perdeu? E perdeu para outro espaço que está sendo administrado pelo setor privado, o São Paulo Expo. Esse é um exemplo de que a eficiência do setor privado é muito melhor do que a falta de eficiência do setor público."

Lava Jato

Ainda na questão empresarial, Doria criticou as medidas tomadas pelo BNDES que proíbe empresas envolvidas na Operação Lava Jato de financiarem obras públicas.

"Você não pode estrangular o financiamento de empresas que geram milhares de empregos. Se a empresa cometeu os seus erros, elas tem que pagar a penalidade por isso. Mas todas as grandes empreiteiras do Brasil estão envolvidas de alguma forma na Lava Jato. Você vai prejudicar milhares de empregos por conta disso? Eu não entendo isso como uma medida positiva. Acho até que o governo de São Paulo precisa ter uma conversa com o presidente Temer para evitar essa situação. Você não pode generalizar que toda a empresa esteja contaminada e deixar que aqueles funcionário sejam estrangulados por falta de financiamento."

Corujão

A proposta do candidato é uma "medida emergencial" para minimizar o déficit do acesso à saúde pública. A parceria com 40 hospitais privados capilarizados pela cidade teria hora marcada e seria apenas para a execução de exames. Porém, Doria não explicou como será o financiamento da medida e se já começou um acordo com os gestores dos hospitais.

"Eu tenho frequentado a periferia. As pessoas lá demoram de 1 a 2 anos para fazer qualquer exame. Você acha que é justo esperar esse tempo quando muitos casos são questão de vida ou morte? É um absurdo. O corujão vai funcionar das 20h às 8h da manhã. São 40 hospitais espalhados na cidade com bom equipamento. Vários hospitais estão na região periférica, apesar de serem privados. O acesso será gratuito. Vai ter horário marcado, as pessoas não vão ficar na fila. É uma solução emergencial. Milagre não existe, precisa-se de tempo para colocar a rede pública em bom funcionamento com profissionais e equipamentos de alta tecnologia."

E continuou:

"Vamos parar com essa história que no Brasil tudo tem que ser estatal. Temos que achar soluções criativas e viáveis, principalmente na saúde. A situação da saúde em São Paulo é gravíssima, só não é dramática porque o estado cobre as deficiência do município. Nós vamos contratar 800 médicos; é suficiente para que você supra essa necessidade emergencial. A ideia é oferecer essa oportunidade aos médicos recém-formados, com remuneração adequada, para que eles possam fazer esses atendimentos nos hospitais próximos às periferias. A maioria dos médicos não quer ir para essas regiões porque é longe e é inseguro."

sabatina

Máfia da Merenda

Para o candidato à prefeitura, o estado de São Paulo foi vítima de "assaltantes" e o que contribuiu para que a investigação fosse dificultada foi a "falta de transparência" e a "burocracia."

"Teremos transparência absoluta. O estado foi vítima. Não foi o estado que criou a máfia da merenda. Foram os mafiosos, assaltantes. Temos que eliminar a burocracia. Na minha gestão tudo funcionará com leilão digital. Eu penso o seguinte: crie dificuldades e você vai ter quem te venda facilidades. A burocracia é a porta para a corrupção. Precisamos de transparência para que qualquer pessoa acompanhe todos os processos, inclusive o da merenda. Nós temos a proposta da SP Digital e queremos acabar de vez com o papel. Tudo será digitalizado para as pessoas acompanharem."

Mobilidade Urbana

O slogan do candidato é claro: "Acelera SP". Na mobilidade urbana, a proposta é aumentar as velocidades nas marginais.

"Eu respeito o Haddad, mas ele é um devagar quase parando. As marginais são vias expressas. Nós não vamos alterar a velocidade nas ruas e avenidas da cidade, apenas aquelas que mereçam revisão. Nas marginais a gente vai mudar na semana seguinte [à posse]. A velocidade passará a ser 90 km/h, 70 km/h e 60 km/h, conforme o código de trânsito. A marginal não é a única via que tem carros em São Paulo. Você dizer que alterar as velocidades nas marginais vai implicar mortes é uma mentira. Você tem que mudar as velocidades e preservar as sinalizações e as orientações."

Para Doria, o que faz diferença no trânsito são as campanhas educativas:

"Se a prefeitura tem esse desejo tão grande de preservar as vidas, por que não fez ao longo da gestão nenhuma campanha educativa? Quem quer educar faz campanha. Qualquer cidade civilizada do mundo quando quer educar o trânsito faz campanha."

Quando o assunto foram as ciclovias, o candidato do PSDB não hesitou: "Vamos preservar onde elas são úteis e boas. Evidentemente não vamos gastar dinheiro público esperando o que pode vir a ser a cidade daqui a 20 anos".

"Sou a favor das ciclovias, é uma boa medida, mas até nas boas causas o Haddad erra. A Justiça vai decidir se o preço do quilômetro implantado foi justo ou não. No meu ver, não foi. Vamos manter as ciclovias onde elas são úteis por lazer e pra circulação e vamos acabar com as ciclovias onde elas não foram bem feitas."

LGBT

No tema, Doria não se alongou, mas garantiu que as políticas públicas implantadas pela gestão petista seriam mantidas.

"O objetivo é a preservação dos direitos. A Soninha Francine será responsável pela gestão desse tema, ela é querida na comunidade LGBT e tem um profundo conhecimento. Eu serei um defensor. O que foi feito de bom na última gestão será mantido e melhorado."

Cracolândia

No último tema da sabatina, Doria não economizou críticas ao programa "De Braços Abertos" da prefeitura atual. Para ele, a política é um equívoco. O candidato defendeu os programas de internação obrigatória dos usuários do crack.

"Não tem nenhum motivo para manter o De Braços Abertos. Isso é um erro, um equívoco e de desumanidade. Você imaginar que um programa como esse que gera renda para as pessoas varrerem ruas, quando na verdade está gerando renda para aumentar o consumo do crack e foi exatamente isso que aconteceu: aumentou o número de traficantes, aumentou o número de consumidores e aumentou o preço da pedra. Eles conseguiram fazer a bolsa-crack."

E finalizou:

"Nós vamos usar o programa Recomeço do estado de SP e que é clinicamente recomendado e humanitariamente justificado, não fazer os guetos. Prefiro defender a internação obrigatória para que as pessoas tenham o direito de viver."

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