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Reinado de impunidade de Cunha durou 1 ano e meio, mas pode terminar hoje

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ASSOCIATED PRESS
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Março de 2015, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recém-eleito presidente da Câmara, se ofereceu para ir à CPI da Petrobras prestar esclarecimentos. Disse, então, que não tinha contas no exterior. Investigado na Operação Lava Jato, com cinco contas confirmadas na Suíça e outras nove sub investigação, o parlamentar é acusado de quebra de decoro parlamentar por ter mentido.

A mentira é o que sustenta o parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), aprovado pelo Conselho de Ética, que pede a cassação do mandato do deputado. A previsão é que o texto seja julgado nesta segunda-feira (12) pelo plenário da Câmara dos Deputados.

O presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), espera um quórum mínimo de 400 parlamentares. É preciso 257 votos para aprovar o relatório. Longe do salão verde, o deputado afastado tenta contornar a iminente cassação. Cunha nega que tenha contas no exterior. Ele sustenta que é beneficiário de um trust, um tipo de investimento, que, na avaliação dele, não pode ser considerado conta.

Até ser afastado do mandato, Cunha tinha total controle da Câmara. Com uma intensa rede de aliados, o deputado bancou pautas relevantes, independentemente do Executivo, e foi o protagonista do impeachment de Dilma Rousseff, por ter aberto o processo contra a ex-presidente.

Entre as propostas levadas ao plenário encampadas pelo deputado estão a reforma política, a regulamentação da terceirização e a redução da maioridade penal. O reinado dele ficou evidente na condição de todas essas três propostas, quando insatisfeito com o resultado, ele colocou as pautas duas vezes em votação.

Pautas consideradas conservadoras, como Estatuto da Família e o Estatuto do Desarmamento também foram patrocinadas por ele, assim como o projeto que pode inviabilizar o atendimento às vítimas de estupro e exige exame de corpo de delito.

Em julho de 2015, Cunha se viu no meio de sua primeira grande crise. Foi acusado pelo ex-consultor Julio Camargo de ter recebido US$ 5 milhões de propina. Esta acusação foi a que o tornou réu pela primeira vez pelo Supremo Tribunal Federal na Operação Lava Jato, em março deste ano.

Em novembro, com o desenrolar das investigações, a descoberta das contas na Suíça, Cunha sofreu o segundo revés, a abertura do processo de cassação no Conselho de Ética. Com manobras e uso de todo conhecimento do regimento da Casa, o peemedebista conseguiu postergar ao máximo a decisão do conselho.

A derrocada só veio com a decisão do Supremo de afastá-lo do mandato e do comando da Casa. O principal argumento para irá-lo da gestão da Câmara foi o de fazer uso do cargo - as manobras - para interferir nas investigações contra ele.

No voto que pediu o afastamento dele, o ministro do STF Teori Zavascki destacou que Cunha também usava o mandato para atuar em favor de empresas, vendendo atos administrativos.

Ainda com um certo controle sobre alguns deputados na Câmara, Cunha se esforça para inviabilizar a cassação do mandato. A esperança dele é derrubar o relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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