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David Schurmann, diretor de 'Pequeno Segredo': 'As pessoas devem assistir para entender por que foi indicado à vaga do Oscar'

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O drama Pequeno Segredo, de David Schurmann, foi indicado pelo Brasil para tentar uma vaga na disputa pelo Oscar 2017 de melhor filme estrangeiro.

O anúncio foi feito por uma comissão do Ministério da Cultura (MinC) nesta segunda-feira (12). O longa desbancou outros 15 inscritos, incluindo o favorito à vaga, Aquarius, dirigido por Kleber Mendonça Filho.

Ainda inédito nos cinemas brasileiros, Pequeno Segredo narra a história de uma órfã e três mulheres que compartilham um segredo. A trama é inspirada na irmã adotiva do cineasta, Kat Schurmann, portadora do vírus HIV e morta em 2006. No elenco estão Julia Lemmertz, Maria Flor, Fionnula Flanagan, Marcello Antony, Erroll Shand e Mariana Goulart.

A derrota de Aquarius para Pequeno Segredo foi recebida com críticas nas redes sociais. Especula-se que essa teria sido uma represália da equipe do governo de Michel Temer (PMDB) ao filme.

Sucesso de crítica e com distribuição vendida para mais de 50 países, o longa vem enfrentando percalços no Brasil desde sua exibição no Festival de Cannes, em maio, quando Kleber Mendonça Filho e parte do elenco fizeram um protesto contra o impeachment da hoje ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Eles se referiram ao processo como um “golpe” - mostrando placas à imprensa, gerando repercussão internacional.

Em entrevista ao HuffPost Brasil por telefone, o cineasta David Schurmann lamenta que uma competição como o Oscar tenha se tornado um “jogo político”. Para ele, Pequeno Segredo foi escolhido porque “conversa com a Academia”.

Entusiasmado com a indicação, ele pede para que as pessoas não critiquem o filme sem tê-lo assistido. “Quem viu saiu comovido”, garante.

HuffPost Brasil: Foi uma surpresa a indicação de Pequeno Segredo para a disputa de uma vaga no Oscar?

David Schurmann: Estamos muito felizes, foi uma surpresa enorme. É um filme que está nascendo para o público agora, mas sempre acreditamos nele. Ele foi escolhido porque tem uma conversa natural com a Academia. Acredito que os votantes do comitê de seleção viram esse potencial do filme.

O que é um filme que conversa com a Academia?

O Oscar tradicionalmente privilegia histórias fortes, que levam para o lado da emoção. E Pequeno Segredo tem esses ingredientes. Ele tem um olhar muito interessante sobre a adoção de uma menina soropositiva. É baseado em uma história real. O Oscar busca isso.

Qual a estratégia agora para tornar a produção conhecida fora do Brasil?

A partir de amanhã começaremos uma campanha de propaganda fora do País. A nossa estratégia é fazer o filme chegar até às pessoas que votam no Oscar. O público brasileiro precisa entender que é necessário que o filme fique em evidência para os votantes e não para o povo americano. Por isso, também vamos formar um comitê com produtores de diretores brasileiros que já tiveram filmes na corrida pelo Oscar. Precisamos saber das experiências dessas pessoas. Além disso, contaremos com a influência da distribuidora Diamond Films nos EUA.

O filme selecionado, pra ser elegível, teria que estrear no Brasil até o dia 30 de setembro. Pequeno Segredo tinha lançamento previsto para novembro. O que será feito em relação a isso?

Nós vamos fazer o mesmo procedimento que fizeram com Tropa de Elite e que os produtores de The Founder (filme inédito sobre a história do Mc Donald’s, estrelado por Michael Keaton) estão fazendo. Vamos exibir o filme em algumas praças antes da data oficial de lançamento. A estreia estava prevista para 10 de novembro, mas agora com a indicação tudo muda e não posso te falar a data correta. Quem está cuidando disso é a distribuidora. Mas vamos fazer tudo para deixar o filme dentro dos parâmetros estabelecidos. Eu não estaria expondo o nome da minha família se não acreditasse nesse filme.

A escolha de Pequeno Segredo para representar o Brasil no Oscar tem sido muito criticada nas redes sociais...

É uma pena que uma competição como o Oscar tenha se tornado um jogo político. As pessoas deveriam pensar em qual filme conversa melhor com o prêmio. Não estou querendo dizer que o nosso filme seja melhor que os outros 15 que estavam concorrendo. A maioria ali teria condições de competir por essa vaga. Mas o nosso, como já disse, tem pontos que conversam melhor com o Oscar.

Na página de Pequeno Segredo no Facebook as pessoas estão comentando que a escolha dele, em vez de Aquarius, trata-se de retaliação política. O que você acha disso?

Infelizmente, as pessoas estão inflamadas. Eu fico chocado ao ver as pessoas comentando que Pequeno Segredo é um filme de direita, um filme do golpe. Eu quero que as pessoas assistam ao filme para entender por que ele foi indicado. É uma produção que fala sobre amor incondicional. Quem viu saiu comovido. Eu tenho o maior respeito pelo Kleber [Mendonça Filho, diretor de Aquarius]. Estava lá em Cannes e aplaudi o filme dele em pé. Ele tem o direito de reclamar e protestar sobre o que quiser. Mas eu sou outro tipo de cineasta. Eu me preocupo com a história que quero contar. A nossa classe deveria tentar se unir, mas hoje todo mundo quer dividir tudo no Brasil.

Assista ao trailer de Pequeno Segredo:

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