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'É o preço que eu pago pra deixar o Brasil livre do PT', diz Cunha sobre cassação

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EDUARDO CUNHA
REUTERS/Adriano Machado
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Em discurso de defesa diante do plenário da Câmara, o deputado afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez ataques diretos ao PT e ao tratamento recebido por ser investigado na Operação Lava Jato.

O ex-presidente sustentou que no processo de impeachment de Dilma Rousseff foram feitos os procedimentos necessários e que no caso dele houve irregularidades. "Estamos vivendo um processo de natureza política, dentro do conceito de denúncias do chamado Petrolão", afirmou.

Cunha disse que o PT e partidos "asseclas" querem cassá-lo como vingança do impeachment. "Alguém tinha dúvida de que se eu não tivesse autorizado teria impeachment? (…) Esse criminoso governo que vocês fazem parte foi embora graças à atividade feita por mim, que afastou esse governo corrupto do PT, afastou essa presidente inidônea. O que quer o PT? Um troféu para poder dizer que é golpe."

"Eu estou pagando o preço de ter meu mandato cassado por ter dado a continuidade do processo de impeachment. É o preço que eu estou pagando para o Brasil ficar livre do PT."

O ex-presidente da Câmara negou ter atuado contra o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. "Pauta bomba que teve nessa casa... bomba era o governo, não era a pauta."

Durante sua fala, o peemedebista enumerou uma série de supostas irregularidades durante a tramitação do processo que pede sua cassação. "A manobra pra me cassar ela é do bem", disse.

Ele lembrou das cartas que enviou a cada um dos deputados, "a maioria com anexos e muitos detalhes", na reta final da votação em plenário. Nos textos, Cunha detalhou a relação com cada parlamentar, como ajuda para conquistar cargos ou relatorias na Casa.

O deputado afastou lembrou que cerca de 160 deputados respondem a processos judiciais e que se ele for cassado, "amanhã qualquer deputado vai ser afastado".

Cunha criticou ainda a data marcada para votar sua cassação. "Marcar uma votação como essa às vésperas do processo eleitoral é querer transformar isto num circo."

Ao final, com a voz embargada, o parlamentar pediu que os colegas não encerrarem sua "carreira política" e que o "derrote nas urnas".

"Não me julguem pela opinião pública. Não me julguem pelo que ouvira dizer (…) Que Deus possa iluminar vocês e muito obrigada a todos."

Pena capital

Responsável pela defesa de Cunha, o advogado Marcelo Nobre afirmou que o relator, deputado Marcos Rogério (DEM-RR) quer aplicar "a pena capital a um político" que significará o "encerramento da carreira política" do peemedebista.

"O que vemos aqui é uma guilhotina posta em cima da mesa. Uma guilhotina com nome e sobrenome. Chama-se precedente de linchamento", afirmou aos deputados no plenário da Câmara.

"Não se iludam porque este precendente de linchamento que se encontra aqui hoje servirá, como vossas excelências bem sabem, como precedentes para vários outros", completou. "Não importa se tem prova ou se não tem porque sem prova se está criando esse precendente."

Cunha é acusado de mentir à CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior. De acordo com investigações da Lava Jato, contas na Suíça ligadas ao deputado foram abastecidas com dinheiro desviado da Petrobras.

Nobre sustentou que não há provas da existência das contas e "esse processo já nasceu natimorto". "Como é que o Supremo Tribunal não julgou se o relator diz que tem (a conta)? Cadê ela? Qual o número?", contestou.

Em junho, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou Cunha réu no âmbito da Lava Jato pela segunda vez por haver fortes indícios de transações bancárias irregulares do parlamentar.

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