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Bolsonaro intimida deputada e gera tumulto em comissão sobre violência contra mulher

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Uma discussão sobre violência contra mulher e a cultura do estupro, na Câmara dos Deputados, culminou com tumulto entre o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), os debatedores e deputados. Bolsando reagiu quando a vice-presidente da OAB-DF, Daniela Teixeira, disse que a violência contra a mulher só vai acabar quando os agressores forem punidos e citou o inquérito no qual o deputado é réu por apologia ao estupro.

"A violência só vai acabar quando os agressores forem exemplarmente punidos. Não adianta falar em castração química. A violência no Brasil contra a mulher tem nome: violência familiar. Acontece dentro de casa ou dentro do ambiente de trabalho. Enquanto os agressores não forem punidos, a violência não vai diminuir.

O pedido da OAB é que todos os réus (inclusive Bolsonaro) sejam julgados e os que forem culpados sejam condenados. Só com a condenação das pessoas que fazem apologia ao estupro e à violência contra a mulher a violência vai diminuir.”

Imediatamente, Bolsonaro pediu a palavra para se defender sobre a denúncia por ter dito que não "estuprava" a deputada Maria do Rosário (PT-RS) - que presidia a sessão - porque "ela não merecia". Disse que a representação foi apresentada contra ele numa armação que envolveu a então subprocuradora-Geral da República, Ela Weicko, e o procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Também afirmou que só virou réu porque pressionaram o ministro do STF Luiz Fux.

Após se defender, com gritos e dedo em riste, ele atacou a sessão.

"Esta sessão está sendo um desserviço à mulher vítima de violência. Começa aqui com um representante do Ministério Público do Distrito Federal dizendo que não se garantem direitos humanos violando-se direitos humanos. Ou seja, como falou aqui, ele é contra a castração química, para defender os direitos humanos do estuprador! Agora, a estuprada que se exploda!

Mais adiante, a Sra. Deborah Duprat, em nota técnica para a Câmara, se posicionou contra oEscola Sem Partido. E diz no arrazoado que ela defende que se opine em sala de aula nas questões de ideologia de gênero, ou seja, criancinhas de 6 anos de idade passam agora a ser massificados, de acordo com a vontade dela, de que o menino não nasceu menino, e a menina não nasceu menina. Ao estimular o sexo homo ou hetero precocemente, a Sra. Deborah Duprat estáescancarando as portas para a pedofilia”

No fim, o deputado afirmou que "não tem, no Brasil, a cultura de estupro, tem a cultura de impunidade”.

Minutos antes, a advogada Beatriz Kicis de Sordi, uma das convidadas da acusam no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, havia reforçado a tese de que não há cultura do estupro.

"Eu como mulher, não creio que exista, tenho absoluta convicção de que no Brasil não existe uma cultura de estupro. O problema é a cultura da impunidade”.

O projeto do Escola sem Partido também foi debatido na sessão. Para a advogada, essa é "mais uma das falácias daqueles que não têm argumentos”.

"Miguel Nagib, fundador do Escola sem Partido tem desafiado qualquer pessoa que tenha qualquer entendimento jurídico mínimo para debater onde está a inconstitucionalidade do Escola sem Partido, que defende exatamente a pluralidade das ideias, simplesmente rejeita e repele que crianças sejam usadas como cobaias em projetos de reengenharia social.”

Parlamentares e palestrantes reagiram as falas do deputado e da advogada. O deputado Chico Alencar (PSol-RJ) foi um dos criticou o comportamento de Bolsonaro e defendeu que a escola seja espaço para discussão da igualdade de gênero. A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) também foi contra os argumentos de Bolsonaro:

"A naturalização da violência contra a mulher é um fenômeno que demonstra que há uma cultura de estupro disseminada, muitas vezes invisibilizadae que alguns projetos aqui presentes tentam invisibilizar mais ainda."

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