Huffpost Brazil

Propinocracia: Lula é o 'comandante máximo' da corrupção da Lava Jato, diz MPF

Publicado: Atualizado:
LULA
REUTERS/Paulo Whitaker
Imprimir

Denunciado nesta quarta-feira (14) pelo Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, o ex-presidente Lula foi identificado como “comandante máximo do esquema de corrupção”.

O MPF considera que o ex-presidente instituiu a propinocracia: uma governabilidade corrompida por meio da distribuição de propina. O petista é acusado de atuar com três objetivos: governabilidade, perpetuação no poder e enriquecimento.

"O problema foi o método para alcançar [esses três fins]: o método escolhido foi a corrupção, a arrecadação de propinas”, disse o procurador da República Deltan Dallagnol.

Ele mostra que o mensalão, esquema de compra de apoio no Legislativo, e a corrupção da Petrobras compõem um mesmo cenário de "governabilidade corrompida".

Lula foi denunciado por ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS. O repasse foi feito por meio de upgrade em imóveis, reforma e decoração de um tríplex, além do armazenamento de bens do ex-presidente pela OAS Léo Pinheiro.

Mensalão

A análise em conjunto do mensalão com a Lava Jato aponta para Lula. “São duas faces da mesma moeda, os dois são um esquema para permitir a governabilidade, a perpetuação no poder e o enriquecimento ilícito”, explicou o procurador.

Segundo ele, enquanto no mensalão o apoio era comprado com mesada, na Lava Jato era com cargos para fins de distribuição de propina.

“O mensalão foi um esquema similar à Lava Jato. Uma vez rememorado o mensalão, é fato de que foram acusadas pessoas muito próximas a Lula, que orbitavam ao redor dele."

Deltan Dallagnol mostra os laços de Lula com vários presos no esquema do mensalão e diversos políticos e empreiteiros envolvidos na corrupção da Petrobras.

Há também acusados tanto no processo do mensalão quanto na Lava Jato, como Pedro Correa, Raul Henry, José Borba.

“Não estamos recuperando o caso mensalão para apontar se Lula devia ou não ser acusado, mas como mais uma peça probatória de um grande quebra-cabeça. Além disso, uma coisa é certa, depois do mensalão, Lula não pode mais alegar desconhecimento de um esquema tão relevante. Dessa vez, Lula não pode dizer que não sabia de nada."

Lava Jato

O MPF destaca que Lula foi informado da existência do esquema de corrupção na Petrobras, mas não fez nada para cessá-lo.

O procurador condenou a postura do ex-presidente de criticar a investigação. "Na Lava Jato, as interceptações e outras provas mostram que Lula atuou para obstruir as investigações.”

Depoimentos revelam que Lula sabia do esquema e o comandava, de acordo com Dallagnol.

A delação de Pedro Correa deixa claro, segundo o procurador, que José Dirceu distribuía cargos com pouca relevância, mas os estratégicos ficavam a cargo de Lula. Era o ex-presidente quem dava a palavra final.

“Lula tinha ciência inequívoca de que o interesse do PP era arrecadar propina diretoria de abastecimento”, disse Pedro Correa, segundo o procurador. O mesmo argumento foi endossado pelo senador cassado Delcídio do Amaral: “Lula sabia como a roda girava”.

'Orquestra criminosa'

Para Dallagnol, o grande comandante do mensalão, José Dirceu, não poderia ser o número 1 do petrolão. "Só havia a possibilidade do comandante estar acima dele. O verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa: Lula."

Para fazer girar um esquema bilionário de corrupção como o do petrolão, envolvendo a cúpula do poder com PT, PMDB e PP, Lula "era o elo comum e necessário".

"Sem o poder de decisão de Lula, esse esquema seria impossível", arremata Dallagnol.

Acusação

Lula está sendo denunciado por ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS. O repasse foi feito por meio de upgrade em imóveis, reforma e decoração no tríplex, além do armazenamento de bens do ex-presidente pela OAS.

O MPF destaca que Lula foi informado da existência do esquema, mas não fez nada para cessá-lo. O procurador criticou a postura do ex-presidente de criticar a operação. "Na Lava Jato interceptações e outras provas mostram que Lula atuou para obstruir as investigações.”

Depoimentos revelam que Lula sabia do esquema e o comandava. Segundo Dallagnol, a colaboração de Pedro Correa deixa claro que José Dirceu distribuia cargos com pouca relevância, mas os estratégicos ficavam a cargo de Lula dar a palavra final. “Lula tinha ciência inequívoca de que o interesse do PP era arrecadar propina diretoria de abastecimento”, disse Pedro Correa, segundo o procurador. O mesmo argumento foi endossado por Delcídio do Amaral: “Lula sabia como a roda rodava”.

Caixa Geral

O procurador explicou ainda que depois de determinado momento a propina na Petrobras passou a ser institucionalizada.

“Isso significa que não precisava ficar acertado em cada obra um valor de propina certo, a propina era regra a partir de determinado momento na Petrobras, não precisava ser ajustada. Cerca de 1% para a Diretoria de Abastecimento, de 2% para a Diretoria de Serviços. Essa diretoria era, controlada pelo PT.”

Segundo o procurador, Lula, Vaccari e outros caciques da legenda podiam sacar valores desse caixa geral. “Era um esquema muito parecido com o que Albero Yousseff descreveu que gerenciou."

Lavagem de dinheiro

O procurador Roberson Pozzobon explicou que, desde o início, o triplex foi direcionado para Lula como propina. Disse que o imóvel nunca esteve a venda e que o fato de Lula não figurar como proprietário é uma forma de ocultação e dissimulação da verdadeira propriedade, assim como os contratos da decoração, reforma e mudança.

Segundo o procurador Julio Noronha, o então executivo da OAS Leo Pinheiro decidiu que o apartamento deveria ser personalizado para Lula e Marisa. A reforma na época somava em R$ 170 mil. “Conduta atípica para uma construtora que planeja vender o apartamento.”

De vantagem indevida pelo ex-presidente, paga pela OAS, Noronha também citou R$ 1,3 milhão com a armazenagem de bens pessoais em um galpão da Granero. Com o fim do mandato, Lula precisava de um destino para os seus bens, nas caixas do acervo do ex-presidente havia indicações como “praia” e “sítio”.

Corrupção enraizada

No início da coletiva, Dallagnol disse que não há perseguição.

“A corrupção não é um problema de um partido A ou B, do governo A ou B. Quando olhamos para a história vemos que a corrupção é enraizada historicamente e, quando olhamos para a história recente, vemos que é sistemática."

LEIA TAMBÉM:

- Lula, Marisa e mais seis são denunciados na Lava Jato

- Lula e Marisa são indiciados por corrupção e lavagem de dinheiro no tríplex do Guarujá

- Ministro interrompido, Lula estará ao lado de Dilma no Senado na 2ª

Mais no HuffPost Brasil:

Close
Lula na Lava Jato: Repercussão internacional
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção