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'Você confia na ONU ou nos meus adversários?', diz Haddad sobre redução de velocidade nas marginais

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O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), foi o segundo entrevistado do HuffPost Brasil na sabatina de entrevistas para a prefeitura de São Paulo. Em uma conversa de 40 minutos, com a participação dos leitores, o candidato defendeu a sua política de redução de velocidade nas Marginais da capital paulista.

Desde julho de 2015, as velocidades máximas permitidas caíram de 90 km/h para 70 km/h nas pistas expressas, de 70 km/h para 60 km/h na pista central da Tietê e de 70 km/h para 50 km/h nas pistas locais.

Segundo o balanço divulgado pela gestão de Haddad, o número de acidentes sem vítimas caiu 20% (de 272 para 217) e o de acidentes com mortos ou feridos caiu 29% (de 110 para 78).

Mas a decisão da prefeitura é criticada pelos três principais adversários na briga pela prefeitura. João Doria (PSDB), Marta Suplicy (PMDB) e Celso Russomano (PRB) prometem em suas campanhas reverter a decisão e aumentar a velocidade das marginais novamente.

Em sabatina no HuffPost Brasil, João Doria afirmou que as velocidades passarão a ser 90 km/h, 70km/h e 60 km/h, conforme o código de trânsito. "Você dizer que alterar as velocidades nas marginais vai implicar mortes é uma mentira. Você tem que mudar as velocidades e preservar as sinalizações e as orientações", disse.

Haddad se defendeu e disse que os dados que afirmam uma redução no número de mortes são do próprio governo do Estado, do governador Geraldo Alckmin (PSDB). "Os meus dados são da Polícia Militar, do governo do Estado. O Doria está colocando em dúvida o próprio governador, que é do partido dele".

O candidato do PT explicou que São Paulo segue recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU), que por meio da OMS, pede que as cidades utilizem a velocidade máxima de 50 km/h nas manchas urbanas.

"Em quem você confia? Na ONU, ou no Doria? Na ONU ou na Marta? Na ONU ou no Russomano? Eu confio na ONU e não tenho medo de tomar decisões difíceis se for para sua segurança e da sua família. Eles colocam caçar voto acima de preservar a vida", afirmou.

Leia os principais trechos da sabatina:

Políticas higienistas x Moradores em situação de rua

No dia anterior a sabatina, o candidato Fernando Haddad teve a sua agenda de campanha interrompida por manifestação de moradores em situação de rua que o acusavam de praticar políticas higienistas na cidade. Questionado, Haddad argumentou que trata-se de uma situação que está em negociação há um ano para a desocupação de um viaduto na Radial Leste.

"Era um grupo pequeno que atua na Zona Leste em um viaduto que está sob negociação há um ano para desocupação espaço e a inclusão dessas pessoas em um programa de moradia, começando pelo auxílio aluguel. As vezes, pessoas infiltradas querem usar do calendário eleitoral para fazer esse tipo de manifestação, mas estamos contando com o acompanhamento da defensoria pública, do poder judiciário e da defesa civil nessa negociação porque é uma área de risco.

A nosso pedido e ao pedido da juíza, a data da desocupação vem sendo adiada até entramos em um acordo sobre a melhor medida pensando no acolhimento das famílias. Porque nem todo mundo quer sair. Muitas vezes as pessoas estão acomodadas e não se preocupam com as questões de segurança.

Nós temos um comitê e os membros da sociedade civil são eleitos pelos moradores em situação de rua. Todas as politicas e intervenções são submetidas a esse comitê, então nos construímos uma politica bem engajada. É um diálogo longo, e uma construção delicada que envolve muitos atores, mas ou você faz ou você não faz."

Braços Abertos

Uma das políticas mais questionadas pelos adversários, o Braços Abertos chegou a ser comparada a 'bolsa crack' pelo candidato do PSDB João Doria. Em defesa da política, Haddad citou relatórios internacionais que endossaram a ação.

"A Open Society é financiada pelo mega investidor George Soros e é referência em politicas de redução de danos. Ela elogiou o projeto e eu acho que colocar em dúvida a idoneidade dessa ONG, coisa que o Doria fez, é no minimo falta de educação. Ele ignorar os efeitos do Braços Abertos na população beneficiaria já é grave, porque ele deveria conversar com as 500 pessoas que foram acolhidas, mas ele não só despreza aquela comunidade como ele despreza os relatórios internacionais que foram divulgados recentemente.

Então, você pegar o caso de uma recaída de uma pessoa e você fazer disso a contestação de um programa é a mesma coisa que eu colocar em dúvida tudo que acontece no âmbito do estado em função de uma exceção. Vejam que a cracolândia tem 20 anos, exatamente o tempo que oPSDB governa o estado, e o partido fracassou em todas as suas políticas. O Doria deveria estar mais preocupado com o fracasso do governo que tem 20 anos e não apresentou resultado nenhum, do que com um governo que em 3 anos conseguiu reduzir 2/3 do tamanho da cracolândia acolhendo as pessoas e respeitando os direitos humanos."

Uber x Taxi

Questionado sobre a situação dos taxistas e do uber por um dos leitores, o candidato Fernando Haddad defendeu a regulamentação do aplicativo, mas se mostrou preocupado com o crescimento desenfreado do serviço.

"O uber não pagava nem ISS, nem a outorga que o taxista paga. Com a regulamentação ele passou a pagar. O que falta agora? Precisamos agora adequar o tamanho do Uber às necessidades da cidade. O Uber tem uma expansão desenfreada e pode prejudicar outros serviços tradicionais de taxi. E porque eu me preocupo com isso? Porque eu penso no consumidor. Por isso eu regularizei o serviço. Mas eu preciso pensar no consumidor também daqui a 1 ou 2 anos. Se o Uber se tornar um monopólio é ele que vai ditar o preço das tarifas e eu não quero que isso aconteça. Eu quero que haja concorrência. E eu não posso permitir que alguém faça uma concorrência predatória em relação aos outros serviços."

Preço da Tarifa

Palco das Jornadas de Junho, São Paulo viu suas ruas serem ocupadas pela população que questionava o aumento da tarifa. Prefeito da época, Haddad sente a pressão das ruas e do Movimento Passe Livre até hoje. Questionado sobre o valor da passagem de ônibus, ele defendeu ações que permitem o passe livre para públicos específicos.

"A melhor coisa que nós fizemos para reduzir o preço da passagem foi dar passe livre para os estudantes. O estudante ter que pagar para ir estudar não é justo. Se a gente quer incentivar os estudos, a gente tem que estimular a ida à escola. O povo foi para a rua em 2013, não era a minha promessa de campanha o passe livre, mas essa proposta tomou as ruas. Hoje, 700 mil estudantes deixaram de pagar passagem de ônibus. Isso é uma forma de reduzir o preço da passagem, não para todo mundo, mas para públicos específicos. Fizemos isso também com os idosos. Fez 60 anos? Deixa de pagar passagem em SP, os homens e as mulheres."

Centro x Periferia

Uma das principais críticas à gestão atual é de que as políticas públicas foram voltadas apenas para o centro expandido da cidade. Questionado, Haddad argumentou com projetos que desenvolveu nos bairros mais pobres.

"Onde eu to fazendo 3 hospitais? É na avenida Paulista? Lá eu fiz uma ciclovia e só. Os hospitais são em Jabaquara, Parelheiros e Brasilândia porque essas subprefeituras tem o menor idh da cidade. Onde eu abri 410 creches? Você pode ver no site da prefeitura os endereços. Onde estão sendo construídos os 14 CEUs de SP? No centro ou na periferia? Onde foram feitas as principais obras viárias? M'boi Mirim, Cidade Ademar, Grajaú, Guianazes, São miguel. Onde são essas obras? Acho que meus aniversários nem conhecem essas localidades. O Doria só foi fazer turismo na periferia. Eu não saio dessas localidades. Agora, é difícil de ver o prefeito mesmo. São 12 milhões de pessoas. São 32 grandes cidades dentro de uma metrópole."

LGBT

Questionado sobre o combate a homofobia, Haddad afirmou que ampliaria políticas como o Transcidadania para combater os crimes de ódio na cidade.

"A politica da prefeitura e de tolerância e diversidade. Eu tenho apreço a comunidade lgbt e tenho recebido apoio de seus representantes. Nós fizemos um programa ousadíssimo que é o transcidadania. Ele visa combater a intolerância justamente no seguimento lgbt que enfrenta maior preconceito, que é o segmento t. Essas pessoas já forma expulsas de casa, da escola, do mercado de trabalho e compreenderam no transcidadania um gesto de acolhimento do poder publico. Hoje,nós temos filas para participar do programa."

E continuou:

"Além disso, nós criamos os centros de referencia lgbt na cidade e queremos expandi-los. Tem dado muito resultado. As pessoas da periferia são atendidas em busca de apoio jurídico, psicológico e tudo nais que for possível oferecer. Isso vai representar uma mudança de comportamento e de mentalidade na cidade. Outros serviços que já existiam estão sendo adaptados também. Por exemplo, não havia albergues para a comunidade lgbt e era muito difícil que essa comunidade se visse contemplada nos albergues tradicionais. Nós passamos a separar esses espaços para essa comunidade, o que permite uma maior aderência ao programa. Também tiveram os gestos simbólicos. São 20 anos de parada LGBT e o evento nunca fez parte do calendário oficial da cidade, embora traga tantos turistas quanto outros eventos. Nós colocamos no calendário."

Sobre a representatividade na gestão, ele respondeu:

"O coordenador da secretaria lgbt é da comunidade. Eu não checo orientação sexual para convidar profissionais para minha gestão. Ainda bem que eu tenho muitas mulheres, muitos negros e lgbts na administração e tenho o maior orgulho de ter essa diversidade conduzindo a cidade. Acho que ela é muito mais representativa do que um governo só de homens brancos."

Relação com o PT e com o governo federal

Haddad foi questionado se ele tinha a intenção de esconder o partido do qual faz parte devido ao escândalos de corrupção enfrentados em níveis nacionais. O candidato repudiou a ideia e explicou o motivo de sua permanência no partido: a militância.

"Se tem alguém que não pode ser acusado de querer esconder nada sou eu. Eu permaneci no PT em um dos momentos mais delicados da história do partido, que muita gente abandonou o partido, deixou inclusive de ser candidato em função disso. Eu não só permaneci como expliquei o porquê da minha escolha. Eu acho que o meu mandato se devo muito a militância desse partido. Quando eu vou a Parelheiros, como eu fui hoje vistoriar o hospital da região, e o que eu encontro lá são todos os militantes que lutaram para obter aquele hospital durante 20 ou 30 anos, eu sei que não conseguiria ir ate lá para olhar nos olhos dessas pessoas com dignidade se eu tivesse fugido da raia. Eu estou no mesmo lugar há 30 anos, não pretendo mudar e não tenho o que esconder da minha vida partidária nem da minha vida pessoal."

Já o relacionamento com o governo federal, considerado 'golpista' pela ampla maioria de seu partido, Haddad afirma que vai manter uma relação republicana.

"Eu tive que entrar com uma ação judicial ainda durante a presidência da Dilma para fazer valer a lei da renegociação da divida que a gente conseguiu reduzir a menos da metade - recebi dos meus antecessores o cofre com divida de R$ 72 bilhões e renegociamos para R$ 30 bilhões. Então a relação é sempre republicana, colocando os interesses da cidade acima de interesses partidários, seja o partido da situação ou da oposição. Não me importa. Os interesses de São Paulo vem na frente."

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