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'Provem uma corrupção minha que irei a pé até a delegacia', diz Lula após denúncia

Publicado: Atualizado:
LUIZ INACIO DA SILVA
NELSON ALMEIDA via Getty Images
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Denunciado nesta quarta-feira (14) por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dispôs a prestar "quantos depoimentos forem necessários" e refutou as acusações.

"Provem uma corrupção minha que irei a pé para ser preso até a delegacia", afirmou. "A gente não pode mentir nem pra Deus nem pra gente mesmo", completou o ex-presidente.

No início do discurso nesta quinta-feira (15), o ex-presidente afirmou que não iria "fazer um show de pirotecnia como fizeram ontem". "Não vou me comportar como ex-presidente da República. Não quero me comportar como um cara perseguido, como se tivesse reivindicando algum favor (…) a declaração é pura e simplesmente de um cidadão indignado com as coisas que estão acontecendo nesse país."

O petista relembrou a trajetória da legenda, que "em 20 anos de existência ganhou as eleições (presidenciais)". "Tenho orgulho de ter criado o mais importante partido de esquerda da América Latina", afirmou.

Lula destacou a vitória no pleito em 2002, ao alcançar o "sonho de que pela primeira vez um trabalhado, metalúrgico, sem diploma, tenha ganhado democraticamente as eleições no Brasil" e conquistas sociais ao longo de seus mandatos e da ex-presidente Dilma Rousseff.

O ex-presidente também relembrou as eleições de 2006 e relembrou uma fala sua na época. "Eu disse... Não tenho a vocação do Getúlio [Vargas] de me dar um tiro, nem do Jango de sair do Brasil. Se eles quiserem me tirar, vão ter que disputar comigo na rua".

O ex-presidente criticou o processo de impeachment de sua sucessora, que chamou de "golpe tranquilo e pacífico" e a atuação dos investigadores da Lava Jato.

"Já derrubaram Dilma, já derrubaram [o ex-presidente da Câmara, Eduardo] Cunha, já elegeram [Michel] Temer. Agora precisa concluir a novela, acabar com a vida política de Lula. Porque não existe outra explicação para o espetáculo de pirotecnia de ontem."

Em referência à frase "não tenho provas, mas tenho convicção", que ganhou as redes sociais após a apresentação da denúncia, o ex-presidente afirmou "eu não posso dizer qual é a convicção que eu tenho deles" e foi aplaudido pela platéia, aos gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro” e “fascistas não passarão”.

O petista disse ainda que "pouca gente com a vida mais publica mais fiscalizada do que a minha" e afirmou que "só ganha de mim nesse país Jesus Cristo", em referência à sua popularidade.

Em outra referência ao futuro político, o petista com 70 anos, afirmou que pretende viver mais 20 anos. "A história mal começou. Alguns pensam que ela terminou. E eu vou viver muito."

Concursados

Durante a fala, Lula fez críticas a funcionários públicos concursados, algumas vezes em referência ao Ministério Público Federal e aos procuradores autores de sua denúncia.

"A profissão mais honesta é do político porque todo ano, por mais ladrão que seja, tem que encarar, ir na rua pedir voto. O concursado não. Tá com emprego garantido. O político é chamado de ladrão, filho da mãe, filho do pai, de tudo, mas tá lá encarando."

'Orquestra criminosa'

O petista foi identificado como “comandante máximo do esquema de corrupção” e "verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa", de acordo com o procurador da República Deltan Dallagnol. Ele afirmou ainda que Lula instituiu a propinocracia: uma governabilidade corrompida por meio da distribuição de propina.

Lula foi denunciado por ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS. O repasse foi feito por meio de upgrade em imóveis, reforma e decoração de um tríplex, além do armazenamento de bens do ex-presidente pela empreiteira.

O ex-presidente estava acompanhado de aliados, como o ex-ministro da Casa Civil Jacques Wagner, o líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PE), a senadora Gleisi Hoffmann e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas.

Antes da fala de Lula., o presidente do PT, Rui Falcão, leu a nota de repúdio aprovada pelo Diretório Nacional da leganda no final da manhã. O texto faz duras críticas à atuação do MPF e sustenta que as denúncias desta semana são uma continuação da perseguição política e do "golpe" iniciado no impeachment.

"Ao denunciar, confessadamente sem provas, o ex-presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, além de Paulo Okamoto e outros cidadãos, o chefe dos procuradores sediados em Curitiba torna cada vez mais evidente o envolvimento de seu grupo na tramóia que levou ao golpe contra a presidenta eleita democraticamente. E desmascara sua intenção cavilosa, persecutória e autoritária,de antecipar, à margem da lei, um julgamento sumário e condenatório dos que elegeu, seletivamente, como vítimas."

CORREÇÃO: Ao afirmar "se eles quiserem me tirar, vão ter que disputar comigo na rua", o ex-presidente Luis Inácio da Silva se referiu a uma fala dele próprio durante campanha nas eleições presidenciais de 2006. Ao contrário do publicado anteriormente, não houve uma referência à disputa em 2018. A informação foi corrigida às 15h40 desta quinta-feira (16).

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