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'Estavam querendo me matar', diz Taísa Silva, travesti vítima de espancamento no Rio

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TAISA SILVA
Taísa Silva em entrevista à TV Globo | Reprodução/TV Globo
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“O que eu vi naquele vídeo é que eles queriam me matar.”

Com estas palavras, a travesti Taísa Silva, 21, comentou em entrevista ao Bom Dia Rio (TV Globo) nesta quinta-feira (15) o brutal espancamento que sofreu de três homens em Santa Cruz, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, no último domingo (11).

Taísa e sua irmã, a empregada doméstica Luciana, 20, estavam em uma van quando um dos agressores começou a insultá-la com termos transfóbicos – até que a discussão se transformou em agressão física.

Já fora da vã, na rua, Rodrigo Luiz Silva Soares, Jorge Batista Ignácio e Cleiton da Silva espancaram, usando pedaços de pau, e esfaquearam Taísa, que reagiu. Ela golpeou Soares com a mesma faca usada contra ela, após pegá-la do chão.

A cena foi registrada em um vídeo que viralizou nas redes sociais. Os homens continuam a espancar Taísa mesmo quando ela estava desacordada, caída no chão.

“Nos seis anos em que sou travesti, nunca sofri preconceito. Foi a primeira vez”, disse a vítima, na entrevista, que você pode ver aqui.

“Aqueles caras estavam ali para fazer alguma maldade com alguém. Por que alguém ia carregar uma faca? Eu vi naquele vídeo que eles queriam me matar.”

Luciana tentou ajudar a irmã, mas também foi agredida. Ela contou:

“Tinha muitas pessoas olhando. Eu pensava que eu alguém ia ajudar a gente, mas ninguém [veio]. Tinha gente sentada olhando. Eu fiquei muito triste com aquilo.”

A irmã relatou que, mesmo quando Taísa estava com o rosto ensanguentado, desmaiada no chão, ninguém tentou segurar os agressores.

Todos foram atendidos no Hospital Municipal Pedro II e estão fora de perigo, de acordo com a polícia.

Os três foram identificados e estão presos desde a última quarta (14).

Pena

O delegado Daniel Mayr, da 36ª DP de Santa Cruz, disse que todos eles alegaram “legítima defesa” – o que foi contestado – e declararam em depoimento estarem arrependidos; o delegado afirmou se trata de um crime de motivação homofóbica.

“Não há legítima defesa em relação aos autores [da agressão], porque tem uma pessoa sendo agredida, uma pessoa [contra] três, já cabe uma desproporcionalidade de legítima defesa, e aquela pessoa estava caída e desmaiada”, afirmou o delegado à Globo.

De acordo com O Dia, os agressores foram indiciados por tentativa de homicídio por motivo torpe e a pena pode chegar a 20 anos de prisão.

O promotor do caso é Bruno Lavorato Pereira Lopes. Ele disse ao jornal: “As vítimas foram surpreendidas e espancadas de forma hedionda, grotesca, animalesca e vil”.

Lopes afirmou, também, que a agressão foi “covarde, duradoura e contínua” e que seus autores “assumiram totalmente o risco de causar a morte eficaz [das vítimas]”.

Por causa de histórias como a de Taísa, a transfobia precisa ser criminalizada.

Transfobia não passará!

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