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Sem mandato e com livro a ser lançado, 'Delata, Cunha' ganha força no Congresso e na internet

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EDUARDO CUNHA
Marcelo Camargo / Agência Brasil
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Com o mandato cassado desde a última segunda-feira (12), o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sofre pressão para contar o que sabe de ex-aliados. A campanha "Delata, Cunha" tem ganhado força nos corredores do Congresso e nas redes sociais.

Parlamentares da nova oposição, formada por partidos como PT e PCdoB, têm reforçado o mote durante os últimos dias, como a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), uma das principais defensoras da ex-presidente Dilma Rousseff durante o impeachment.

Conhecido pela memória afiada e pelo jeito metódico, às vésperas de perder os direitos políticos, o peemedebista enviou cartas a deputados com dossiês de cada um. Nos textos, ele lembrava sua influência em indicações para relatorias de propostas ou cargos de destaque.

À medida que foi crescendo a pressão dentro do Congresso por sua saída, aumentou também a expectativa de que "Cunha não cairia sozinho". Em seu discurso final de defesa, o ex-parlamentar lembrou, mais uma vez, que que "cerca de 160 deputados" respondem a processos judiciais na Casa.

Logo após ter o mandato cassado, Cunha chamou de "hipocrisia" a decisão de ex-aliados votarem contra ele, como o líder do PP, Aguinaldo Ribeiro (PB) e do PSD, Rogério Rosso (DF).

Apesar de ter construído sua trajetória de poder dentro da Câmara a partir da valorização de deputados conhecidos como "baixo clero", dezenas de integrantes do "centrão", bloco encabeçado pelo ex-presidente da Casa, votaram para cassá-lo.

Dos 450 votos contra o peemedebista, os dois partidos tiveram uma participação de peso. No PSD, foram 33 "sim" da bancada de 35. Já dos 47 deputados do PP, 39 votaram pelo fim do mandato. No PR, outro partido do bloco informal, foram 33 a favor da cassação entre os 42 da bancada.

O abandono também foi sentido dentro do partido do qual faz parte. Dos 67 peemedebistas, 52 deixaram Cunha cair sozinho. O ex-deputado chegou a reclamar da falta de esforço do Planalto em evitar sua cassação no final do processo.

Dentro do PMDB, Cunha desenvolveu uma relação de proximidade com o presidente Michel Temer, incluindo conversas diárias enquanto era presidente da Câmara. O ex-deputado nega, contudo, que o ex-vice-presidente será alvo de suas revelações. "Não tenho nada a revelar sobre Temer. O dia que tiver, o farei", afirmou logo após perder os direitos políticos.

Réu no âmbito da Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, Cunha pode negociar uma acordo de delação premiada para reduzir a punição, caso seja condenado. Para que a negociação seja efetivada, é preciso que ele indique novos ilícitos que sejam considerados relevantes para as investigações.

O ex-deputado, contudo, nega que irá colaborar com as investigações porque "não é criminoso".

A campanha para que o ex-deputado conte o que sabe também tem ganhado adesão nas redes sociais.

Fora do âmbito jurídico, a expectativa é que Cunha faça revelações de bastidores do poder em um livro que está escrevendo sobre detalhes do processo de impeachment. Ele negou, contudo, que os relatos sejam uma ameaça.

"Não sou pessoa de fazer qualquer tipo de ameaça, velada ou não. Não faço ameaça. O livro não é ameaça. Quero contar os fatos, contribuir para a História. A sociedade merece conhecer todos os detalhes."

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