Huffpost Brazil

Um relato do 'Humans of New York' definiu os benefícios da terapia com perfeição

Publicado: Atualizado:
Imprimir

Se você ainda precisava de alguma prova de que a terapia pode mudar a vida das pessoas, agora a tem.

Como parte de uma série lançada recentemente sobre soldados veteranos que voltaram para casa depois de participar de combates, o site Humans of New York (HONY) compartilhou um relato anônimo de um homem que serviu no Afeganistão e, depois de voltar, recebeu o diagnóstico de TEPT (transtorno de estresse pós-traumático).

O relato que ele fez de suas dificuldades de saúde mental depois da guerra e de como inicialmente resistiu a se tratar é um exemplo comovente mostrando que, quando procuramos ajuda para um problema de saúde mental, isso pode realmente fazer uma diferença.

Eu não aguentava mais. Precisava de ajuda”, diz o homem na legenda.

“No começo, eu tinha medo de ir à terapia. Fiz um tratamento chamado EMDR. Meu terapeuta me fazia voltar para cada momento traumático e me mandava descrevê-lo detalhadamente. ...

Mas funcionou”, ele prosseguiu. “Os sintomas começaram a desaparecer. Me lembro de ter entrado no consultório do terapeuta depois de algumas sessões e dizer: ‘Este negócio funciona de verdade”’. E ele disse: ‘É, funciona mesmo.”

(3/4) “Às vezes a ansiedade era tanta que eu ficava completamente branco. Às vezes eu pulava da cama no meio da noite, com o coração batendo a mil, e começava a correr pelo quarto, tentando encontrar alguma coisa. Minha mulher era obrigada a me arrastar fisicamente de volta para a cama. Então um dia eu estava saindo de Hoboken de trem, estávamos passando por uma área pantanosa, com juncos, e aquilo me lembrou o Afeganistão.

Olhei para meu telefone e havia um post no Facebook lembrando o aniversário da morte de um cara da minha companhia. Fiquei atordoado e não conseguia falar. Pensei que estivesse tendo um ataque cardíaco. Eu não aguentava mais. Precisava de ajuda.

Fui para o setor de emergências da Administração de Veteranos e recebi o diagnóstico de TEPT. Acabei chegando ao Headstrong Project. No começo, eu tinha medo de ir à terapia. Fiz um tratamento chamado EMDR. Meu terapeuta me fazia voltar para cada momento traumático e me mandava descrevê-lo detalhadamente.

Era literalmente como voltar atrás no tempo. Eu podia tocar os rostos de todos os caras que tinha perdido. Podia conversar com eles. Falávamos do que tinha acontecido. E de como todos estávamos cientes dos riscos. E de que às vezes as pessoas morriam. E que não era culpa de ninguém. E eu podia pedir desculpas a eles. Quando acabava, eu estava completamente exausto. Me sentia uma mulherzinha, porque tinha acabado de passar uma hora chorando. Mas funcionou. Os sintomas começaram a desaparecer. Me lembro de ter entrado no consultório do terapeuta depois de algumas sessões e dizer: “Este negócio funciona de verdade!”. E ele disse: “É, funciona mesmo.”

O HONY formou uma parceria com a organização Headstrong Project, que ajuda membros das forças armadas a enfrentar trauma sofrido depois de prestar serviço militar, e vai publicar relatos sobre bem-estar psicológico.

A iniciativa lança uma luz muito necessária sobre a saúde mental dos veteranos de guerra. Estima-se que entre 11% e 20% dos veteranos que combateram nas guerras do Iraque e Afeganistão sofrem com TEPT em qualquer ano dado. Em sua forma mais grave, o TEPT pode levar ao suicídio, se não for tratado.

É por isso que relatos como os do HONY são tão importantes. Não apenas a condição de saúde mental é altamente estigmatizada, como a existência de um estereótipo negativo impede as pessoas de buscar apoio.

Esses tipos de depoimentos combatem as falsas percepções, normalizando a terapia e incentivando as pessoas a tratar o transtorno.

E, o que é ainda melhor: como mostra a imagem publicada no HONY, as pessoas acabam se dando conta de que o tratamento funciona de fato.

Essa sim é uma imagem que vale mil palavras.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

Viver bem é o tipo de desejo tão universal que se tornou um direito. Mas não há fórmula ou mágica que o garanta, o que deixa, para cada um de nós, a difícil tarefa de descobrir e pavimentar o próprio caminho. A newsletter de Equilíbrio vai trazer a você textos e entrevistas sobre saúde mental, angústias, contradições e alegrias da vida. Assine aqui para receber novidades no fim de semana.

LEIA MAIS:

- Sofrimento todos nós temos, mas fazer terapia ainda é um grande tabu

- 11 coisas que as pessoas com estresse pós-traumático querem que você saiba

- Entendendo o transtorno do estresse pós-traumático, dez anos depois do 7 de julho

THE HUFFINGTON POST:

Close
Indiana ilustra emoções de pessoas ansiosas
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção