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Dados chocantes mostram como a saúde mental das minorias é negligenciada

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DEPRESSED BLACK PEOPLE
Izabela Habur via Getty Images
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Cerca de um em cada cinco adultos nos Estados Unidos terá de lidar com algum problema mental todos os anos.

Embora os campos da pesquisa e defesa de direitos já tenham avançado quando se trata de saúde mental, ainda há uma área que é altamente negligenciada: Como as doenças mentais afetam as minorias.

Nos EUA, tem havido algum progresso nos últimos anos para oferecer uma plataforma pública às minorias que sofrem problemas mentais.

Celebridades como a atriz Kerry Washington, a cantora Demi Lovato e o ator Wayne Brady compartilharam suas experiências com problemas mentais e destacaram a importância de buscar tratamento.

O jogador de futebol americano do New York Jets, Brandon Marshall, também está chamando a atenção para o problema com sua iniciativa Project 375, com planos de promover o projeto nesta nova temporada da NFL.

Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. O persistente estigma e a falta de acesso à assistência médica atuam como barreiras para qualquer pessoa com um problema mental, mas especialistas argumentam que há uma disparidade particular quando se trata de minorias.

E isso pode contribuir para que as pessoas não recebam apoio ou tratamento adequado para que se sintam melhor.

Um novo estudo publicado pela revista International Journal of Health Services corrobora ainda mais este fato.

Os pesquisadores descobriram que jovens negros e hispânicos tinham menos possibilidades de receber tratamento para problemas mentais do que crianças e adultos jovens brancos. Isso apesar do fato de que as taxas de doença mental são geralmente consistentes em todas as etnias, segundo o serviço de notícias Kaiser Health News.

Infelizmente, este novo estudo é apenas um exemplo de uma barreira que as minorias enfrentam quando possuem problemas mentais. Selecionamos algumas estatísticas impressionantes que colocam tudo sob perspectiva. Confira abaixo:

20%

É a porcentagem pela qual afro-americanos adultos são mais propensos a enfrentar problemas de saúde mental do que o resto da população.

40%

A porcentagem de nativos norte-americanos de 15 a 24 anos que cometem suicídio. Os indígenas norte-americanos têm o maior índice de suicídio entre jovens adultos de todas as etnias.

10,3

O número de homens hispânicos a cada 100 mil que morreram por suicídio em 2014, número que tem se mantido constante desde 1999, sem sinal de redução.

27,4

Número de homens nativos norte-americanos e indígenas do Alasca a cada 100 mil que cometeram suicídio em 2014. A taxa aumentou 38% desde 1999.

8,6%

A porcentagem de adultos norte-americanos de origem asiática que buscou tratamento mental em 2010. Quase 18% da população em geral nos EUA procurou esses serviços no mesmo ano.

89%

O aumento no número de suicídios entre mulheres indígenas norte-americanas e nativas do Alasca entre 1999 e 2014. A taxa de suicídio neste grupo de mulheres subiu para cerca nove a cada 100 mil pessoas, de 5 a cada 100 mil no período.

62%

A porcentagem de indivíduos negros não hispânicos com depressão que tiveram um episódio grave da doença em 2012. Apesar desse número representar a maioria dos indivíduos negros com depressão, apenas uma pequena porcentagem busca um profissional de saúde mental para ajudar a lidar com a doença.

2,3%

A porcentagem de negros ou hispânicos jovens que procuram um especialista em saúde mental todo ano, comparados aos 5,7% entre crianças e jovens brancos. A estimativa é de que uma a cada cinco pessoas com idades entre 13 e 18 anos tenha ou vá ter uma doença mental em algum momento da vida.

2,5%

A porcentagem de afro-americanos que buscam tratamento para um problema mental, comparada à taxa de 40% entre indivíduos brancos. As razões para não procurar ajuda incluem diagnóstico errado dos médicos, fatores socioeconômicos e falta de profissionais afro-americanos de saúde mental.

90%

A porcentagem de todos os suicídios onde a doença mental tem influência.

Lembre-se: a doença mental não é uma falha de caráter. Não é algo que uma pessoa possa simplesmente dizer “supere”. Não é culpa de uma pessoa. Os problemas mentais podem ser qualquer coisa, desde lidar com períodos particularmente estressantes até algo mais sério, como depressão e esquizofrenia.

Se você enfrenta problemas de saúde mental, procure opções de tratamento — porque todo mundo deve ser capaz de viver uma vida feliz e saudável.

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 141, para o CVV - Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis. O HuffPost Brasil possui também uma série de reportagens sobre a prevenção do suicídio e a importância de se falar a respeito.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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