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Temer critica anistia ao caixa dois e minimiza rejeição de países latinos na ONU

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MICHEL TEMER
Temer minimizou saída de delegações internacionais da ONU | Beto Barata / PR
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O presidente Michel Temer disse hoje (21), em Nova York, que foi surpreendido com a notícia da inclusão do projeto de lei que anistiaria crimes de caixa dois no Brasil na pauta de votação da Câmara dos Deputados.

“Eu, pessoalmente, não vejo razão para prosseguir, prosperar nessa matéria. Isso foi surpreendente pra mim, eu li a notícia aqui. Quando chegar lá [no Brasil], eu vou examinar essa questão”, afirmou em entrevista coletiva durante encontro com empresários norte-americanos. Temer frisou que a proposta que criminaliza o caixa dois é uma questão do Poder Legislativo.

Na noite de segunda-feira (19), a Câmara do Deputados iria votar o Projeto de Lei 1210/07. Uma emenda ao texto acabaria com a punição de recursos não declarados e vetaria o entendimento de que dinheiro que não consta na contabilidade eleitoral pode ser enquadrado como corrupção.

O texto só não foi votado porque deputados da Rede e do PSOL pressionaram para tirar o texto de pauta.

O presidente também o fato de o juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal no Paraná, ter acatado denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no âmbito da Operação Lava Jato. “Recebi [a notícia] como quem acha que, se estivesse no lugar dele, iria ao Judiciário para debater”, afirmou.

Para Temer, a polarização do debate deve se dar no âmbito jurídico.

Um dia após líderes de seis países latinos deixarem o plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas no momento em que fazia o discurso de abertura da reunião, Temer lamentou o ocorrido e voltou a pregar a leitura da Constituição Federal para que a legitimidade de seu governo seja verificada.

“Essa questão de quem sai, não sai... Tinha 193 países lá, eu confesso que nem percebi a saída. E lamento, porque as relações não hão de ser governamentais, de pessoas. Hão de ser relações institucionais, de Estado para Estado, e não de um governo para outro, ambos transitórios.”

Questionado sobre os riscos que algumas medidas de ajuste fiscal poderiam trazer para sua popularidade, o presidente disse que o que o preocupa é a melhora da situação do país.

“Se a minha popularidade cair para 5%, mas eu salvar o Brasil nesses dois anos e quatro meses, colocar o País nos trilhos, me dou por satisfeito. Em medidas supostamente impopulares, porque impopulares não são, elas visam exatamente a melhorar situação do País e dos brasileiros, não tenho preocupação [com a popularidade]”,afirmou.

Temer também disse que, na condição de vice-presidente, não tinha conhecimento dos problemas de corrupção envolvendo o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. “Eu não sabia, [é] evidente. Vocês sabem que não tive participação no governo. Um dia eu mesmo me rotulei de vice-presidente decorativo. Não tinha participação, não acompanhava nada disso”, afirmou.

O presidente reafirmou que espera ver aprovada a proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece um teto para os gastos públicos até o final deste ano e que, devido à complexidade do tema, a aprovação da reforma da Previdência deve ficar para o ano que vem.

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