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Editora Cosac Naify vai destruir livros que permanecerem em estoque

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COSAC NAIFY
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Acredite se quiser, mas a editora Cosac Naify vai transformar em aparas os livros que permanecerem em seu estoque até o fim deste ano.

Em entrevista ao PublishNews nesta quinta-feira (22), Dione Oliveira, diretor financeiro da editora – que anunciou fechamento em novembro de 2015, após 20 anos de existência –, explicou que a intenção é "atender as necessidades da empresa".

"Me parte o coração mandar os livros para picotar. Em alguns momentos, você acaba sendo impopular com algumas medidas", disse.

O diretor contou também que manter as obras em estoque gera custo para manutenção e logística – além disso, muitas delas não têm giro.

Outras casas editoriais compraram títulos da Cosac – como a Companhia das Letras em dezembro –, e de acordo com Oliveira, os novos donos dos direitos de publicação teriam dificuldade de vendê-las se a editora colocasse seu estoque remanescente à venda em um grande saldão, por exemplo.

Além disso, doações estão fora de cogitação. "[Elas] geram um transtorno contábil na empresa", explicou.

"Se faço uma doação de um livro, tenho que reconhecer o custo disso. Se eu faço a doação de um volume considerável de livros, eu gero um resultado financeiro negativo absurdo, fora da curva."

Amazon

Em janeiro deste ano, a Amazon se tornou a loja exclusiva de títulos da Cosac. Toda terça-feira, ela faz o evento Cosac Relâmpago, no qual os livros da editora são vendidos com descontos.

A loja, em posicionamento para a imprensa, afirmou que continua vendendo com exclusividade os mais de 1.100 títulos da casa editorial que possui em estoque.

"A Amazon não discute suas estratégias comerciais e agradece a Cosac Naify pela confiança", anunciou.

Oliveira disse ao PublishNews que nenhum dos livros comprados pela varejista será recolhido.

"Seria fantástico se a Amazon tivesse comprado todo o nosso estoque, como dizem por aí, mas isso não foi verdade, infelizmente", disse.

Ubu

Três ex-diretoras da Cosac, Gisela Gasparian, Florencia Ferrari e Elaine Ramos, formaram a editora Ubu.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, elas anunciaram que adquiriram 35 títulos da casa editorial para fazer parte de seu catálogo.

Ambas as editoras terão perfil semelhante, com foco em literatura, crítica literária e ciências humanas, entre outros – mas as sócias prometem ser mais "pés no chão" com as contas da Ubu do que a Cosac foi com as dela.

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