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Aposta do Brasil no Oscar 2017, 'Pequeno Segredo' quer emocionar o espectador. E incomoda por isso

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Pequeno Segredo, polêmico representante do Brasil na disputa por uma vaga ao Oscar 2017, chega às salas de cinema em novembro com a intenção de emocionar o público.

Dirigido por David Schurmann, da família brasileira famosa por rodar o mundo num veleiro, o filme é baseado no livro de mesmo nome escrito pela mãe do cineasta, Heloisa Schurmann - sobre a relação da família com a pequena filha adotiva Kat, que tem uma doença incurável.

A experiência de dedicação e cuidado vivida pelos Schurmann (em especial por Heloisa) é realmente digna de ser contada no cinema. E o que se vê na telona é um esforço do diretor de apresentá-la ao mundo sob o mais alto padrão de qualidade visual e da forma mais emocional possível. Um desafio que traz ao filme ganhos e perdas na mesma medida.

O time de atores de Pequeno Segredo é formado por nomes conhecidos da teledramaturgia brasileira, como Julia Lemmertz, Marcelo Antony e Maria Flor, e estrelas internacionais, incluindo o ator neozelandês Erroll Shand e a atriz Fionnula Flanagan, da série Lost.

Apesar do grande elenco, é fácil apontar que apenas dois nomes se destacam na trama: Fionnula, que interpreta a avó estrangeira de Kat com certa afetação e vilania que magnetiza o espectador. E Julia que, na pele de Heloisa, consegue transpor para além da tela a atenção generosa que dá à filha - dos 3 aos 13 anos de idade.

kat

Heloisa e Kat Schurmann na década de 1990

Em Pequeno Segredo o visual é deslumbrante. Das cenas das aulas de balé de Kat aos planos aéreos por sobre o oceano, tudo é muito vivo, a tela está sempre cheia.

Com locações em Florianópolis, Belém e na Nova Zelândia, o filme tem direção de fotografia de Inti Briones, cuja obra dentro do cinema latino-americano é extensa. No entanto, isso não imuniza o espectador de sentir mais de uma vez a sensação incômoda de estar vendo imagens de um comercial de TV.

A narrativa da adoção de Kat pela família Schurmann é contada de forma não-linear. São duas tramas trabalhadas em tempos diferentes e justapostas. Tirando o começo um tanto modorrento e o final que cobra lágrimas do espectador, tem-se um drama envolvente.

Ao mesmo tempo em que acompanha o envolvimento de um neozelandês com uma brasileira na Amazônia, o espectador conhece o casal Schurmann em sua vida em alto mar, na companhia da filha Kat. O desfecho é um cruzamento comovente das duas tramas.

Em suma, Pequeno Segredo conta uma bela e tocante história. Vai fazer os olhos de muitas pessoas marejar. Mas talvez emocionaria um contingente ainda maior de espectadores se não se esforçasse tanto para isso.

O longa estreia oficialmente nos cinemas dia 10 de novembro. Assista ao trailer:

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