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Ministério Público Federal diz que detenção de Mantega em hospital foi 'coincidência infeliz'

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MANTEGA
EVARISTO SA via Getty Images
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Poucas horas após a Polícia Federal cumprir mandatos de prisão, busca e apreensão em seis estados na 34ª fase da Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal (MPF) classificou como 'coincidência infeliz' que a prisão temporária do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega tenha acontecido no Hospital Albert Einstein, onde ele acompanhava a esposa, que está internada.

"Coincidências como essa são tristes quando acontecem, mas não há como não cumprir uma ordem judicial", afirmou o procurador do MPF Carlos Fernando dos Santos Lima, em coletiva de imprensa em Curitiba.

De acordo com ele, o pedido foi feito pelo Ministério Público em julho, autorizado pelo juiz Sérgio Moro em agosto e "só não foi cumprido por circunstâncias operacionais em decorrência da Olimpíada e de outros eventos". Segundo o investigador, o pedido de prisão temporária visa "a manutenção da ordem pública".

O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula destacou que Mantega não foi retirado do centro cirúrgico no momento da detenção. O ex-ministro será liberado após prestar depoimento aos investigadores.

A Polícia Federal esteve às 6h no apartamento onde mora o ex-ministro, em São Paulo, mas encontrou apenas o seu filho adolescente e uma empregada no local.

Mantega foi ministro dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

Acusações

A nova fase da operação Lava Jato, batizada de Operação Arquivo X, investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo obras da Petrobras para exploração de petróleo no pré-sal.

Segundo o MPF, em julho de 2012, o Consórcio Integra Ofsshore, formado pelas empresas Mendes Júnior e OSX, firmou contrato com a Petrobras no valor de US$ 922 milhões, para a construção das plataformas P-67 e P-70.

De acordo com o procurador Carlos Fernando dos Santos, em novembro de 2012 Mantega teria pedido ao empresário Eike Batista, ex-presidente do Conselho de Administração da OSX, que fizesse um pagamento de R$ 5 milhões, no interesse do PT.

"Esse fato aconteceu enquanto Guido Mantega era presidente do Conselho Administrativo da Petrobras e pouco antes da liberação do primeiro pagamento de valores relativos a essas obras em plataformas. Essas coincidências que ligam a investigação à Petrobras", afirmou.

De acordo com o Ministério Público Federal, para operacionalizar o repasse da quantia, o executivo da OSX firmou contrato ideologicamente falso com empresa ligada a publicitários já denunciados na Lava Jato ‘por disponibilizarem seus serviços para a lavagem de dinheiro oriundo de crimes’.

Eike prestou depoimento espontaneamente aos investigadores, sem acordo de delação.

Segundo Lima, o executivo relatou que os pagamentos foram operacionalizados por Mônica Moura, esposa do marqueteiro do PT João Santana. Ela teria indicado primeiramente a conta da Polis Caribe e depois foi feito um segundo contrato com a Shell Bill. "Ambas são sabidamente do casal Santana", disse.

Segundo os investigadores, foi identificado repasse de mais de R$ 6 milhões pelo Consórcio Integra Ofsshore com base em contrato ideologicamente falso firmado em 2013 com a Tecna/Isolux.

O valor teria sido transferido para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e para pessoas relacionadas. Empresas do grupo Tecna/Isolux teriam repassado então cerca de R$ 10 milhões à Credencial Construtora, já usada por Dirceu para o recebimento de vantagens indevidas.

Após uma primeira tentativa frustrada de repasse em dezembro de 2012, em 19 de abril de 2013 foi realizada transferência de US$ 2.350.000,00, no exterior, entre contas de Eike Batista e dos publicitários.

O advogado José Roberto Batochio, que defende Mantega, afirmou que seu cliente “jamais pediu propinas ou recursos para partido político”.

No total, foram cumpridos 48 mandados em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. Todos os sete detidos serão levados para a sede da Polícia Federal em Curitiba até as 21h desta quinta-feira (22).

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