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PSDB e DEM veem prisão temporária de Mantega como fatal para PT

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GUIDO MANTEGA
Antonio Araújo / Agência Câmara
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A prisão temporária do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega nesta quinta-feira (22) reforça o envolvimento do PT no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, na avaliação do PSDB e do DEM. Os petistas, por outro lado, consideram a ação da Polícia Federal "desumana e arbitrária" uma vez que Mantega acompanhava a esposa em um hospital.

“Guido Mantega é o mais longevo ministro do PT. A prisão dele demonstra a profundidade e a abrangência dessas articulações do PT em torno de um projeto de poder. Revela a institucionalização de práticas incompatíveis com o sistema democrático”, afirmou o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy (BA).

Para o líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM), a detenção do ex-ministro "segue a lógica de outros petistas também presos na Lava Jato”. “Aos poucos, toda a quadrilha de achacadores está sendo presa e a justiça está chegando cada vez mais perto dos chefes do esquema”, afirmou.

Mantega assumiu a Fazenda em jnaeiro 2003, no governo Lula e permaneceu até novembro de 2004. Em março de 2006, ele voltou ao comando da pasta, onde continuou até dezembro de 2014, no final do primeiro mandato de Dilma Rousseff.

O ex-ministro foi um dos principais formuladores da proposta econômica de Lula na campanha presidencial de 2002 e comandou o Ministério do Planejamento e o BNDES antes de ser titular da Fazenda.

Durante sua gestão, foram adotadas polícias econômicas controversas, como chamada "contabilidade criativa", em que as contas do governo federal eram maquiadas a fim de aparentar um superávit fiscal maior do que o real em busca de confiança do mercado financeiro.

Acusações

O ex-ministro foi preso temporariamente na manhã nesta quinta-feira (22) no Hospital Albert Einstein, onde ele acompanhava a esposa, que está internada, para prestar depoimento.

A prisão havia sido autorizada pelo juiz Sérgio Moro em agosto e foi revogada no início da tarde de hoje após o magistrado considerar "no momento, esvaziados os riscos de interferência da colheita de provas neste momento".

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, Mantega pediu, em novembro de 2012, R$5 milhões ao empresário Eike Batista, ex-presidente do Conselho de Administração da OSX. O dinheiro teria sido repassado para o PT por meio de Mônica Moura, esposa do marqueteiro do PT João Santana.

Na época da conversa com Eike, o ex-ministro era presidente do Conselho Administrativo da Petrobras e pouco tempo depois foi liberado o primeiro pagamento de valores relativos à do primeiro pagamento de valores relativos a essas obras em plataformas, de acordo com o Ministério Público Federal.

De acordo com as investigações, o Consórcio Integra Ofsshore, formado pelas empresas Mendes Júnior e OSX, firmou contrato com a Petrobras no valor de US$ 922 milhões em julho de 2012 relativo a obras nessas plataformas.

'Desumana e arbitrária'

O presidente do PT, Rui Falcão, classificou a detenção do ex-ministro como “arbitrária, desumana e desnecessária” e disse que a ação da Polícia Federal deveria se chamar “Operação Boca de Urna”, por acontecer às vésperas das eleições municipais.

Ele lembrou ainda que o juiz Sérgio Moro aceitou nesta semana a denúncia contra Lula, também com motivações políticas, na avaliação de Falcão.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) também mostrou indignação com a data da operação e lembrou que nesta quinta-feira está marcado o Dia Nacional de Lutas das Centrais Sindicais.

Em nota, a bancada do PT no Senado afirmou que "o desrespeito às regras mais básicas da dignidade humana e do Estado democrático de Direito extrapola o limite das 'tristes coincidências com que integrantes da força tarefa da Operação Lava Jato tentam escusar o odioso abuso de autoridade".

O PT refuta as acusações e afirma que todas as operações financeiras do partido foram declaradas à Justiça Eleitoral. O advogado José Roberto Batochio, que defende Mantega, afirmou que seu cliente “jamais pediu propinas ou recursos para partido político”.

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