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Este menino quis ser a 'menina do desfile'. E sua mãe escreveu um livro sobre isso

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DANNY
LAURIN MAYENO
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Chega às livrarias dos Estados Unidos neste mês um livro bilíngue que tem o objetivo de criar espaço no mundo da literatura infantil para crianças não-conformadas a gêneros.

A autora Lauryn Mayeno baseou One of a Kind, Like Me/Único Como Yo ("único como eu", em tradução livre) em seu filho Danny, que queria ser uma princesa num desfile da escola.

Escrito para crianças entre 4 e 7 anos em inglês e espanhol, One of a Kind, Like Me/Único Como Yo conta uma história multicultural de diversidade de gênero para crianças que não veem suas histórias e experiências refletidas na literatura.

Em entrevista ao Huffington Post, Mayeno fala sobre sua decisão de escrever One of a Kind, Like Me/Único Como Yo, sobre sua mensagem para os pais que criticam o incentivo à diversidade de gênero entre as crianças e sobre o que ela quer que os jovens leitores tirem do livro.

danny
Lauryn Mayeno baseou seu novo livro em seu filho, Danny

The Huffington Post: Por que você decidiu escrever este livro? Viu a necessidade de um livro desses no mundo da literatura infantil?

Lauryn Mayeno: Quando meu filho era muito pequeno, nenhum dos outros meninos o incomodavam. Eles ainda não tinham formado julgamento sobre o que é OK e o que não é OK em relação a gêneros. Mas isso mudou quando ele começou o ensino fundamental.

O bullying passou a ser diário. Minha conclusão: educar crianças pequenas sobre diversidade de gênero antes que elas aprendam atitudes negativas.

Anos depois, fazendo workshops com educadores de crianças pequenas, os professores me diziam que precisavam de livros que os ajudassem a conversar com as crianças, especialmente livros bilíngues. Isso foi o empurrãozinho de que eu precisava para começar o projeto. Decidi escrever um livro baseado no meu filho, porque queria que outras famílias e crianças tivessem o livro que nós não tivemos quando estávamos crescendo.
Educar crianças pequenas sobre diversidade de gênero antes que elas aprendam atitudes negativas.

O que você quer que as crianças tirem do livro?

Imagino como teria sido para Danny se ele tivesse um livro sobre uma criança como ele. Quero que as crianças se sintam asseguradas – saibam que são vistas, que são aceitas e que suas peculiaridades são algo positivo.

Quero que elas enxerguem as outras crianças como elas realmente são, gostem do que gostem, sem limites baseados em gênero. Quero que elas aceitem a diversidade de gênero dentro delas mesmas, e entre os amigos e colegas de escola.

O que você diz para as pessoas que criticam o incentivo à diversidade de gênero entre as crianças?

Entendo por que algumas pessoas ficam preocupadas. Quando meu filho era pequeno, tinha medo que algo estivesse errado com ele, não queria incentivar a paixão dele por vestidos e coisas brilhantes. A princípio, só tolerava e esperava que fosse passar com o tempo.

Será que tinha alguma coisa errada com meu filho? Aprendendo mais sobre gêneros, percebi que era o contrário. É natural e saudável que crianças se expressem e se identifiquem de várias maneiras.

O que não é saudável é pressioná-las a seguir regras baseadas em gênero. Isso não só limita oportunidades na vida; também pode causar danos emocionais e físicos.

Elas precisam de espaços seguros onde possam ser elas mesmas e saibam que são amadas. Isso pode protegê-las de dificuldades que enfrentarão mais tarde na vida.

livro
“A história é para todos”, diz Mayeno, “e meu sonho é que ela seja traduzida em várias línguas e lida no mundo inteiro”

Por que é importante que esse livro seja acessível para crianças que possam não falar inglês?

O pai do meu filho fala espanhol, e tento expor Danny o máximo possível à língua. Trabalhei com as comunidades asiáticas e latinas e vi que há uma necessidade enorme de recursos em línguas diferentes. A história é para todos, e meu sonho é que ela seja traduzida em várias línguas e lida no mundo inteiro.

O que você diria para um pai ou mãe que tem de criar um filho que não se conforma a gêneros?

Alguns pais lidam bem com a tarefa, e eu diria apenas que “fico feliz porque vocês têm um ao outro”.

Outros pais têm dificuldades, como eu. Para eles, acho que as mensagens mais importantes são:

  • Preconceito sobre diversidade de gênero também tem impacto sobre os pais. Procure o apoio necessário para que você possa ser forte também para seu filho. Evite os conselhos de pessoas que vão te julgar ou ao seu filho;
  • Você não está sozinho. Muitos pais passaram pelo mesmo;
  • Não há nada errado com seu filho. Diversidade de gênero é natural e saudável;
  • Você pode proteger seu filho mesmo que não esteja 100% à vontade com a ideia da diversidade de gênero. Dê espaço para que eles explorem e sejam quem são. Diga que os ama de forma incondicional.

Há muitos recursos na internet, como Out Proud Families e Gender Spectrum.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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