Huffpost Brazil

Antonio Palocci preso: Entenda a 35ª fase da Operação Lava Jato, que mira o ex-ministro

Publicado: Atualizado:
ANTONIO PALOCCI
(FILE) Picture taken on March 24, 2006 of then Brazil's Finance Minister Antonio Palocci at the American Chamber of Commerce, in Sao Paulo, Brazil. Palocci, who was at present Brazilian President Dilma Rousseff's chief of cabinet, offered his resignation on June 7, 2011, amid allegations of corruption, officials said. Palocci said Brazil's attorney general had confirmed 'the legality and rectitude' of his recent professional activities, but acknowledged that the political controversy could harm | MAURICIO LIMA via Getty Images
Imprimir

A Polícia Federal desencadeou nesta segunda-feira (26) a 35ª fase da Operação Lava Jato.

A Operação Omertá tem como um dos alvos o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antônio Palocci, que foi preso na manhã desta segunda, em São Paulo.

A prisão de Palocci, que foi ministro nos governos Lula e Dilma, foi feita com um dos três mandados de prisão temporária que a Polícia Federal está cumprindo. De acordo com o G1, os outros dois presos são o ex-secretário da Casa Civil Juscelino Antônio Dourado e Branislav Kontic, que atuou como assessor na campanha de Palocci em 2006.

Há, ainda, 27 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é obrigada a ir com os policiais prestar esclarecimentos.

A suspeita é de que Palocci teria ligação com o comando da empreiteira Odebretch, uma das principais do país. A Polícia Federal investiga se o ex-ministro e outros envolvidos receberam dinheiro para beneficiar a empreiteira em contratos com o governo.

"Há indícios de que o ex-ministro atuou de forma direta a propiciar vantagens econômicas ao grupo empresarial nas mais diversas áreas de contratação com o Poder Público, tendo sido ele próprio e personagens de seu grupo político beneficiados com vultosos valores ilícitos", afirma a PF em nota.

O nome da operação, inclusive, faz referência ao codinome "italiano", que era usado pela construtora para fazer referência a Palocci.

De acordo com o delegado Filipe Pace, a prisão de Palocci é uma "decorrência lógica" da 23ª fase da operação, batizada de Acarajé - quando o marqueteiro João Santana e sua mulher foram presos. Naquela ocasião é que foi apreendida uma planilha que fazia referência a pagamentos feitos a Palocci.

Segundo a Polícia Federal, as negociações envolviam a Medida Provisória 460, de 2009, que tratava de crédito prêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além do aumento da linha de crédito da Odebretch no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um país africano, além de interferência em licitação da Petrobras para aquisição de 21 navios-sonda para exploração da camada pré sal.

A Polícia Federal apura, ainda, a denúncia de pagamentos pelo chamado “setor de operações estruturadas” do Grupo Odebrecht, para várias pessoas, que estão hoje sendo alvo da condução coercitiva.

A operação ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal e apura as práticas de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Palocci e os outros dois presos serão encaminhados para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde estão centralizadas as investigações.

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, criticou a prisão de seu cliente, dizendo que tudo ocorreu de maneira secreta, ao estilo ditadura militar.

“Estamos voltando aos tempos do autoritarismo, da arbitrariedade. Não há necessidade de prender uma pessoa que tem domicílio certo, que foi duas vezes ministro, que pode dar todas as informações quando for intimado. É por causa do espetáculo?”, questionou.

Ele ainda negou as acusações contra Palocci. “Isso é uma coisa absolutamente vaga, vazia. Para quem quer pretexto, isso é pretexto, mas o fato é que o ministro da Fazenda tem que ter uma interlocução com o setor empresarial, com a cadeia produtiva do Brasil, para que se estabeleçam as políticas públicas. Se um ministro conversa com alguém da iniciativa privada, já é suspeito de praticar crime?”, perguntou Batochio.

Coletiva

Em coletiva, a procuradora da República, Laura Gonçalves Tessler disse que Palocci teve atuação “intensa e reiterada” na defesa de interesses da empreiteira Odebrecht na administração pública federal. Segundo a procuradora, a empreiteira repassou R$ 128 milhões de reais a uma conta que seria gerida pelo ex-ministro.

De acordo com Laura Gonçalves, haveria um conta destinada ao recebimento de vantagens indevidas da Odebrecht e Palocci seria o gestor dessa conta. “Se verificou uma atuação intensa e reiterada de Palocci na defesa de interesses da empresa perante a administração pública federal envolvendo contratos com a Petrobras, questões veiculadas e medidas legislativas. Essa atuação se deu mediante a pactuação e recebimento de contrapartidas em favor do Partido dos Trabalhadores. Palocci, ao que tudo indica, atuava como gestor dessa conta tendo atuado desde 2006 até pelo menos novembro de 2013, comprovadamente, com pagamentos documentados nessa planilha”, disse a procuradora.

Os valores discriminados na planilha da construtora eram registrados em nome de "Italiano”, segundo a Polícia Federal (PF). O delegado da PF, Filipe Pace, disse que não há “sombra de dúvida” de que o “Italiano” que aparece nas planilhas de Marcelo Odebrecht é o ex-ministro Palocci.

A procuradora Laura Gonçalves destacou que repasses registrados para o Italiano não ocorreram apenas em período eleitoral. “O que revela mais claramente se tratarem de propina, já que não havia em curso qualquer campanha eleitoral que subsidiasse esses pagamentos”, disse.

Para o Ministério Público Federal, há indicativos de que Palocci tenha atuado em outros casos em defesa dos interesses da empresa. Segundo a procuradora Laura Gonçalves, foram registrados quase 30 encontros pessoais entre Palocci e executivos da empresa, muitos deles na casa do ex-ministro e no escritório de sua empresa.

Laura Gonçalves afirma ainda que, mesmo no curso da Operação Lava Jato e em 2014 e 2015 foram verificados contatos entre Palocci e executivos da Odebrecht, inclusive com o uso de e-mails criptografados. “O que indica a possibilidade de que continuassem essas tratativas ilícitas já que obviamente para realização de reuniões para assuntos triviais não se precisa ter essa preocupação de criptografia”, disse a procuradora.

(Com informações da Agência Brasil)

LEIA MAIS:

- STF autoriza investigação preliminar sobre Temer na Lava Jato

- PSDB e DEM veem prisão temporária de Mantega como fatal para PT

- Moro manda soltar Mantega: 'Sem risco de atrapalhar coleta de provas'

Também no HuffPost Brasil

Close
Entenda a Operação Lava Jato
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção