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Histórico: Governo da Colômbia assina acordo de paz com Farc e encerra 52 anos de guerra

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FARC
John Vizcaino / Reuters
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O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Timochenko usaram uma caneta feita de uma bala nesta segunda-feira(26) para assinar um acordo que termina com meio século de uma guerra que matou 250 mil pessoas.

Depois de quatro anos de negociações de paz em Cuba, Santos, de 65 anos, e Timochenko, o nome de guerra do revolucionário Rodrigo Londoño, de 57 anos, apertaram as mãos em solo colombiano pela primeira vez, diante de centenas de autoridades.

Um homem balançou uma grande bandeira da Colômbia com uma faixa branca extra para marcar o acordo de paz.

O fim da guerra mais longa em andamento na América Latina vai tornar a guerrilha das Farc um partido político, brigando nas urnas, e não nos campos de batalha que ela ocupa desde 1964.

Convidados na cerimônia na cidade de Cartagena, na costa caribenha, foram orientados a vestir branco e incluíram o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o presidente cubano, Raúl Castro, e o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

Mostrando apoio ao acordo de paz, a União Europeia retirou nesta segunda-feira as Farc da sua lista de grupos terroristas.

Kerry disse que Washington vai também avaliar a retirada das Farc da sua lista e prometeu 390 milhões de dólares para a Colômbia no próximo ano como apoio ao processo de paz.

"Qualquer um pode pegar uma arma, explodir coisas, ferir os outros, mas isso não leva a lugar nenhum. Paz é trabalho duro”, afirmou ele sobre uma rara boa notícia diplomática para o governo de Barack Obama.

VOTAÇÃO

Apesar do alívio geral com o fim do derramamento de sangue e sequestros dos últimos 52 anos, o acordo tem provocado divisões na quarta maior economia da América Latina.

Álvaro Uribe, influente ex-presidente do país, e outros estão irritados porque o acordo permite que os rebeldes entrem no Parlamento sem passar nenhum período na prisão.

Colombianos vão votar no dia 2 de outubro se aprovam ou não o acordo, mas as pesquisas mostram que ele deve passar com facilidade.

Em Cartagena nesta segunda-feira, grandes painéis pediam o voto “sim”, enquanto Uribe liderava centenas de simpatizantes com guarda-chuvas das cores da bandeira colombiana e pedia o “não".

As Farc começaram como uma revolta camponesa, ganharam papel importante no tráfico de cocaína e na sua fase mais forte tiveram 20 mil combatentes. Agora, os cerca de 7 mil do grupo devem entregar as armas às Nações Unidas em 180 dias.

Os colombianos estão nervosos sobre como os rebeldes vão se integrar à sociedade, mas também otimistas de que a paz vai trazer mais benefícios do que problemas.

"Eu não acredito que este dia finalmente chegou”, afirmou Juan Gamarra, 43 anos, vendedor de joias em Cartagena.

A Colômbia tem tido um melhor desempenho econômico do que os seus vizinhos recentemente, e a paz deve reduzir os gastos com segurança e abrir novas áreas do país para a mineração e as empresas de petróleo.