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Comissão de Ética da Presidência abre investigação contra Alexandre de Moraes

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ALEXANDRE DE MORAES
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
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A Comissão de Ética Pública da Presidência (CEP) abriu nesta terça-feira (27) um processo para investigar o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, após ele sugerir que teria informações privilegiadas sobre operações da Polícia Federal.

No domingo à noite, às vésperas da 35ª fase da Operação Lava Jato, Moraes afirmou, em encontro com integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), que "teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim", de acordo com o jornal O Estado de São Paulo.

Na manhã desta terça-feira, o presidente Michel Temer chamou atenção do ministro em rápida reunião no Palácio do Planalto. Ele já havia cobrado mais cuidado durante conversas por telefone, mas avaliou que demiti-lo seria uma admissão oficial de que Moraes sabia sobre a ação da Polícia Federal.

Moraes terá dez dias para prestar informações ao colegiado, que abriu processo após denúncia do líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA).

"Essa é uma matéria que não apenas deriva do código de conduta, como da lei de conflito de interesses", afirmou o presidente da CEP, Mauro Menezes.

"Não preocupa apenas a comissão, mas a Advocacia-Geral da União, a Controladoria-Geral da União, todos os órgãos de controle, a Justiça Eleitoral. Há preocupação grande para evitar que qualquer autoridade se valha da sua condição para obter dividendos político-eleitorais por conta do cargo", completou.

O secretário de comunicação de Temer, Márcio de Freitas, também é investigado pela comissão. A acusação é de ter recebido R$ 240 mil da Fundação Ulisses Guimarães, ligada ao PMDB, enquanto era assessor de Temer na vice-presidência.

Em sua punição máxima, a Comissão de Ética da Presidência pode sugerir a exoneração de ministros.

Moraes negou ter informações privilegiadas e afirmou que a afirmação foi “genérica”. A Polícia Federal e o Ministério da Justiça também divulgaram nota em que reiteram que o ministro não interfere nas investigações.

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