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Quer saber onde foi parar a atriz de ‘Matilda'? Ela mesma é quem vai te contar

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mara wilson
A estrela de Matilda, Mara Wilson, mostra aos fãs um pouco da vida de uma atriz mirim em seu livro de memórias, Where Am I Now? True Stories of Girlhood and Accidental Fame.

Se você foi criança nos anos 1990 ou no começo dos anos 2000, é provável que reconheça Mara Wilson quando ela era jovem.

Seja cativando as audiências como a menina esperta que movia as coisas com o poder da mente em Matilda, encantando famílias com seu papel em Milagre da Rua 34 ou fazendo as pessoas rir ao lado de Robin Williams em Uma Babá Quase Perfeita, a atriz passou a maior parte da infância fazendo papeis que hoje trazem nostalgia.

Wilson abandonou a carreira de atriz, mas não deixou para trás seu amor pelas histórias. Hoje ela é escritora, está presente no Twitter e conta suas experiências de ex-atriz mirim em seu novo livro, Where Am I Now? True Stories of Girlhood and Accidental Fame (onde estou agora? histórias reais da infância e da fama acidental, em tradução livre), lançado em 13 de setembro.

O The Huffington Post conversou com Wilson sobre seu livro de memórias e sobre as lembranças de uma infância que significou tanto para tantas crianças. Wilson falou de sua vida como autora, por que ela dedicou o livro à sua mãe e por que ela acha que “Matilda” com certeza é feminista.

Por que escrever um livro sobre suas experiências de infância?

Eu meio que sempre quis escrever um livro sobre minha vida. Queria explicar as coisas que aconteceram entre as entradas do IMDb. “Matilda” foi um hit cult tão grande que muita gente quer saber: “O que aconteceu com ela? Para onde ela foi?”. Quis explicar o que aconteceu comigo.

Mas durante muito tempo estava escrevendo outras coisas. Estava escrevendo peças e roteiros. Estava escrevendo uma série para a web. Estava escrevendo dois romances para jovens adultos. Estava feliz escrevendo e observando o que gerava mais interesse.

Aí escrevi aquele artigo sobre por que tantos atores mirins se perdem pelo caminho [para o Cracked], e a reação foi ótima.

Foi quando as pessoas começaram a me dizer: “Talvez você devesse escrever sobre sua vida antes de todo o resto. Talvez você devesse escrever sobre atores mirins e algumas das coisas pelas quais passou”. Foi quando eu comecei a despertar interesse dos editores. Pensei: “OK, vou fazer isso primeiro”.

Quando você começou a escrever suas memórias, foi mais difícil do que você imaginava?

Algumas coisas foram fáceis de escrever. As histórias – com começo, meio e fim --, essas foram fáceis, porque tenho facilidade de contar histórias.

Também havia coisas sobre as quais eu não tinha falado ou pensado. Escrever sobre TOC foi muito difícil para mim, porque meio que me enxerguei de fora para dentro pela primeira vez.

wilson em 1995
Wilson é entrevistada no “The Tonight Show With Jay Leno”, em 1995.

Conheço seu trabalho com o Project UROK, uma organização sem fins lucrativos que ajuda adolescentes com doenças mentais. Você sabia desde o começo que a saúde mental seria um dos focos mais importantes do seu livro?

Com certeza. Achava que precisava falar do assunto. Acho que sempre precisei falar disso. Há muita gente por aí que sofre e não sabe o que fazer a respeito. Não queria que ninguém passasse pelo que passei. [Nota do editor: no livro, Wilson descreve suas experiências com TOC, ansiedade e depressão.] Obtive ajuda lendo um livro, então achei que seria uma boa maneira de retribuir.

Lendo o livro, me vi pensando: “Uau, eu também”. Considerando que nossas infâncias foram completamente diferentes, não esperava essa reação. Você esperava que os leitores – mesmo os que não cresceram em sets de filmagem – se conectassem com suas histórias?

Definitivamente. A coisa interessante que descobri sobre contar histórias – com certeza não sou a primeira pessoa a dizer isso, acho que Toni Morrison ou algum outro escritor já o disse – é que, quanto mais específico você é, mais universal é.

O que é estranho, porque minha vida obviamente foi muito diferente da maioria das pessoas. Há muitas coisas que senti ou percebi sobre mim mesma que são universais, então queria tanto a ideia de que “isso com certeza não é normal” como “isso é algo por que todo mundo passa, mas não fala”.

No livro, você menciona uma hesitação inicial em se chamar de feminista, um termo que desde então você assumiu. Houve algum momento decisivo para essa mudança?

Acho que foi uma coisa que foi crescendo ao longo dos anos. Dez anos atrás, não havia muita gente que se chamava de feminista. Não era tão cool como hoje. Parecia meio exagero. É claro que hoje em dia todo mundo diz que é feminista, o que acho incrível. Certamente aceito essa definição.

Olhando para o passado, acho que Matilda foi provavelmente a primeira personagem feminista que vi na tela.

Ah, com certeza. Para mim também, e acho que é por isso que minha mãe amava tanto essa personagem. Acho que o fato de que Matilda é uma personagem tão cult mostra que sentimos falta desse tipo de personagens feministas.

em cena
Wilson descreveu Rhea Perlman (à direita) como “amorosa e acolhedora”, depois de interpretar sua filha em Matilda.

Você acha que Hollywood evoluiu quando se trata de destacar personagens complexos e feministas?

Acho que estão tentando. É estranho, considerando quantas mulheres existem em Hollywood, que eles ainda não saibam criar um personagem feminino forte.

E muitas vezes [Hollywood] não parece entender que você pode criar uma mulher forte que ainda assim tem falhas. Você pode criar uma mulher fore que às vezes sente medo. Ela meio que tem de ser perfeita ou…

Ou ser completamente desajustada.

Isso. Parece que muitos roteiristas não se dedicam o suficiente para considerar o que seria realmente a vida de uma mulher. Acho que estamos progredindo, mas também há uma certa reação. É bom que a interseccionalidade receba mais atenção, mas acho que você tem de combater essa reação, o que não é fácil.

Meio que vi que existe uma variedade, que há muitas maneiras de ser mulher.

No livro, você fala de um complexo de Matilda-prostituta.

[Ri] É, isso existe.

E você fala de entrar em contato com sua sexualidade. Isso é difícil para as mulheres pois, quando elas aceitam sua sexualidade, são chamadas de vadias. Quando não o fazem, são chamadas de pudicas. Sinto que você passou por isso de maneira diferente por causa dos papeis que interpretou. Como você aprendeu a aceitar sua sexualidade em seus próprios termos?

Demorou um pouco. É algo sobre o que não vou falar em público. Acho que foi difícil porque as pessoas têm essa imagem minha como criança. Já tentaram flertar comigo dizendo: “Meu Deus. Era apaixonado por você quando você era criança”, e eu pensava: “Isso é estranho. Não me dá vontade de tomar um café com você”.

A maioria dos adultos tem algum tipo de vida sexual, de vida romântica. Vejo essa dificuldade em muitas meninas. As pessoas ficam se metendo na vida delas. E acho que muitas jovens se sentem compelidas a ser mais sexuais porque acham que isso é ser adulta.

Já tentaram flertar comigo dizendo: “Meu Deus. Era apaixonado por você quando você era criança”, e eu pensava: “Isso é estranho. Não me dá vontade de tomar um café com você.

Mas também conheci muita gente que expressa a sexualidade de outras maneiras. Há pessoas que não são muito sexuais. Minha melhor amiga da faculdade faz shows burlescos. Vi que há várias maneiras de ser mulher, e isso foi importante para mim. A menos que esteja machucando alguém, não tem jeito errado [de expressar a sexualidade].

Sua mãe é parte enorme do seu livro. Você diz que ela morreu quando você tinha 8 anos e que ela te manteve com os pés no chão quando você estrelou filmes. Como foi dedicar o livro a ela?

Não percebi o quanto o livro era um tributo à minha mãe até chegar a uns três quartos. Percebi tudo o que estava escrevendo sobre ela. Tentei capturar a essência dela e a uma certa altura pensei: “Espera um minuto. Esse livro é meio que para ela, não? É em homenagem à memória dela”.

Minha mãe sempre me incentivou a escrever. Ela era uma escritora maravilhosa, então foi muito natural dedicar à memória dela, porque era como ajudá-la a viver de novo.

familia
Wilson dedicou o livro à mãe (à esquerda).

Que outras mulheres você admira, tanto como escritora como quanto atriz?

Tive sorte. Trabalhei com várias mulheres incríveis. Rhea Pearlman [que fez o papel de sua mãe em Matilda] foi incrível. Pam Ferris [que fez o papel da diretora má] é uma das pessoas mais generosas que você pode conhecer. Ela é muito amável. Te mostra filme do cachorro que resgatou.

Adorei que você menciona isso no livro, porque, quando era criança, achava ela aterrorizante.

Ela é incrível. Se divertia muito com esse papel, porque na vida real ela é muito gentil e delicada. Ela é a pessoa mais calorosa que já conheci. Ela é realmente maravilhosa.

Alguém mais?

Os professores do estúdio, as babás que tive em Thomas [E a Ferrovia Mágica] e pessoas do tipo. Elas mudaram minha vida. Depois da morte da minha mãe, tinha esse coro grego de mulheres que entravam e saíam da minha vida, cuidando de mim, incluindo depois minha madrasta.

Olho para minha vida e penso em todas as maneiras que essas pessoas me transformaram. Penso em Embeth [Davidtz, a Miss Honey de Matilda] como uma irmã mais velha, e Pam Ferris sendo tão gentil, Rhea sendo tão engraçada e calorosa. Tive muita sorte.

capa do livro

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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