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9 coisas que as pessoas com doenças mentais querem que seus chefes saibam

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Há momentos ou fases em que todo o mundo acha profundamente desanimador ter que ir trabalhar. Mas, para pessoas que têm um transtorno de saúde mental, essa sensação é mais do que aquela sensação convencional de “deprê da segunda-feira”.

Quase um em cada cinco adultos americanos é afetado por doença mental em qualquer ano dado. As doenças mentais geram sintomas físicos e emocionais, e esses sintomas não desaparecem quando a pessoa chega ao escritório.

Mas ter um problema de saúde mental não torna a pessoa inepta em seu trabalho. Na realidade, o trabalho pode até ajudá-la a manter sua doença sob controle. Mesmo assim, ainda existe um estigma, a ideia de que doenças mentais representam uma falha de algum tipo, e ainda existe a ideia equivocada (ou o medo) de que essa falha possa se fazer presente no local de trabalho.

Veja abaixo algumas coisas que pessoas com problemas de saúde mental gostariam que seus empregadores entendessem. Veja como é realmente trabalhar quando você tem um problema de saúde mental:

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1. O simples fato de vir ao escritório já é uma proeza.

Os problemas de saúde mental podem acabar completamente com a motivação da pessoa. E essas condições também geram letargia ou distúrbios do sono, que podem atrapalhar a energia da pessoa. Muitas vezes sair da cama já é difícil. Chegar até o trabalho, então, é um esforço monumental.

2. A produtividade pode ser afetada se as pessoas não recebem apoio.

Essa falta de motivação pode incluir também a capacidade da pessoa de concluir tarefas, uma vez que chegou ao escritório. Problemas de saúde mental como depressão custam 200 milhões de dias de trabalho perdidos por ano nos Estados Unidos, com prejuízos de US$ 17 bilhões a US$ 44 bilhões em produtividade perdida.

É por isso que incentivo, compreensão e apoio são cruciais. Essas coisas beneficiam não apenas o funcionário, mas também a empresa.

3. As pessoas têm medo de ser prejudicadas se revelarem sua doença.

É claro que revelar qualquer problema de saúde ou não é algo que cabe ao indivíduo decidir. Mas há muita hesitação quando se trata de saúde mental. Devido ao estigma ligado aos problemas de saúde mental, as pessoas muitas vezes guardam silêncio sobre sua condição, temendo ser punidas profissionalmente.

4. Deveria haver recursos de saúde mental no trabalho.

De acordo com os Centros de Controle de Doenças (CDC), programas de assistência a profissionais são eficazes para ajudar funcionários a administrar seu bem-estar psicológico no trabalho. Mas isso é apenas o começo: especialistas concordam que é preciso fazer mais, como por exemplo seminários e treinamentos de diretores voltados à saúde mental, para promover a boa saúde mental e criar um ambiente de mais aceitação no trabalho.

5. Às vezes a terapia não cabe nos horários de trabalho.

Terapia é uma das maneiras mais eficazes de administrar uma desordem de saúde mental, e é crucial que as pessoas sigam o plano de tratamento recomendado por um profissional médico. Infelizmente, isso às vezes significa que as consultas de terapia podem coincidir com o horário de trabalho ou precisem acontecer no horário do almoço. Mais uma vez, um ambiente de trabalho mais flexível e leniente pode ser crucial.

6. As faltas ao trabalho por motivo de saúde assumem novo significado.

Uma gripe não é a única coisa que pode levar a pessoa a faltar ao trabalho por motivo de saúde. Pessoas com problemas de saúde mental às vezes sofrem sintomas físicos debilitantes (pense em ataques de pânico, dores de cabeça e de estômago).

Somem-se a isso os sintomas emocionais e não surpreende que um profissional com uma dificuldade de saúde mental possa precisar de um dia de folga.

7. Os termos de saúde mental não são brincadeira.

O modo como falamos coletivamente de saúde mental tem importância. Usar expressões de saúde mental como frases coloquiais casuais pode estigmatizar as pessoas: o estresse no trabalho não quer dizer necessariamente que a pessoa esteja “tendo um ataque de pânico”. Se uma pessoa se entristece ou aflige com um acontecimento trágico isso não é indício de “depressão”.

8. A doença mental é tão importante quanto a doença física.

As empresas e os gerentes não demitem, castigam nem mesmo julgam silenciosamente um funcionário por ele ter recebido diagnóstico de câncer ou estar fazendo tratamento. Especialistas argumentam que mais empresas precisam considerar que o corpo inclui o cérebro, quando o assunto é priorizar a saúde de seus funcionários.

Ou seja: a mesma sensibilidade e o mesmo apoio dado a profissionais com doenças físicas devem ser voltados aos que sofrem de doença mental.

9. Seu apoio faz toda a diferença.

Reconhecer e validar a condição ou o bem-estar emocional de um funcionário pode fazer maravilhas por ele, disse Matthew Shaw, ex-jornalista e membro visitante do Centro de Depressão da Universidade do Michigan.
“Parece óbvio, mas é altamente benéfico quando figuras seniores na empresa investem na saúde mental dos profissionais”, disse Shaw anteriormente ao HuffPost.

Quando esses problemas ganham alta visibilidade, virando temas de e-mails e conversas de gerentes, o efeito é transformador.”

Oferecer sua compreensão e seu apoio a um funcionário que enfrenta um problema de saúde mental? Isso faz de você um candidato a “Chefe do Ano”.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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