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Você precisa conhecer estas 21 mulheres que estão transformando o Brasil

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Todos os anos, milhares de mulheres estão inovando e criando soluções reais para problemas reais em todo o País. Porém, apesar das grandes iniciativas, são poucos os espaços de representatividade que dão voz aos projetos inspiradores.

É por isso que o Prêmio Claudia existe desde 1996, com o objetivo dar visibilidade as mulheres incríveis e empenhadas em construir um Brasil melhor. Todas as participantes são inspiradoras e trabalham em causas em que o empoderamento feminino esta sempre presente.

A votação que vai escolher a vencedora de cada categoria acontece até a sexta-feira (30). Conheça um pouco da história dessas 21 mulheres incríveis e clique aqui para votar:

1. Juthay Nogueira

juthay

Juthay foi criada por sua avó em uma casa dividida com mais de 12 pessoas em Belo Horizonte. Durante a infância, era violentada pelos tios e a situação se tornou tão desesperadora que ela resolveu fugir de casa. Com apenas 9 anos, a rua virou seu lar e a bebida e as esmolas suas companhias. Aos 14, ela começou a trabalhar como empregada doméstica e quatro anos mais tarde estava casada. Quando seu primeiro filho nasceu, Juthay e seu marido passaram por dificuldades econômicas e se mudaram para Morro das Pedras, uma comunidade tomada pelo tráfico na região central da capital mineira.

A casa própria parcelada em 24 prestações era utilizada como lixão da vizinhança e a primeira medida dos novos moradores foi remover os mais de 1.800 sacos de lixo que estavam amontoados no local. Por mais que o contexto indicasse o contrário, foi lá que Juthay, hoje com 43 anos, ressignificou sua vida. A pobreza da região sensibilizou a mulher que hoje é consultora da Natura e ativista social.

Por ter grande influência do tráfico de drogas, muitas crianças da comunidade eram abandonadas pelas mães viciadas no crack. Juthay sentiu na pele o abandono e sabia desde o inicio que precisava fazer algo para transformar o lugar. Com as sobras doadas por um amigo que trabalhava em um hortifrúti, Juthay começou a cozinhar para os seus vizinhos: “Comecei a fazer sopa para a vizinhança uma vez por semana, mas estava insatisfeita, pois, como já vivi esse drama, sabia que oferecer comida esporadicamente não era a solução”, contou em entrevista à Claudia.

Então ela foi em busca de mais apoio para ajudar aquelas mulheres e seus filhos. Ela conseguiu doações de pães e outros alimentos e passou a oferecer jantar todos os dias em sua garagem para quem precisasse. O local também se transformou em uma pequena biblioteca com rodas de contação de histórias e uma espécie de espaço de convívio distante da violência que reina nas ruas da comunidade. E assim nascia o projeto Romper.

Hoje, as ações do projeto se multiplicaram: acontecem treinos de corrida, rodas de conversa sobre sexualidade com apoio de psicólogos, organização de passeios por parques da cidade e a arrecadação de enxovais para as mulheres grávidas da comunidade. Ao todo, são 74 crianças e adolescentes (o mais novo com pouco mais de 1 ano e o mais velho com 19 anos) que participam do projeto promovido pela mineira e, 22 deles, conseguiram bolsas de estudos a partir da iniciativa de Juthay.

2. Nilcimar Maria Silvestre dos Santos

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Nilcimar Maria Silvestre dos Santos, a Nil, tem 45 anos e faz parte da dolorosa, porém enorme, estatísticas de mulheres que já sofreram violência de seu parceiro. Nil foi vítima de violência doméstica física e verbal durante o seu relacionamento com o ex-marido a ponto de ter que fugir de casa.

Mas engana-se quem pensa que o divórcio foi a sua libertação. Com a separação, a mulher enfrentou uma longa fase de depressão devido ao silenciamento e a culpabilização que passou a conviver após o relacionamento abusivo. Foi em 2011 que a situação começou a mudar quando Nil encontrou o apoio de uma ONG especializada em violência contra a mulher. “Percebi que, quando uma mulher contava o que tinha sofrido, outras também tomavam coragem para se abrir", compartilhou em entrevista à Claudia.

Nilcimar, então, começou a dividir tudo o que havia passado e percebeu que ali poderia reconstruir sua força e autoconfiança. O espaço lhe fez tão bem que virou causa própria. Com a ajuda de amigas, ela fundou a Associação Mulheres de Atitude para o Compromisso Social (Amac). O projeto é formado por 40 mulheres empoderadas que estimulam o empreendedorismo e organizam rodas de conversa e eventos sobre o feminismo, além de oferecer apoio as vítimas de violência doméstica em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

3. Rozimere Santos Oliveira Souto

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Guimarães Rosa já escreveu: "Sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar." E Rozimere Santos sabe muito bem disso.

A agricultora de 34 anos mora em Pedra Lavrada, no Sertão da Paraíba, e sofre diariamente com a seca da região. A situação é tão crítica que para sobreviver, a população depende da água distribuída pelo Exército em caminhões-pipa e das espécies que resistem à falta de umidade, como a fruta umbu.

Mas a comercialização dos produtos é insuficiente para manter a comunidade que ainda tem de lidar com a exploração dos agricultores locais pelos mediadores da venda. Para mudar a situação, a comunidade precisou se auto-organizar e assumir não só o plantio mas também o processamento e a distribuição dos alimentos. E quem liderou tudo isso? As mulheres. Foi assim que surgiu a Associação Centro de Cidadania das Mulheres, da qual fazem parte 45 sócias, inclusive Rozimere: “Sentíamos a necessidade de ser protagonistas; por isso formamos nosso grupo”.

Ela é mãe de uma menina de 5 anos e concilia suas atividades na Associação com a faculdade de pedagogia - precisa percorrer 18 quilômetros de estrada de terra com sua moto para terminar os estudos. A cada inicio de ano, as 45 sócias se reúnem para fazer o planejamento econômico da comunidade. Com base na previsão do tempo e na oferta do armazenamento da água, são elas que decidem o que e quando será produzido.

Para além da agricultura, a associação incentiva o artesanato como outra alternativa de fonte de renda. Rozimere também faz parte do grupo Filhas da Terra, que mantém uma horta e faz sucos, polpas e doces com frutas de outros produtores que são revendidos no comércio da própria na cidade.

Políticas Públicas

4. Heloísa Helena de Oliveira

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Na ponte aérea entre São Paulo e Brasília, a administradora executiva da Fundação Abrinq, é um dos nomes mais importantes na defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Apesar de estar em vigor há 26 anos, constantemente o termo é desafiado e sofre com propostas de lei que põem em risco a garantia legal de que os direitos básicos dos brasileiros com menos de 18 anos, como acesso a saúde e educação, sejam cumpridos.

Heloísa trabalha fortemente para que isso não aconteça. A exposição de seus argumentos foi fundamental para barrar as tramitações dos políticos sobre a redução da maioridade penal, por exemplo. Foi ela quem criou o portal maioridadepenal.org.br, com informações sobre o tema, como o calendário de discussões e eventos; um canal para mandar mensagens diretas aos senadores; e uma lista de sugestões sobre como se mobilizar. Ainda, ela é a idealizadora do portal Observatório da Criança que agrega índices oficiais sobre infância.

5. Maria Clara de Sena

maria

Negra, de família pobre do nordeste, Maria Clara de Sena é a primeira mulher transgênero a concorrer o Prêmio Claudia em 21 anos.

Durante a infância, ela não entendia muito bem o que a incomodava. Seu pai constantemente usou de muita violência sob o argumento que estava "corrigindo" seus trejeitos. Foi apenas aos 19 anos quando encontrou pela primeira vez com uma travesti que Maria Clara compreendeu sua situação: nasceu menino, mas sentia-se mulher.

Em processo de autoconhecimento, ela recebeu uma oferta de emprego e mudou-se de Recife, onde mora e atua em apoio a comunidade LGBT, para João Pessoa. Porém, a situação fez com que Maria Clara acabasse se prostituindo. A sua vida, então, assumiu um roteiro compartilhado por muitas outras transexuais: ela usou hormônios femininos sem o acompanhamento medico, fez cirurgias em clinicas clandestinas e começou a usar drogas.

De volta a cidade natal, Maria Clara recebeu o apoio da ONG e se aproximou do tema dos direitos humanos. Estudou o assunto e detectou um problema comum à população atendida: quase todos acabavam na cadeia. Com apoio de amigos, ela idealizou o projeto Fortalecer para Superar Preconceitos e passou a atuar dentro dos presídios junto as travestis. Seu trabalho resultou em uma conquista enorme: agora, as transexuais permanecem em uma ala específica de detenção longe dos homens que abusavam sexualmente delas.

Mesmo sem ter diploma (ela está cursando a faculdade de serviço social), tornou-se a única transexual com cargo no Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura, órgão do estado pernambucano cuja criação segue uma recomendação das Nações Unida. Há 2 anos ela verifica as condições de locais onde os maus-tratos são comuns, como presídios, asilos, delegacias e clínicas de reabilitação para dependentes químicos. Porém, seu trabalho não a deixa imune. Durante uma das visita, Maria Clara foi coagida e chegou a ser ameaçada de morte por um policial. Hoje, ela também está no programa de proteção a testemunhas.

6. Paula Johns

paula

Se hoje o Brasil é um exemplo mundial no controle do tabagismo é devido a luta de pessoas como Paula Johns.

Ex-tabagista, a socióloga fundou a Aliança de Controle do Tabagismo + Saúde (ACT+) e em 2003, quando o Brasil assinou o Tratado Internacional para Controle do Tabaco, ela se envolveu com a causa: “Ficou claro que seria necessária muita mobilização com a sociedade civil para que o Brasil pudesse cumprir as medidas previstas no acordo”, contou Paula em entrevista à Claudia.

Mas antes da assinatura do documento, o País enfrentou uma forte movimentação da indústria para barrá-lo. Apesar de ter vivido na pele os malefícios do cigarro, Paula sabe que o poder de uma indústria deste porte é enorme. Para exemplificar isso ela esteve no Rio Grande do Sul onde grupos de agricultores protestavam contra a medida internacional sob o argumento de que perderiam sua fonte de renda.

“Conheci outra dura realidade, a de quem vive no campo, à mercê das imposições da indústria e muito vulnerável a todos os problemas de saúde que a produção do tabaco envolve. Percebi que o problema era muito maior do que só a saúde do fumante e de quem está à sua volta, o que já seria motivo suficiente para nossa atuação.”

Três anos depois ela apresentou ao governo de São Paulo a ideia de implementar uma lei mais rigorosa contra o fumo em ambientes públicos. Sua proposta foi aceita e a nova regra passou a valer na capital em 2009 - ano marcante também para ela, que conseguiu parar de fumar definitivamente.

Depois de São Paulo, a restrição foi adotada em âmbito nacional e a ACT+ passou a expandir sua atuação. Além de batalhar por medidas que diminuam a publicidade do cigarro, agora também a instituição se esforça no combate de doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade e o sedentarismo.

Trabalho Social

7. Marineide Silva

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Marineide dos Santos Silva, a Neide, tinha apenas 6 anos quando foi entregue para ser criada por uma família desconhecida. Sua mãe, que enfrentava o divórcio e dificuldades financeiras, não podia assumi-la. “Vim para São Paulo viver com uma família que me colocou na escola, mas me fazia trabalhar como doméstica o dia todo”, contou em entrevista a Claudia.

No caminho entre Porto Seguro, cidade onde vivia, e a capital paulista, ela sofreu o primeiro de uma série de abusos que marcaram sua vida. Nos dez anos seguintes, Neide foi morar com outras duas famílias que também a exploraram. Apesar das dificuldades, ela sonhava em ser atleta e disputar uma Olimpíada.

Porém, quando completou 16 anos, sua mãe biológica reapareceu e Neide precisou ajudá-la com seus outros irmãos.“Naquele momento, vi meu sonho ser destruído. Como eu poderia treinar se teria que trabalhar e ainda ajudar em casa?”.

O sonho de Neide permaneceu adormecido durante grande parte de sua vida. Ela casou cedo e perdeu o seu primeiro marido que foi assassinado. Depois, casou-se novamente e o companheiro, que era jogador amador de futebol, a incentivava a correr com ele. Na atividade despretensiosa, Neide viu o despertar de uma prática que mudou não só a sua vida, mas a de sua comunidade.

As outras mulheres viam a prática de Neide e pediam para acompanhá-la e assim formaram um grupo de corrida. Seu filho, Marcos, sugeriu que a mãe expandisse a atividade: “Mãe, por que a senhora não treina também os meninos daqui? Quando não estão na escola, eles não têm o que fazer e acabam no crime”. Mas Neide rejeitou a ideia, afinal, era costureira, dona de casa e já treinava as mulheres.

Mas, aos 19 anos o rapaz morreu vitima de um assalto na vizinhança. Para superar a depressão consequencia da morte do filho, a baiana decidiu seguir os conselhos do primogênito e passou a dar aulas de corrida no Capão Redondo, bairro onde vive e considerado um dos mais perigosos do país. Dezessete anos depois, o projeto ganhou nome e apoiadores: hoje, a Vida Corrida é patrocinada por uma marca esportiva e tem cinco professores de educação física que, diariamente, treinam quase 500 pessoas no Parque Santo Dias. Neide nunca disputou uma olimpíada - ainda-, mas, neste ano, fez parte da equipe que carregou a tocha pelo país.

8. Brigitte Louchez

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Brigitte Louchez é francesa radicada no Brasil e sofreu um AVC há três anos. Desde então, ela tem de lidar com a falha de memória recente. Porém, o acidente não impediu que ela deixasse de trabalhar, muito menos que ela esquecesse o que mais chamou a sua atenção desde sua chegada no país: a imensa desigualdade social.

"Fiquei chocada ao ver que aqui havia recursos de primeiro mundo e, ao mesmo tempo, pessoas viviam na mais absoluta miséria. Não consegui me conformar com o fato de que crianças deixavam o seio da família para viver na rua”, disse em entrevista à Claudia ao relembrar a primeira vez que visitou Fortaleza, onde vive atualmente.

Na época, a cidade sofria com uma epidemia de cólera e a farmacêutica foi contratada para fazer um mapeamento das condições sanitárias da região. Acabou esbarrando com um grupo de jovens que moravam na rua e havia se juntado para ocupar uma tenda abandonada de circo com a ajuda de educadores. Nascia ali a Barraca da Amizade.

"Eles tinham ideias geniais, mas, quando iam colocar em prática, era uma bagunça! Faltavam planejamento e método”, disse Brigitte. Um tempo depois, o grupo deixou a tenda e ocupou uma casa que foi construída por eles em um terreno doado. Vendo o esforço e o potencial dos jovens, ela decidiu criar um estatuto e dar início aos documentos que transformaram a Barraca oficialmente em ONG.

Com a oficialização, surgiram outros projetos que visam combater a exploração sexual de crianças e jovens no Ceará. As atividades vão desde a saída nas ruas para abordar a população sobre o tema, até o aulas de artes, capoeira e circo.

9. Mônica Azzariti

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Não são poucas as críticas feitas aos policiais no Brasil, basta ver os dados sobre violência policial para perceber que a instituição que ao mesmo tempo que protege alguns é também o pesadelo de outros. Mas apesar da imagem e do estereótipo da polícia, há quem acredite nos homens por trás da farda e Mônica Azzariti faz parte desse grupo.

Em 2004 ela entrou em contato com esse universo quando trabalhava com perícia no Ministério Público. Para fazer a identificação de vozes gravadas em escutas telefônicas, ela precisava ir aos presídios e conversar cara a cara com os criminosos. Já no dia a dia do trabalho, não eram poucas as queixas feitas por policiais que ela ouvia.

A experiência impactou tanto Mônica que dez anos depois ela se tornou instrutora voluntária de técnicas de comunicação que visam reduzir os riscos para que as ocorrências policiais não terminem em ainda mais violência.

Em 2014, ela ministrou a primeira instrução voluntária de Análise de Comportamento Comunicativo para o Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Rio de Janeiro. Nas aulas, ela ensinava como identificar gestos e expressões faciais que antecipavam atitudes violentas.

O resultado foi tão positivo que o coronel responsável pela coordenação da Polícia Pacificadora encomendou um treinamento específico para os profissionais que trabalham nas favelas. Foi ai que Mônica viu ainda mais sentido para o conceito de Comunicação Não Violenta, técnica que se baseia na promoção da empatia e foi desenvolvida pelo americano Marshall Rosenberg para mediar todo tipo de conflito.

Depois de adaptá-la para a realidade carioca, a fonoaudióloga montou uma aula em que ensina, por exemplo, como pedir, no lugar de exigir, que o cidadão saia do carro. Ela também mostra as vantagens de informar à população o objetivo da ação antes de simplesmente agir. Podem parecer detalhes superficiais, mas a ação é capaz de transformar a relação dos policiais na comunidade. Em um ano, 3 mil policiais de UPPs já foram treinados e atualmente ela está preparando instruções específicas para o curso de Negociação de Reféns, do Bope.

Ciências

10. Adriana Melo

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Adriana Melo é responsável pelas pesquisas que provaram pela primeira vez a relação entre a zika em gestantes e a microcefalia em bebês. Seus esforços também resultaram em uma alteração de um protocolo do Ministério da Saúde, que, antes, só exigia a notificação do problema depois do parto.

Porém, para a especialista em medicina fetal, o Brasil está longe do mínimo que deveria ser feito: “Há algo muito grave ocorrendo aqui. Precisamos de recursos e de apoio. Tenho investido dinheiro do próprio bolso para continuar com as pesquisas, mas os equipamentos dos quais disponho não são suficientes para o grau de detalhamento que o problema exige", argumentou em entrevista a Claudia.

Em fevereiro de 2015, a comunidade científica internacional reconheceu o vínculo entre o zika e as malformações. Agora ela batalha por investimentos em pesquisas que ajudem a descobrir por que o vírus causa microcefalia. Está em seus planos também montar um centro de referência no atendimento especializado na zika congênita. Ela já conseguiu a doação de um terreno municipal e quase 20 mil reais da iniciativa privada. Não é o suficiente, mas Adriana não vai desistir.

11. Eliana Abdelhay

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Eliana Abdelhay é formada em física, mas sempre quis realizar pesquisas médicas e seu pós-doutorado foi em genética molecular.

Se para muitos a cura de uma doença como o câncer está longe de ser alcançada, Eliana é daquelas que acredita que mais vale um diagnostico precoce e um tratamento personalizado do que uma pílula mágica que prometa a cura.

Mas a sua opinião não se restringe a recortes teóricos de suas pesquisas. Hoje, ela é responsável por um serviço público no Rio de Janeiro que garante este tipo de tratamento individualizado a 20 mil pacientes todos os anos.

A Divisão de Laboratórios do Centro de Transplantes do Instituto Nacional do Câncer conta com seis laboratórios que concentram em um só lugar a realização de todas as etapas dos testes. Para Eliana, isso faz toda a diferença.

"Como tudo funciona junto, diminuímos o intervalo entre um exame e outro. Muitas vezes, é o tempo que faz a diferença para salvar o paciente", argumenta.

A física faz parte de uma pesquisa conduzida pelo National Cancer Institute, nos Estados Unidos, e desde 2010, tem aprofundado seu interesse pelo estudo do câncer de mama. A carioca realizou testes que podem vir a se tornar um método de diagnóstico da doença muito menos invasivo feito com amostras de sangue. Porém, ainda falta a comprovação de sua eficácia em substituir ou anteceder a mamografia. “Minha esperança é que, em até três anos, ele se torne um exame de rotina para todas as mulheres do Brasil”, afirmou.

12. Thelma Krug

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A matemática Thelma Krug coordena há 30 anos equipes de pesquisa em aquecimento global em constante sintonia com o acordo previsto pela Organização das Nações Unidas para estabilizar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

O objetivo da ONU é limitar o aumento da temperatura média global a 2 graus Celsius e uma das medidas mais cruciais para se atingir a meta é frear o desmatamento.

E é nesse sentindo que Thelma direciona os seus esforços como vice-presidente do Painel Intergovernamental para Mudanças do Clima (IPCC, na sigla em inglês), órgão internacional ligado à ONU que reúne dados regionais e emite os relatórios que determinam as práticas globais relacionadas ao tema.

Além disso, ela também é diretora de Políticas para o Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente.

Negócios

13. Cristina Junqueira

cristina

A engenheira comanda hoje um dos negócios inovadores que é visto como ameaça competitiva por uma das instituições mais antigas da sociedade: os bancos.

Cristina Junqueira fundou o Nubank, startup de cartões de crédito que pode ser administrado pelo cliente sem a mediação do banco nem cobrança de anuidade, já que todas as transações são feitas por um aplicativo no celular.

Formada na faculdade de Engenharia de Produção, na Universidade de São Paulo (USP), Cristina deixou o país aos 24 anos e foi fazer MBA nos Estados Unidos. Durante a temporada fora, foi entrevistada pessoalmente pelo banqueiro Pedro Moreira Salles que estava em busca de novos talentos para assumir áreas críticas do Unibanco, que ele presidia.

Cristina foi contratada e escolheu trabalhar na unidade que passava por maiores dificuldades: “Optei por aquela que só dava prejuízo. Só que eu não entendia nada do assunto e tinha de chefiar uma equipe de 20 pessoas, todas mais velhas que eu”, disse. Em apenas um ano, conseguiu reverter a tendência de déficit da área. Mas apesar da eficiência, ela pediu demissão, pois havia apresentado um projeto que foi recusado pelos chefes e em seu lugar o banco pretendia criar um serviço para cobrar mais uma taxa do cliente.

Nascia ali o germe do Nubank, cujo objetivo é "oferecer uma experiência transparente aos clientes", afirmou Cristina. Em um sistema em que a relação entre banco e cliente se mostra cada vez mais desigual, uma opção com tal proposta encontrou seu lugar. Basta ver o s números: em apenas um ano e meio de operações, mais de 2,5 milhões de brasileiros fizeram o pedido do cartão e 400 mil estão na lista de espera. O negócio também já recebeu mais de 100 milhões de dólares de investidores estrangeiros.

14. Mariana Alves Madureira

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A turismóloga é responsável pelo Raízes, projeto inicialmente pensado para propostas de zoneamento ecológico econômico em Minas Gerais. Ela era responsável por mapear regiões e determinar onde deveria ser destino espaço para a floresta preservada, a plantação e as edificações.

“Realizamos projetos muito interessantes, mas nutríamos o desejo de fazer algo nosso, que melhorasse a vida dos outros e, ao mesmo tempo, revertesse em lucro para nós. Não pretendíamos ser uma ONG”, explicou a mineira.

Foi então que em 2009, três anos depois de iniciar o projeto, que ela decidiu colocar o sonho em prática sob o formato de um negócio social. No Vale do Jequitinhonha, a equipe do Raízes ajudou a comunidade local a montar uma cooperativa de artesanato e criou um roteiro turístico. Desde então, Mariana tem desenvolvido projetos semelhantes em diversas regiões do país.

15. Carla Renata Sarni

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A dentista é dona da Sorridents, rede de consultórios odontológicos para a classe média. O desejo de universalizar e democratizar o acesso a saúde bucal surgiu quando ainda estava na faculdade, quando atendia famílias com poucos recursos na própria infraestrutura da universidade.

“Ficava encantada com a dinâmica daquelas famílias, que, apesar de pobres, estavam sempre unidas e eram muito gratas pelo pouco que fazíamos por elas”, conta. “Acumulava experiência, que era importante para a carreira, e fazia o bem.”

Já no mercado de trabalho, Carla se surpreendeu com a precariedade das clínicas que cobravam valores menores por consulta. Foi então que resolveu investir em um consultório na periferia paulistana com equipamentos de qualidade e atendimento humanizado: "No final do dia, ligava para a lista dos pacientes para saber como eles estavam se sentindo."

Em 2006 a Sorridents se tornou uma franqueadora. Os valores dos procedimentos são os mesmos em qualquer uma das 203 clínicas espalhadas por 16 estados e cerca de 50% mais baratos do que em outros consultórios com estrutura e material semelhantes.

Além da rede, ela criou um plano de saúde odontológico e um cartão de crédito para pagar os tratamentos. Também montou um consultório móvel que atende populações carentes gratuitamente.

Revelação

16. Alessandra Orofino

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A carioca é a fundadora do Meu Rio, plataforma virtual que conecta cidadãos que desejam mudar a própria cidade a órgãos públicos e autoridades responsáveis por solucionar problemas locais.

Atualmente são 300 mil pessoas cadastradas que podem sugerir projetos ou participar de algum existente. O papel da ONG é monitorar a atividade dos participantes e, ao mesmo tempo, de todos os projetos de lei que tramitam na Câmara dos Vereadores carioca.

Em paralelo, eles fazem a ponte entre as petições criadas e o poder público. O grande desafio é fazer com que o projeto saia das telas virtuais para impactar e ter soluções reais. Mas na maior parte dos casos o objetivo é atingido.

17. Raquel Helen Santos Silva

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Foi durante uma discussão no ensino médio que Raquel sentiu na pele o machismo pela primeira vez, pelo que ela se lembra.

A garota estava escolhendo a faculdade que iria cursar e seus colegas acreditavam que havia profissões tipicamente femininas e masculinas.

Desde então, o combate a violência contra as mulheres e a desigualdade de gênero são pautas norteadoras dos projetos que ela se envolve.

Com apenas 25 anos, Raquel tem experiência e vivências singulares: fez parte do Programa Jovens Embaixadores; participou do Fórum Econômico Mundial; é uma das líderes do coletivo virtual React and Change e abriu o discurso de Michelle Obama quando a primeira-dama americana esteve em Brasília.

18. Samantha Karpe e Letícia Camargo Padilha

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Samantha e Leticia são estudantes de engenharia e as responsáveis por desenvolver o Poliway, um material mais duradouro, resistente, barato e sustentável do que o asfalto para cobrir as ruas e avenidas.

O projeto é resultado da união de duas questões sociais importantes para as meninas: a busca por um trânsito mais seguro e o uso de materiais recicláveis.

O esforço em encontrar uma combinação viável de elementos deu resultado. Elas já foram à Turquia apresentar o Poliway e participaram do Braskem Labs, um programa de mentoria oferecido pela parceria entre a indústria química Braskem e a organização de apoio ao empreendedorismo Endeavour.

Atualmente, elas esperam a formalização da patente do produto para aceitar as propostas de investimento.

Cultura

19. Anna Muylaert

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A cineasta não tem vergonha de esconder que o personagem Fabinho, do seu longa Que Horas Ela Volta?, foi inspirado na sua própria vida.

O jovem segue o estereótipo do garoto mimado de classe média que é praticamente criado pela babá e o longa discute, entre muitas possibilidades de interpretação, a relação entre patrão e empregado na sociedade brasileira.

Sucesso de crítica e de público, o filme de Muylaert provoca discussões e reflexões no Brasil inteiro. A carreira da diretora é marcada também por outros sucessos, como a criação dos programas infantis Mundo da Lua e Castelo Rá Tim Bum, da TV Cultura.

Também produziu o curta A Origem dos Bebês Segundo Kiki Cavalcanti, dirigiu o longa Durval Discos e É Proibido Fumar. Este ano estreou Mãe Só Há Uma, filme baseado na história real de Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, garoto criado por Vilma Martins Costa, a mulher que o roubou na maternidade.

20. Mari Corrêa

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A cineasta resolveu fazer algo que por mais óbvio que possa ser é também revolucionário: dar as câmeras nas mãos dos índios para que eles mesmos possam se retratar, sem precisar do recorte e do olhar do homem branco.

Mari Corrêa promove oficinas em diversas aldeias do Parque Nacional Indígena do Xingu, em que habilita as comunidades locais a fazer os próprios filmes e já são mais de 30 títulos produzidos pelos cineastas formados por ela.

Durante as oficinas, ela começou a perceber que a grande maioria dos interessados era os índios. Com a criação do Instituto Catitu, que ela é responsável, Mari viu também a oportunidade de criar espaços de empoderamento das mulheres nas aldeias.

"Criamos, então, o projeto Rodas de Conversa das Mulheres Xinguanas em que discutimos a desigualdade de gênero nessas comunidades”, conta em entrevista a Claudia.

21. Panmela Castro

panmela

Panmela fez da sua vida uma transformação da dor em arte - e das mais belas.

Criada sob violência intrafamiliar, as consequências disso acompanharam a grafiteira em suas outras relações. Aos 21 anos ela se viu casada e em um relacionamento abusivo em que seu marido engessava sua perna para impedir que ela saísse de casa.

“Além do cárcere privado, ameaçava queimar meu corpo e me punha no chuveiro gelado", contou em entrevista a Claudia. A situação insustentável fez com que Panmela fosse à delegacia em busca de ajuda.

Na época, a Lei Maria da Penha não existia e o ex-marido não foi intimado. Em 2006, quando a lei foi sancionada, Panmela já tinha se reinventado. Foi no grafite que ela encontrou a ferramenta para dar voz as suas dores e fez dela uma defensora do feminismo: “Desconstruía a opressão, discutia gênero, punha o corpo na rua”.

Depois, passou a usar os muros como os maiores panfletos da Lei que prevê como crime a violência doméstica e se tornou uma de suas principais porta-vozes.

A arte dos muros ocupou outras telas e também virou performance - numa delas, Panmela teve seu cabelo bem longo raspado pelo público em metáfora à libertação de suas amarras.

Ainda, criou a Rede Nami, que oferece oficinas para prevenir a violência entre jovens e encorajar mulheres a combater seus traumas. Além do Brasil, sua arte está presente em em Miami, em Nova York e em breve em Berlim.

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