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Estas 5 candidatas a vereadoras de São Paulo querem mudar a forma de fazer política

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CANDIDATAS VEREADORAS
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Você sabe quantas mulheres compõem a bancada de vereadores de São Paulo? Dos 55 parlamentares, apenas 5 são do sexo feminino.

Para ser mais didático, se a Câmara Municipal fosse um personagem, muito possivelmente ela seria um homem, branco, heterossexual, de classe média alta e com idade entre 50 e 60 anos.

Mas qual a relevância disso? A representatividade.

Em um momento em que a política parece cada vez mais distante, seja pela polarização dos discursos ou pela descrença na classe, as eleições municipais têm uma grande missão: reaproximar o poder de decisão sobre a cidade de seus moradores. Colocar em pauta a política local e qual o papel de cada cidadão nela.

Para isso, estas cinco candidatas mulheres a vereadoras de São Paulo têm como proposta mudar a forma de fazer política. Conheça um pouco do que elas pensam:

Maria Rita Casagrande (PSOL)

maria rita

Por que você decidiu ingressar na política?

"Há alguns meses uma mulher negra foi queimada viva. Pouco depois uma criança de 10 anos foi baleada na cabeça, pintada como bandido - como seria diferente uma vez que era preta? Uma menina foi estuprada por 33 homens, foi exposta, teve sua palavra desacreditada. Agressões transfóbicas são justificadas por pessoas que dizem se levantar 'por todas' enquanto negam a humanidade a um grupo de mulheres. A gente vive de agressão em agressão cotidianamente. Em cidades que não acolhem sua população e nem desenvolve políticas públicas inclusivas.

Diante desse cenário, que ainda é tão naturalizado, e diante de tudo aquilo com o que não concordo, diante daquilo que existe como alternativa e farta de viver de resto e da decisão que outras pessoas tomam por nós, cansada de ser representada por quem em nada representa decidi entrar nessa jornada como candidata a vereadora.

Sou autônoma, ciente das dificuldades, mas disposta a brigar por aquilo que acredito e honrando os 11 anos de trabalho junto ao núcleo PSOL 50 - Pirituba e Região que tem em sua carta de princípios aquilo que sou e acredito. Sempre estive na luta, estou pronta e motivada para iniciar mais esta etapa na minha vida na construção de uma vereança participativa."

Qual a sua principal proposta para São Paulo?

"Acredito que minha primeira atitude se eleita é olhar a questão das mulheres, do negro e da LGBT. Continuar o trabalho que já faço de valorização e escuta para proporcionar políticas públicas que possam de fato beneficiar esses grupos sociais dos quais eu também faço parte. A partir de um novo olhar, a aprovação e desenvolvimentos de projetos que contemplem quem assim como eu não se sente representado politicamente hoje."

Marina Helou (Rede Sustentabilidade)

marina helou

Por que você decidiu entrar na política?

"Eu sempre vi muito propósito na discussão do coletivo. Sempre tive esta vocação e busca para o justo e pela construção conjunta. Desde a escola, fundei e fui presidente do grêmio e escolhi fazer administração pública na FGV (Fundação Getúlio Vargas) por entender que a área pública é uma mecanismo fundamental de transformação da sociedade. Conheci o conceito de sustentabilidade na GV e vi o tema como o desafio da nossa geração: construir um novo modelo de desenvolvimento, conectado com as necessidades do nosso tempo. Um modelo sustentável. Quis ter uma experiência corporativa e trabalhei em uma startup de coleta de resíduos sólidos. Foi uma experiência importante de empreendedorismo. Depois entrei no programa de trainee da Natura e na minha busca por propósito fui trabalhar com inclusão de pessoas com deficiência. Virei responsável pelo tema de Diversidade e Inclusão em pouco tempo.

Porém, sempre gostei da discussão política e desde 2013 entendi que a crise de representatividade que nós vivemos também se dá pelo distanciamento que a minha geração teve deste espaço tão importante na sociedade. Entrei então na RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), uma rede suprapartidária para formar novas lideranças para a política focada em uma forma genuína, de construção de futuro. Com transparência, ética e sustentabilidade. Lá conheci pessoas incríveis da política institucional e entendi a importância de se colocar neste espaço. Meu processo começou querendo trabalhar em uma campanha este ano. Uma campanha de mulher - porque temos índices piores do que o Afeganistão e a Arábia Saudita -, que fosse jovem e que falasse sobre a sustentabilidade. As pessoas ao meu redor começaram a falar: Má, por que não você? E meus amigos começaram a criar um grupo de pessoas dispostas a trabalhar na campanha, mesmo sem saber de nada, e aprender juntos. E não tinha mais resposta do que por que não. Estamos convictos que a campanha é uma oportunidade pedagógica de falar sobre política, sobre a importância de mulheres em espaços de poder e de um modelo de sustentabilidade."

Qual a sua principal proposta para São Paulo?

"Queremos resgatar o papel do vereador, do parlamentar, de aproximar as pessoas dos espaços de poder. E para isso queremos descomplicar a política, usando as ferramentas da tecnologia da informação para contar o que está acontecendo na Câmara e possibilitar as pessoas a participarem. Com muita transparência, justificando votos e realizando um gabinete aberto com reuniões itinerantes na cidade. Realmente aproximando as pessoas dos espaços de poder, com uma democracia mais direta e representativa. Para uma cidade mais sustentável, acessível e inclusiva!"

Thabata Barbosa (NOVO)

tabhata

Por que você decidiu ingressar na política?

"O motivo de me candidatar a um cargo político foi trazer representatividade para pessoas comuns como eu, pessoas que não se envolviam com política, com nojo de tantos escândalos. Pessoas de bem, que trabalham e pagam cargas tributárias absurdas, que vivenciam no dia a dia o que é realmente viver no caos que se tornou a cidade de São Paulo. Resolvi me candidatar por todos meus alunos que continuam tendo um péssimo ambiente escolar e uma péssima educação, pelos meus colegas professores, que são heróis por conseguir fazer o possível dentro de salas de aulas lotadas e sem ferramentas de trabalho, pela minha vó de 88 anos que tem medo de ficar doente e morrer esperando remédio ou atendimento, pelos meus amigos microempreendedores que estão engessados por tanta carga tributária e burocracia. Essas pessoas comuns, como eu, precisam ter voz e serem atendidas."

Qual a sua principal proposta para São Paulo?

"Além de fiscalizar o prefeito e de levar a demanda da população para ser atendida através de um orçamento real, minha principal bandeira é a educação: melhorar a qualidade do ensino através de programas extracurriculares, lutar junto a Câmara e ao prefeito por uma escola de professores, onde possamos estudar métodos de educação eficientes no restante do mundo e adaptá-los para nossas crianças, dentre diversas outras propostas e bandeiras que podem ser encontradas facilmente em meu site."

Isa Penna (PSOL)

isa penna

Por que você decidiu ingressar na política?

"Vivemos em uma sociedade extremamente desigual e opressora, que traz sofrimento todos os dias para a população mais pobre, especialmente para as mulheres, LGBTs e a negritude. É a vontade de transformar esta realidade que fez eu me engajar primeiramente no movimento estudantil e em seguida no movimento feminista e outros movimentos sociais.

Ser candidata partiu da leitura de que a luta que travamos todos os dias nas ruas se fortalece quando temos parlamentares alinhados com ela. É necessário que as mulheres, a comunidade LGBT e a juventude ocupem todos os espaços da sociedade, inclusive as câmaras de vereadores, e estejam construindo cotidianamente seus mandatos para que nossos direitos sejam conquistados."

Qual a sua principal proposta para São Paulo?

"A minha principal bandeira é o combate à violência contra as mulheres. Como proposta central da campanha criamos o 'PL SP Pras Minas', que visa criar um Fundo Municipal de Combate a Violência contra as mulheres, vinculado a secretaria da mulher, que teria como função: 1) ampliar a rede de acolhimento para as mulheres vítimas de violência e desvincular esta rede da secretaria de assistência social, 2) fazer campanhas preventivas de combate ao machismo e a lgbtfobia e 3) fazer formação com os servidores públicos municipais a partir de uma perspectiva de gênero."

Adriana Vasconcellos (PSOL)

adriana

Por que você decidiu ingressar na política?

"Sou professora da rede municipal de ensino, ministro aulas de geografia, para os ensinos fundamental e médio. Acredito na educação como um viés de solução para todos os problemas existentes em uma sociedade. Através dela podemos dar vida a uma pessoa, criamos perspectiva de futuro e buscamos realizações reais e não apenas momentâneas e imediatas. Ao perceber que a partir desse governo golpista essa possibilidade de resgate e salvamento estariam em cheque decidi estar dentro dessa máquina que escolhe quem deve se dar bem na vida e quem não. No caso os meus alunos, como muitos outros também oriundos de escola pública, negros e pobres, perderiam o pouco que conseguiram com muita luta. Devemos estar nos lugares de decisão."

Qual a sua principal proposta para São Paulo?

"A extinção do racismo estrutural através da aplicabilidade das leis 10.639/03 e 11.645/08. O fim do extermínio da população jovem negra. O fim da LGBTTfobia. A inclusão de pessoas com algum tipo deficiência, verdadeiramente dita. O fim do racismo religioso."

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