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Debate da Globo definiu qual tipo de prefeito você quer para a cidade de São Paulo

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DEBATE SP
Divulgação/TV Globo
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Em mais de dois meses de campanha, os candidatos à prefeitura de São Paulo enfrentaram uma maratona de visitas aos bairros, agendas públicas, entrevistas e os tão esperados debates. São neles em que a população consegue, por pelo menos duas horas, ver os postulantes aos cargos de prefeito reunidos e discutindo propostas para a capital paulista. Discutir propostas seria o mundo ideal, mas nas eleições de 2016 fomos espectadores de discussões, culpabilizações e promessas (muitas promessas).

O Huffpost Brasil acompanhou os seis debates deste ano, realizados pelas emissoras de televisão (Band, Rede TV, Gazeta, SBT, Record e Rede Globo). Na quinta, 29, e madrugada desta sexta-feira, 30, foi a vez dos seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas se reunirem na Globo. Pesquisas apostos e favoritismo já revelados, este foi o debate para o eleitor observar o tipo de prefeito que São Paulo terá nos próximos quatro anos. São seis perfis completamente diferentes, que levam o futuro da cidade para outros seis caminhos tão distinto quanto os candidatos.

Não faltaram ataques, como de costume, mas o telespectador conseguiu perceber o que cada um dos políticos ali presentes quer fazer de São Paulo. Nenhum deles é perfeito - ou será o salvador dos problemas do seu bairro, seja você morador do centro ou da periferia. Cabe a você escolher o perfil que mais lhe agrada. Nós, do Huff, ajudamos você a entender o que cada um dos seis candidatos mostrou na Globo e nos últimos cinco debates.

Celso Russomano: o defensor e o processado

Esta foi a segunda eleição que Celso Russomano começa como favorito nas pesquisas. A campanha nem havia começado e lá estava ele: com mais de 30% das intenções de voto. Conhecido pelo programa de televisão em que fala sobre o Direito do Consumidor, além de ser o deputado federal mais votado no Brasil, a imagem do candidato do PRB é conhecida pelo eleitor. Russomano construiu sua carreira com a idéia de defender o lado mais fraco da história (o consumidor) e as empresas descumpridoras da lei.

Esse foi o mote utilizado pelo candidato para ser prefeito de São Paulo. "Vou defender você, cidadão, na prefeitura. Vou cuidar de você", essa foi a frase mais falada por Russomano aos fins dos debates. No entando, três pedras no sapato fizeram Russomano desidratar pela segunda vez em campanhas para a prefeitura de São Paulo. Uma oferta de emprego prometida a uma telespectadora do seu programa e não entregue, a propaganda enganosa de um produto que ele anunciava, e o questionamento na Justiça pelos direitos não pagos em um bar de sua propriedade, em Brasília.

Com vantagens nas primeiras pesquisas, Russomano pouco se destacava nos debates. Não se metia nas principais discussões e até mesmo era deixado de lado pelos seus adversários. Todos davam como certa a sua ida ao segundo turno. Nos bastidores, há quem diga que o candidato se mostrava "sonolento", "sem vigor" e "sem energia" nos debates. Tudo que um prefeito precisaria ter.

Ontem, na Globo, Russomano manteve o mesmo tom - mas agora sem o favoritismo de um mês atrás. Com risco de ficar fora do segundo turno, atacou a atual gestão Haddad e fez promessas ousadas ao eleitor de baixa renda e que vive na periferia, como a regularização fundiária dos imóveis em São Paulo.

Russomano é o candidato que não se sabe o que esperar se for prefeito. Avesso à muitas entrevistas - ele negou convite de diversas sabatinas de veículos de comunicação -, Já mudou de idéia sobre o Uber nesta campanha. No começo, disse que iria proibir o aplicativo. Hoje, diz que vai regularizar e controlar o número de carros.

Aumentar a velocidade das marginais é garantido e acabar com o programa Braços Abertos na Cracolândia é certeza. "Só tem consumo de drogas onde há produto. O que eu faria na Cracolândia? Três barreiras de fiscalização para a pessoa chegar lá”, disse o candidato. Na periferia, shopping center é solução para gerar emprego e melhorar mobilidade no centro. A creche para diminuir o déficit de vagas no ensino infantil vai ser verticalizada e o guia para as obras da sua gestão é "acabar tudo o que o Haddad começou e não terminou".

Mesmo caindo nas pesquisas, ele diz que ainda tem certeza que irá para o segundo turno.

Fernando Haddad: a continuidade e reaproximação com a periferia

O atual prefeito começou a série de debates sendo o centro dos ataques dos seus adversários e dos eleitores: ele tem mais de 45% de rejeição da população - o índice mais alto entre os candidatos. Criticado por "esquecer" a periferia em sua gestão, o candidato do PT soma uma média de apenas 7% das intenções de voto nos bairros mais afastados do Centro - justamente nas regiões que ajuaram a elegê-lo em 2012, contra José Serra (PSDB).

Não bastasse todas as adversidades, Haddad precisou responder diversas questões sobre o seu partido, o PT, envolvido em esquemas de corrupção, na Lava Jato, além do Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. "Quem no PT tem moral para falar de corrupção? O senhor não justifica nem de onde vem o dinheiro da sua campanha", criticou Major Olímpio, candidato do Solidariedade, no debate da Band. Os questionamentos se repetiram na Rede TV, Gazeta, SBT e Record.

Nos confrontos com os adversários, Haddad é o candidato que defende a continuidade. Quer continuar investindo nas ciclovias, ampliar o Braços Abertos, e manter a velocidade reduzida nas Marginais. No debate da Globo ele, inclusive, criticou os candidatos que defendem o retorno da antiga velocidade.

O ponto fraco, no entanto, são as políticas públicas que mais afetam a periferia. O déficit nas vagas de creches, a demora na realização de exames na rede municipal de saúde e melhorias nos bairros mais afastados. Durante os debates, os adversários, como Marta, souberam explorar bem os problemas da primeira gestão.

Nos últimos três dias de campanha, a estratégia de Haddad é explorar os pontos fortes dos seus quatro anos na prefeitura e angariar votos da esquerda que ele perdeu para Erundina e Marta. Além de marcar presença em vários bairros da periferia, em uma reaproximação com seus ex-eleitores.

João Doria: o gestor privatizador

"Não sou político, sou gestor". Foi com esse mantra que o candidato do PSDB, João Doria, saiu da casa dos 5% nas primeiras pesquisas para quase 30% das intenções de voto, liderando a corrida pela prefeitura de São Paulo na última semana. O empresário e o candidato mais rico entre os prefeituráveis tentou se desconectar da imagem de político para conquistar o voto do eleitor que está cansado da classe política.

Apresentando-se como o diferente e o "trabalhador", Doria começou a saga dos debates no ataque. O tucano da Band era o crítico da gestão Haddad e o pé de Aquiles da "Martaxa".

O tucano da Globo foi avesso aos ataques, na zona de conforto. Apenas esperando o adversário para o segundo turno.

Nos debates e sabatinas, João Doria é o candidato que defende as privatizações e parcerias para melhorar a gestão pública. Interlagos, Anhembi, cemitérios e Pacaembú passariam a ser geridos pela a iniciativa privada. Na saúde, os exames seria feitos na rede particular durante a madrugada. "Sou a favor da desestatização e não tenho medo de afirmar isso. A privatização é necessária porque vai gerar mais empregos, melhorar a especulação física dos espaços e vai gerar recursos para a educação e saúde", disse o candidato durante a sabatina do HuffPost Brasil.

Durante os debates, a sua pedra no sapato foi a candidata Luiza Erundina, do PSOL, que o chamou de "lobista" e "ignorante político" por suas propostas.

Major Olimpio: o sincerão

O candidato do Solidariedade tinha tudo para ser a versão Bolsonaro da campanha à prefeitura de São Paulo. No debate da Band, bradou o seu jargão "Vergonha" repetidas vezes em alto e bom som, além de fazer comentários ofensivos e preconceituosos.

Defensor número um da Polícia Militar de São Paulo, apresentou planos controversos para a segurança, mas sempre manteve sua própria coerência pessoal nas suas idéias. Ao longo dos debates, Major Olímpio passou de figurante para protagonista - mesmo que isso não se reverta em votos. Foi protagonista nos ataques, mas também na sinceridade de que, em tempos de crise, a maioria das propostas apresentadas pelos seus adversários teria condições de sair do papel.

Na Globo, o candidato do Solidariedade respondeu a Marta, que prometeu investir mais de R$ 40 milhões para melhorar a situação da saúde em São Paulo.

Membro do partido de Paulinho da Força, que votou a favor de Cunha na sessão do afastamento, Major Olímpio também não teve medo de expor a pressão do PSDB contra a sua candidatura. O Solidariedade faz parte do governo Alckmin, que teria pedido a Olímpio "menos ataques" ao candidato João Doria.

Marta Suplicy: a herança Temer

Após mais de 30 anos de PT, Marta nem completou um ano de PMDB e já tem uma herança para chamar de sua nessas eleições municipais. A herança se chama Michel Temer. Em todos os debates entre os candidatos à prefeitura da capital paulista, Marta Suplicy precisou responder uma sabatina de perguntas sobre o novo governo e as medidas impopulares na economia, educação e medidas trabalhistas.

As propostas da candidata até chegaram a ficar em um segundo plano tamanha as proporções de críticas a sua ligação com o governo Temer.

No debate da Globo, Erundina questionou a peemedebista sobre o desemprego no Brasil e quais seriam suas propostas para amenizar esta situação em São Paulo. A candidata do PSOL classificou Marta como "incoerente" porque o partido de Marta fazia parte do governo Dilma e seria corresponsável pela crise econômica no Brasil.

Para além da herança partidária, Marta está na memória curta dos bpaulistanos como "a prefeita que criou os CEUs"e fez questão de ressaltar os projetos sociais bem sucedidos para conquistar os votos da periferia. Mesmo nas críticas, a "Martaxa" - seu apelido após criar diversos tributos quando prefeita - ela tem dito repetidamente que "se arrepende dos erros do passado".

A três dias das eleições, no entanto, Marta se põe em uma encruzilhada. A candidata saiu de um partido arruinado publicamente, mas a sua nova posição de antipetista ainda não se mostra suficiente. Em outra perspectiva, precisa lidar com constrangimentos sobre seus apoiadores, como Gilberto Kassab, do PSD, e o vice Andrea Matarazzo - até poucos meses um tucano.

No seu ex-eleitorado, Marta não escapa dos gritos de "golpista". No seu atual, ela corre o risco de ser ligada a Temer, que começa a ser lembrado pelos congelamentos de gastos sociais, mudanças na aposentadoria e a reforma trabalhista. "Eu sou contra essas mudanças", se defende. Talvez se defender não seja o suficiente.

Luiza Erundina: idosa à la Usain Bolt

Aos 82 anos, Luiza Erundina já foi prefeita de São Paulo entre 1989 e 1992 e está no seu quarto mandato de deputada federal. É conhecida do eleitorado paulistano. Nessas eleições, experiência não foi um problema para a candidata do PSOL. A idade sim. Não houve nenhuma entrevista, debate ou sabatina em que Erundina não precisasse responder: "a senhora vai ter condições de governar São Paulo na sua idade?"

Ao HuffPost Brasil, ela também respondeu. "Já sofri preconceito por ser mulher, nordestina, de esquerda e pobre", disse. "Só faltou eu ser negra", disse. "Hoje tenho mais um peso por ser idosa, que é mais um preconceito que enfrento", complementou.

Ex-PT e PSB e agora no PSOL, Erundina também sofreu com a adversidade do tempo de televisão. Em um partido que preferiu não fazer coligações nestas eleições, Erundina teve 10 segundos de propaganda eleitoral. Abusou da criatividade usando o velocista Usain Bolt em sua curta propaganda. A falta de apoio de outros partidos fez com que a candidata fosse barrada no debate da Band, antes da decisão do STF que flexibilizou a regra.

Tão logo apareceu na telinha no debate da Rede TV, Erundina se posicionou nas questões políticas nacionais. Questionou Haddad sobre o "golpe", criticou Marta sobre o PMDB, atacou João Doria sobre o PSDB e ligou Olimpio ao seu padrinho político Paulinho da Força.

Durante o debate da Globo, por exemplo, Doria tentou vincular a candidata a um modo "antigo" de fazer política, referindo-se a idade de Erundina. A resposta veio rápida:

Faltando três dias para as eleições, o que pesa contra Erundina é a idéia do voto válido. No mesmo espectro de eleitores de Fernando Haddad - que cresce nas pesquisas -, a tendência é que seu eleitorado opte pelo petista, que teria mais chances de chegar ao segundo turno. Erundina, no entanto, diz que já virou campanha muito mais difícil que esta.

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