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Votos brancos e nulos iriam para o segundo turno no Rio de Janeiro, segundo Datafolha

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Se as eleições para a Prefeitura do Rio de Janeiro fossem hoje, os votos brancos e nulos iriam para o segundo turno junto com o candidato preferido do eleitorado Marcelo Crivella (PRB). Isso segundo pesquisa Datafolha de intenções de voto, que traz Crivella com 27%, em primeiro lugar, e em segundo lugar, os brancos e nulos, com 14%. Em seguida está Marcelo Freixo (PSol), com 13% .

O cenário com os votos brancos e nulos no segundo turno é imaginário, mas revela uma latente insatisfação com a política, segundo especialistas ouvidos pelo HuffPost Brasil.

A situação é evidenciada quando comparada com os dados das eleições municipais de 2012. Em meados de setembro de 2012, o índice na capital carioca era de 10% de intenções de votos brancos e nulos. Em Belo Horizonte, o quadro também mostra aumento no percentual de brancos e nulos, de 8% para 12%.

Para o cientista político Roberto Romano, os números são reflexo da diminuição do apoio da sociedade à democracia.

“O cidadão brasileiro está arredio em relação ao regime e ao sistema ineficaz do Executivo, a corrupção, à lentidão e falta de transparência da Justiça, crise econômica, patamar inédito de desemprego, falta de perspectiva. Essa situação faz que o cidadão não tenha mais confiança nas instituições. A avaliação do atual presidente Michel Temer também é baixíssima. É um fenômeno geral de descrença no Estado de Direito."

Aliado ao alto percentual de intenção de votos brancos e nulos há um indicador do Tribunal Superior Eleitoral que mostra que a quantidade de jovens eleitores, com menos de 18 anos, caiu 20% comparado com 2012.

Na avaliação de Romano, esse indicador também está relacionado ao mesmo fenômeno que leva aos votos brancos e nulo.

“A política não estimula o jovem a participar. Os partidos são dominados por grupos regionais, não há abertura para militante da base. O jovem para participar tem que pedir benção aos dirigentes partidários, que muitas vezes são corruptos. Quando o eleitor vai à urna, o prato já está servido. Escolhe-se um ou outro. Não há interesse. A lista de candidatos é indiferente, pode ser qualquer um.”

Segundo Romano, até o movimento estudantil que trazia o jovem para a política se perdeu. “Essas lideranças que surgiram nos movimentos estudantis hoje são lideranças velhas. Movimentos como a União Nacional dos Estudantes (UNE) se tornaram reféns de partidos políticos como PCdoB e PSol em concorrência com o PT. Não abriram espaço para um amplo debate e acabaram se tornando um movimento oligarquizado.”

Segundo ele, esses são alguns indícios que explicam a indiferença da sociedade com a política. O especialista em direito eleitoral Amilton Kufa acrescenta às evidências de insatisfação os últimos escândalos políticos.

“Casos de corrupção, a Lava Jato, o impeachment mostram descrédito. Os votos brancos e nulos, na verdade, mostram que aquela parcela da população não queria votar. Pessoas conscientes, com interesse por política, acabam se desinteressando quando percebem que elas sozinhas não conseguem fazer nada. É preciso um bom trabalho para voltar a conscientizar o eleitor da importância do voto”, pontua.

Consequências

Kufa explica que há um mito em torno dos votos brancos e nulos pelo tom de protesto.

“É uma falácia que conseguir mais de 50% de votos brancos e nulos anula um pleito. Mesmo que só 10% da população vote em um candidato, ele vai ser eleito. O que conta são os votos válidos."

Segundo Kufa, na prática, se um candidato tiver mais de 50% dos votos e os votos forem anulados, por algum motivo, como a cassação do registro, há novas eleições.

Contexto

A diretora executiva do Ibope, Márcia Cavallari, também avalia que o índice de votos brancos e nulos deva crescer puxado pela insatisfação do eleitorado, mas não vê isso como regra.

“Varia muito em cada cidade. Vemos que em algumas a pesquisa tem mostrado um aumento na intenção de votar branco ou nulo, mas a taxa ainda segue perto da média de 9%. Pode ser que este ano seja maior, mas não muito”, avalia.

No entendimento dela, os números, além de refletirem a insatisfação, mostram um esvaziamento dos partidos políticos. “Em muitas cidades é um reflexo de que o eleitor não encontrou nenhum candidato capaz de atender as suas demandas.”

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