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Tragédia: Mais de 50 morrem na Etiópia após polícia 'dispersar' manifestação contra o governo

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ETHIOPIA
Tiksa Negeri / Reuters
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Mais de 50 pessoas foram mortas durante um tumulto na região de Oromiya, na Etiópia, desencadeado no domingo (2) quando a polícia usou gás lacrimogêneo e atirou para o alto para dispersar um protesto contra o governo em um festival religioso.

Segundo a emissora estatal, que citou autoridades regionais, 52 pessoas foram mortas. A oposição também afirmou que ao menos 50 pessoas morreram no festival anual, no qual alguns participantes entoavam gritos contrários ao governo e empunhavam a bandeira de um grupo rebelde.

Pelo menos 2 milhões de pessoas participavam do festival, e alguns começaram a gritar frases contra o governo. Em resposta, a polícia reagiu com gás lacrimogêneo e balas de borracha, desencadeando o pânico na multidão, que se espremeu perto do palco.

ethiopia

Algumas pessoas, tentando fugir, caíram no fosso que rodeia o local e foram esmagadas por quem veio depois. Há meses, a Etiópia é palco de protestos por mais liberdade política, causando preocupação aos Estados Unidos quanto ao uso excessivo da força pela polícia.

Nos últimos dois anos, Oromiya foi alvo de protestos esporádicos, provocados inicialmente por disputa de terras, mas que cada vez mais se tornaram manifestações contra o governo em geral. Desde o final de 2015, dezenas de manifestantes foram mortos em confrontos com a polícia.

Os acontecimentos sublinham as tensões no país, onde o governo tem conseguido obter altas taxas de crescimento econômico, mas enfrenta críticas de adversários e grupos de ativistas que o acusam de reduzir as liberdades políticas.

Milhares de pessoas se reuniram para o Irreecha, festival anual de ação de graças, na cidade de Bishoftu, cerca de 40 km ao sul da capital Addis Abeba.

Os manifestantes gritavam "nós precisamos de liberdade" e "precisamos de justiça", impedindo o discurso dos anciãos da comunidade, considerada próxima ao governo.

O governo confirmou o incidente, e culpou "pessoas preparadas para provocar tumultos" pelo massacre. Os oromos são o grupo étnico mais numeroso da Etiópia e representam 35% da população do país, além de habitar parte do Quênia.

Majoritariamente cristãos ou muçulmanos - embora alguns sigam a religião tradicional baseada na adoração ao deus Waaq -, eles também são em sua maioria agricultores e criadores de gado. No entanto, há décadas o grupo diz ser marginalizado por Adis Abeba, motivando recorrentes protestos contra o governo.

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