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PF não pretende fazer novas delações para a Lava Jato, diz Folha

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JUCA TEMER
Brazilian acting President Michel Temer (C), Senate's President Renan Calheiros (R) and Planning Minister Romero Juca are pictured as the Executive hands the revision of the fiscal target proposed in the 2016 budget to the Congress, at the National Congress in Brasilia on May 23, 2016.A leaked recording allegedly showing Juca plotting the impeachment of Brazil's Dilma Rousseff in order to derail a massive corruption probe put acting president Michel Temer under intense pressure Monday. The scand | EVARISTO SA via Getty Images
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Nos bastidores, delegados da Polícia Federal (PF) defendem que não sejam feitos novos acordos de delação premiada para a Operação Lava Jato. Para eles, já há material suficiente para que as investigações ocorram com apurações próprias sobre os desvios na Petrobras, o chamado "petrolão".

Segundo a Folha de S. Paulo, a PF acredita que a "sensação de impunidade perante a sociedade irá aumentar caso mais colaborações sejam fechadas com a Justiça".

Desde 2014, a PF celebrou 66 acordos de delação premiada e quatro de leniência. A próxima a acertar colaboração na Justiça seria a Odebrecht, que tem uma longa lista de políticos dos mais variados partidos em suas planilhas com pagamentos. No momento, a empreiteira negocia a delação de mais de 50 funcionários do grupo.

sergio moro

A Folha informa que pessoas ligadas a Odebrecht afirmam que "a posição da PF contra delação premiada teria relação com algum movimento do governo de Michel Temer,". Isso porque que integrantes do PMDB já foram citados no acordo com a Odebrecht.

Ainda segundo o jornal, a PF nega qualquer diálogo ou influência do governo.

Listão da Odebrecht

A Odebrecht promete apresentar provas que envolvem, além de integrantes do governo federal, 35 senadores, 13 governadores e dezenas de prefeitos. O objetivo é detalhar os pagamentos feitos pelo Setor de Operações Estruturadas, conhecido como “diretoria da propina”. A área foi criada pela empresa para repassar valores a políticos.

'Estancar a sangria'

O ex-ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu em conversas gravadas de forma oculta com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em março, que uma mudança no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" da operação Lava Jato, que investiga ambos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

Segundo a Folha, os diálogos entre Jucá e Machado aconteceram semanas antes da votação na Câmara dos Deputados que autorizou o andamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que foi afastada do cargo este mês e substituída interinamente pelo vice Michel Temer na Presidência.


Em um dos trechos da conversa, Jucá diz ao interlocutor: "Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", em resposta à preocupação expressada por Machado de que sua investigação na Lava Jato saísse do Supremo Tribunal Federal (STF) e fosse parar nas mãos do juiz federal do Paraná Sérgio Moro.

"Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", afirma o ex-ministro de Temer nas escutas.

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