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Por causa de cuspe em Bolsonaro, Jean Wyllys vira alvo do Conselho de Ética

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BOLSONARO
Montagem/Divulgação/Facebook
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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aceitou pedido da Mesa Diretora da Casa e instaurou processo para investigar se o deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) quebrou o decoro parlamentar ao cuspir no deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), na votação do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em abril.

Segundo a Exame.com, o deputado foi alvo de seis representações na Corregedoria da Casa, duas delas assinadas pelo ator Alexandre Frota. Nesta terça-feira (4), foram sorteados três nomes para a relatoria do processo: Ricardo Izar (PP-SP), Zé Geraldo (PT-PA) e Leo de Brito (PT-AC). O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), é quem escolherá um dos nomes.

Na época, Wyllys explicou que reagiu às provocações de Bolsonaro. Ao HuffPost Brasil, a assessoria de imprensa do PSol disse que o deputado foi “agarrado de forma violenta”e xingado de "viado", "boiola" e "queima-rosca”.

A reação do deputado também ocorreu após Bolsonaro oferecer o voto a favor do impeachment em homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. O coronel foi o primeiro militar brasileiro a responder por um processo de tortura na ditadura. Ele chefiou o DOI-Codi do II Exército, em São Paulo, órgão de repressão política durante a ditadura militar.

Para Bolsonaro, Jean Wyllys “apelou para baixaria”.

“É uma agressão, demonstra que ele não está preparado para ser deputado federal. Não representa ninguém, nem a comunidade LGBT gosta dele, a maioria dos gays votam em mim porque entenderam que minha briga foi contra o kit gay, o material escolar e não contra o Jean Wyllys. Inclusive, ele me discriminou no voo da TAM. Isso é preconceito, heterofobia.”

Wyllys rebateu:

"Ele cospe diariamente nos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. Ele cospe diariamente na democracia. Ele usa a violência física contra seus colegas na Câmara, chamou uma deputada de vagabunda e ameaçou estuprá-la. Ele cospe o tempo todo nos direitos humanos, na liberdade e na dignidade de milhões de pessoas. Eu não saí do armário para o orgulho para ficar queto ou com medo desse canalha”.

A quebra de decoro parlamentar pode terminar com pena de cassação do mandato, como ocorreu com o ex-presidente da Casa, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

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