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Quando o senhor ninguém ganha as eleições

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Em nove cidades brasileiras, os votos brancos, nulos e as abstenções venceriam as eleições, caso o senhor ninguém estivesse na disputa. Se tivesse um plano de governo, o do senhor ninguém seria diferente de tudo que temos posto. Não é possível precisar, mas o recado das urnas é: do jeito que as coisas estão, a população não tem interesse no processo eleitoral. Essa é a definição feita por especialistas ouvidos pelo HuffPost Brasil.

O distanciamento entre o eleitor e os políticos se aprofundou justamente quando eles deveriam ter comemorado a possibilidade de aproximação, na avaliação do consultor político e professor de marketing político da ESPM Emmanuel Publio Dias. "As pessoas sabiam se eram contra ou a favor da ditadura. Havia uma identificação, agora temos mais de 30 partidos, houve um corte na representação partidária", compara.

Segundo ele, só essa pulverização aliada à possibilidade de coligações de partidos com projetos completamente diferentes já era suficiente para afastar o eleitor do sistema político. "Houve uma banalização completa do quadro partidário que já distanciava o eleitor. Para turbinar o cenário, vieram os escândalos, como a Operação Lava Jato."

O cenário, porém, é um alerta, na avaliação do professor de Ciência Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo Rui Tavares. Para ele, o número expressivo de nulos e abstenções é um forte elemento de pressão política.

"Cada vez vai ficando mais evidente que não há como adiar determinadas reformas mais expressivas da vida política brasileira. Então, tenho pra mim que, ao permanecer esse quadro, subtrai-se a legitimidade dos políticos e não se confere mais legitimidade a eles. Entendo que há um elemento rigorosamente de pressão e que clama por decisões corajosas."

Na avaliação dele, uma parte das decisões que estão sendo tomadas ultimamente já mostra que os políticos precisam reagir. "Às vezes as decisões são tomadas por eles próprios, como o impeachment, mas muitas vezes o Judiciário toma para si, quando há o vácuo. Ou seja, de alguma forma, as mudanças vão acontecendo."

Recorde

Tavares chama atenção para o alto índice de votos brancos e nulos:

"É um recorde sobretudo nos grandes colégios eleitorais. Isso demonstra claramente uma manifestação de descontentamento do eleitorado. Estamos voltando ao patamar de nulos e brancos da época em que os votos eram manuais e havia um alto número de votos anulados por diversos motivos, até mesmo pela má vontade dos aparadores em reconhecimento dos votos. Os índices estão parecidos, mas agora soam como repúdio."

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