Huffpost Brazil

Flip 2017: Jornalista Joselia Aguiar será a primeira curadora em uma década

Publicado: Atualizado:
Imprimir

Joselia Aguiar será a primeira mulher responsável pela curadoria da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em praticamente uma década. A Associação Casa Azul fez o anúncio nesta sexta-feira (7).

A jornalista baiana especializada em literatura – com passagem por veículos como Folha de S.Paulo e Valor Econômico – substitui o editor Paulo Werneck, que foi curador do evento nas edições de 2016, 2015 e 2014.

Antes de Aguiar, Ruth Lanna foi a única mulher a ocupar a posição na Flip. Na primeira vez, ela fez a curadoria com Samuel Titan, em 2005, e a segunda, sozinha, em 2006.

joselia aguiar
Joselia quer emplacar Lima Barreto como autor homenageado em 2017

Em entrevista ao Globo, a jornalista – que já editou a revista literária EntreLivros – afirmou que deseja escolher Lima Barreto (1881-1922) como autor homenageado em 2017.

Se o escritor e jornalista carioca for de fato selecionado, Aguiar vai cumprir uma demanda que chegou a seu ápice na edição deste ano da Flip: embora o evento tenha trazido diversas mulheres como autoras convidadas e homenageado uma, a poeta Ana Cristina Cesar, a ausência de negros na festa foi amplamente criticada.

A jornalista disse ao Globo:

"Há três anos, eu participei da campanha para escolher Lima Barreto como autor homenageado, então não posso negar a preferência. Sempre entendi que as condições raciais e socioeconômicas fizeram com que ele fosse desprestigiado, e acho que é importante valorizar o que deixamos para trás."

Ela pretende mostrar a diversidade da produção literária nacional e internacional em sua curadoria, para refletir as questões atuais do Brasil e do mundo, e a literatura contemporânea.

Na entrevista ao jornal, ela se mostrou ciente da demanda por diversidade:

"Um autor negro ou mulher, que pertença a uma minoria, quer estar representado, mas quer ser reconhecido pela sua qualidade. As duas coisas ao mesmo tempo. É importantíssimo cuidar pela representação numérica, sim; o passo seguinte é mostrar que isso não é concessão, ou apenas parecer diverso, que esses autores são geniais mesmo."

A curadora pretende, também, fazer com que a experiência da Flip vá além das mesas.

"Quero pensar mesas de uma maneira em que elas se façam presentes em atividades fora da programação fixa, para que quem vá à Flip tenha mais opções de contato com os livros. Tenho o desafio de manter a Flip como referência."

Aguiar prepara desde 2011 uma biografia sobre Jorge Amado (1912-2001) para a editora Três Estrelas, do grupo Folha.

Além da atuação no jornalismo, ela é mestra em história pela Universidade de São Paulo (USP) e, atualmente, doutoranda pela mesma universidade. Ela estuda a relação entre a obra do romancista baiano com escritores da América hispânica.

LEIA MAIS:

- Estas mulheres sobreviveram a ataques de ácido e agora são heroínas de uma HQ

- Por que você ~deve~ comprar o 1º livro de Caio Castro

- Livros de 'Bridget Jones' invadem prateleiras com novas capas; Confira

Também no HuffPost Brasil:

Close
11 livros escritos por mulheres que BRILHARAM na Flip 2016
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção