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Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ganha o Nobel da Paz

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Colombia's President Juan Manuel Santos attends a joint news conference with Spain's Prime Minister Mariano Rajoy (unseen) at Moncloa palace in Madrid March 3, 2015. REUTERS/Andrea Comas/File Photo | Andrea Comas / Reuters
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O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ganhou o prêmio Nobel da Paz de 2016 nesta sexta-feira (7), em uma escolha surpreendente depois que os colombianos votaram "não" para o acordo assinado pelo governo com guerrilheiros das Farc para terminar com 52 anos de guerra.

Santos prometeu reviver o plano de paz apesar de os colombianos terem rejeitado o acordo em um referendo no domingo (2), por pouca diferença de votos. Muitos eleitores acreditam que o governo foi muito suave com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

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Pelo acordo de paz, as Farc tinham se comprometido a abandonar as armas e as técnicas de guerra, além de sinalizarem de que se tornariam um partido político. No entanto, a forma de punição de ex-guerrilheiros por crimes antigos descontentou parte da população colombiana, que é contrária a uma anistia política e ainda sofre com as feridas do conflito.

Apesar de não ter a obrigação de submeter o acordo à aprovação popular, o presidente colombiano quis que a medida fosse legitimada pelo público. Com a derrota nas urnas, o acordo que demorou quatro anos para ser negociado em uma série de rodadas em Cuba precisará ser revisado.

"A guerra civil custou a vida de 220 mil colombianos e provocou quase seis milhões de desabrigados. O Prêmio Nobel deve ser visto também como um tributo ao povo da Colômbia, a todas as partes que contribuíram para este processo de paz e aos representantes das vítimas", disse o Comitê do Prêmio Nobel

Eleitores não disseram "não" à paz, e sim ao acordo, acrescentou a líder do comitê do Nobel da Paz, Kaci Kullman Five.

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O prêmio excluiu propositalmente o líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, que assinou o acordo com Santos. "O único prêmio que buscamos é a paz com justiça social para a Colômbia sem paramilitarismo, sem retaliação ou mentiras", disse Timochenko em sua conta pessoal no Twitter após o anúncio do prêmio.

"O fato de a maioria dos eleitores ter dito 'não' ao acordo de paz não significa necessariamente que o processo de paz está morto", disse o comitê.

"Isso torna ainda mais importante que os lados, liderados pelo presidente Santos e pelo líder das Farc, Rodrigo Londoño, continuem a respeitar o cessar-fogo", acrescentou.

Uma das reféns mais famosas das Farc foi a política e ativista franco-colombiana Ingrid Betancourt, sequestrada pelo grupo durante as campanhas presidenciais de 2002 e libertada somente em 2008.

Em entrevista à imprensa local, Betancourt disse que as Farc "também mereciam o Nobel da Paz" e que ela é "otimista com o futuro".

"A Justiça foi feita. Santos é um homem que merecia este prêmio. Sobre as Farc, é difícil eu falar, mas acredito que também [merecem]", comentou. "A Colômbia passa por um momento de esperança, de reflexão e de alegria", disse a ex-refém.

ingrid betancourt

Juan Manuel Santos Calderón nasceu em Bogotá, a capital, no dia 10 de agosto de 1951. Advogado e economista, ele ocupa a presidência da Colômbia desde 2010. É membro do partido De la U (Partido Social de Unidade Nacional). Antes de ser eleito, foi ministro da Defesa no governo de Álvaro Uribe.

O prêmio Nobel da Paz, no valor de 8 milhões de coroas suecas (930 mil dólares), será entregue em Oslo em 10 de dezembro.

(Com informações das agências de notícias)

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