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'Escolas de Luta': As imagens das ocupações em São Paulo que ficaram para a posteridade

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escolas de luta 1

Aluno "encara" policiais dentro do Centro Paula Souza, a direção das escolas técnicas estaduais do Estado de São Paulo

"O Estado veio quente, nóis já tá fervendo!
Quer desafiar? Não estou entendendo...
Mexeu com os estudantes, você vai sair perdendo!"

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pretendia fechar, ao final de 2015, 94 escolas estaduais - de ensino médio e técnico - no que o governo chamava de "reorganização". Pouco se falava sobre a medida até que os alunos decidiram se posicionar ocupando as escolas.

Essa trajetória toda ganhou as páginas de Escolas de Luta, da coleção Baderna, da editora Veneta, trabalho dos pesquisadores Marcio Ribeiro, Antonia Malta Campos e Jonas Medeiros, que entrevistaram estudantes e visitaram inúmeras escolas enquanto elas estavam tomadas por seus alunos. O texto é ilustrado pelas fotografias - todas em preto e branco - dos coletivos fotográficos como RUA, Mamana e C.H.O.C.Documental. Algumas delas cedidas para o HuffPost Brasil e que acompanham este texto.

Naquele final de 2015, o governo Alckmin bem que tentou abafar as manifestações, mas o uso da força policial contra os adolescentes acabou por ser o estopim para que a manifestação se alastrasse por ainda mais escolas. E, no dia 1° de dezembro, 200 unidades já estavam tomadas pelos estudantes. Todos os ocupantes bastante jovens, é bom lembrar: 14, 15, 16 anos. Em menos de um mês, a Escola Estadual Fernão Dias, na zona oeste de São Paulo, uma das primeiras a ser ocupada, tornou-se modelo para diversos estudantes paulistas: Diadema, Jandira, Mauá, Osasco, Ribeirão Pires, Jundiaí... Colégios ocupados por todo o Estado. Do interior ao litoral. Do centro às periferias. Das cidades menores às mais populosas.

Com as ocupações, vieram a suspensão das aulas, o trabalho coletivo, mas também as aulas de história, sociologia e a arrecadação e doação de mantimentos. Tudo organizado e gerido pelos próprios alunos, ainda que com a ajuda de pais, mães, familiares, professores e quem quer que se dispusesse a auxiliar. Foi a forma que encontraram para combater a tal reorganização que, na prática, renderia salas de aula mais lotadas e mais problemas à educação já combalida. "Não tem arrego!" tornou-se o lema extraoficial dos secundaristas.

Nesta semana, a informação de que duas das primeiras escolas ocupadas conseguiram notas superiores à média do Enem chamou a atenção: A média de 500,43 foi superada pela Fernão Dias com a nota 507,52 e pela Diadema, com 503,39.

escolas de luta

O final da história das ocupações você já conhece: Vitória dos estudantes e derrota da proposta do governo Alckmin, que se viu obrigado a recuar na proposta de "reorganização", bem como acabou demitindo o então secretário de Educação, Herman Voorwald.

Para quem se interessa pelo tema, neste sábado (8), acontece o debate "Escolas de Luta/ Debate: Fotógrafos no front", com a presença dos autores do livros e dos repórteres fotográficos, no Tapera Taperá, na Avenida São Luiz, 187, 2º andar, loja 29. Quem quiser mais detalhes, é só clicar aqui.

escolas de luta 2

As cadeiras das salas de aula foram usadas diversas vezes para interromper o trânsito. A disputa da foto aconteceu durante protesto na Marginal Pinheiros, na Ponte do Piqueri

  • Rodrigo Zaim / Coletivo R.U.A.
    O aluno dentro da escola e a presença ostensiva da Polícia Militar. Clique da Fernão, escola ícone dos dias de ocupação
  • Felipe Larozza
    No Cefam, escola estadual de Diadema, no Grande ABC
  • Jardiel Carvalho / Coletivo R.U.A.
    Primeiro dia de ocupação da escola Fernão Dias Paes
  • Rogério Padula
    Mais um grito de socorro vindo de um dos alunos apreendidos durante ocupação do Centro Paula Souza
  • Mel Colho / Mamana Coletivo
    Os livros encontrados pelos estudantes que estavam longe dos alunos da escola Di Cavalcanti
  • Renata Armelin / Mamana Foto Coletivo
    A marca das ocupações é a autogestão. Os alunos mostram as identificações das áreas em que trabalham na E. E. Castro Alves, na zona norte da capital
  • Douglas Pingituro / C.H.O.C. Documental
    Aluno é carregado por grupo policial. Na contramão das ocupações, a PM entrava em cena para "proteger o patrimônio".

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