Huffpost Brazil

Estas fotos vão te fazer refletir por que ser menina é tão difícil no Brasil

Publicado: Atualizado:
Imprimir

meninas

Nesta quarta-feira (11), é celebrado o Dia Internacional das Meninas, data definida pela ONU há quatro anos para dar visibilidade à problemática enfrentada por crianças em todo o mundo: a desigualdade de gênero.

No Brasil, a ONG Plan International é responsável por campanhas como o movimento global Por Ser Menina, que estimula o desenvolvimento de projetos e políticas públicas para impulsionar o potencial das garotas e assegurar o pleno exercício de seus direitos.

Em homenagem a data do 11 de outubro, a instituição organizou uma exposição fotográfica com imagens realizadas em diversos países da América Latina em que profissionais de fotografia compartilhem seus pontos de vista sobre o que é ser menina.

As fotos são resultado de um concurso e para a exposição que acontece na Matilha Cultural, em São Paulo, foram selecionadas 23 obras.

De acordo com a descrição do evento no Facebook, "a mostra quer possibilitar que, a partir da sensibilidade dos fotógrafos, possamos conhecer mais sobre o universo das meninas nas diversas realidades em que vivem, sua beleza, riqueza cultural, desejo de superação e vontade de vencer as desigualdades de gênero, incentivando a liberdade de serem o que elas quiserem."

Em entrevista ao HuffPost Brasil, Anette Trompeter, diretora nacional da instituição, afirma que a exposição é mais uma das ações para trazer o debate sobre a realidade das meninas. Além das imagens, nesta terça-feira também acontece o movimento "Girls Take Over", que traz a oportunidade de meninas ocuparem posições de poder.

"O concurso de fotos do 'Por Ser Menina' já acontece há algum tempo e a exposição é uma celebração do trabalho destes profissionais. A Plan International também viabiliza outras ações pelo Brasil e pelo mundo, como o 'Girls Take Over'. A ideia é que meninas ocupem posições de poder no Dia Internacional das Meninas para mostrar que elas podem liderar e ser o que elas quiseres. Hoje, meninas em 70 países estão ocupando cadeiras de presidências, diretorias de empresas, diretorias de escolas... São pessoas que cedem seu lugar para chamar atenção para causa. Não vamos acabar com a desigualdade de gênero se não trabalharmos com as meninas que serão as mulheres de amanhã."

Basta um olhar mais atento na rotina para compreender que a desigualdade de gênero é uma realidade não só na desigualdade salarial, na diferença da representatividade, mas também em aspectos culturais naturalizados no Brasil, como o casamento precoce.

O estudo Every Last Girl da ONG internacional Save The Children relatou que o País é o pior local da América do Sul para ser menina, se igualando a países como Guatemala, Nova Guinea, Sudão e Burundi.

Para Trompeter, o contexto enfrentado por crianças do sexo feminino, principalmente nas áreas mais pobres, é preocupante:

"A situação aqui não é boa para as meninas. O Brasil é o quarto país do mundo em números absolutos de casamentos precoces. Estamos falando de meninas de 14 anos. A realidade do casamento precoce é presente, aceita e viabilizada pela sociedade. Temos números alarmantes de crianças em situação de trabalho infantil, especificamente no doméstico, remunerado ou não. Essa é a pior forma de trabalho, pois dificulta os estudos, são situações que elas estão vulneráveis a violência, inclusive sexual. Também temos altas taxas de gravidez na adolescência. Nacionalmente, 20% dos bebês que nascem são de mães adolescentes. Isso no brasil todo. Em áreas vulneráveis chega a ser 1/3. E isso significa evasão escola, a responsabilidade de criar uma criança, o casamento precoce, o futuro comprometido. É a repetição de padrões que não deveriam ser repetidos. Sem falar da exploração e da violência sexual, que são assustadores."

Para a diretora, tanto a mostra fotográfica quanto a campanha Girls Take Over são medidas para divulgar a causa, conscientizar o governo e a população, mas ainda se faz necessário políticas públicas efetivas que protejam nossas meninas.

"Precisamos de alguma legislação que ajude. Poderíamos criar ouvidorias dentro das escolas do ensino médio para reportar questões de violência, por exemplo. Muitas delas não tem para quem de reportar. O disque 180 é distante da realidade delas. Precisamos avançar no combate ao trabalho infantil, promover a educação sexual e reprodutiva. Elas precisam decidir sobre os seus corpos, ter informações para prevenir a gravidez, se empoderar para dizer não ao abuso. Só vamos resolver a desigualdade com o empoderamento das meninas. Elas precisam saber de seus potenciais. E esse trabalho tem que ser feito desde cedo. Não podemos deixar metade da população para trás. Precisamos inclui-las de forma afirmativa para que elas não se tornem mulheres que ganhem menos que homens ou que ocupem somente 10% dos cargos públicos do país. O que a gente quer é garantir um mundo mais justo para crianças e adolescentes e para isso precisamos que todas as meninas possas aprender, liderar e prosperar."

menina

menina

menina

menina

LEIA MAIS:

- Brasil é o pior país da América do Sul para ser menina, diz estudo

- É oficial: Mônica encampa HeForShe para lutar por empoderamento feminino

- Luíza Brunet presta homenagem à Maria da Penha no 21º Prêmio CLAUDIA

Também no HuffPost Brasil

Close
Frases inspiradoras de famosas sobre o feminismo
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção