Huffpost Brazil
Catherine Pearson Headshot

Esta eleição não é sobre política. É sobre a opinião dos Estados Unidos sobre as mulheres

Publicado: Atualizado:
DONALD TRUMP E HILARY CLINTON
BLOOMBERG VIA GETTY IMAGES
Imprimir

Os últimos dias desta campanha presidencial têm sido brutais para quem acredita que as mulheres sejam seres humanos dignos de respeito.

Na sexta-feira, surgiu uma gravação de Donald Trump se gabando de agarrar mulheres “pela xoxota” e tentar “comê-las”.

Não foi surpresa, dado o notável histórico de sexismo de Trump, mas ainda assim foi um sinal de alerta para quem ficou insensível à sua implacável misoginia.

Um candidato para o mais alto cargo da nação se gabava de ser um predador sexual e depois tentou minimizar as declarações, dizendo que foi apenas “conversa de vestiário”.

É tudo profundamente deprimente. Não só as palavras de Trump, mas as forças nas quais elas estão enraizadas. Sexismo. Privilégio masculino. Cultura do estupro.

É por isso que, no meio de um debate feio e desanimador, foi tão satisfatório assistir a primeira mulher candidata à Presidência denunciar o histórico de Trump desumanizando as mulheres.

“Ele disse que o vídeo não representa quem ele é, mas eu acho que ficou claro para qualquer um que ouviu que [o vídeo] representa exatamente o que ele é”, disse Clinton.

“Vimos isso durante toda a campanha. Nós o vimos insultando as mulheres. O vimos dando nota para a aparência das mulheres, classificando-as de 1 a 10. Nós o vimos constrangendo mulheres na TV e no Twitter.

O vimos, depois do primeiro debate, passar quase uma semana denegrindo uma ex-Miss Universo com termos pessoais e duros. Então, sim, este é Donald Trump.”

Assistir Clinton -- uma mulher que, há anos, prioriza políticas que promovem a justa remuneração e os direitos reprodutivos – fazer frente a Trump não desfaz a dor causada por suas palavras.

Mas serve como um grito de guerra para todas as mulheres que já sentiram seus corpos ameaçados por um homem, seja por meio de palavras, toques ou legislação. Ficou cristalino que, para o bem ou para o mal, esta eleição presidencial tornou-se um referendo sobre o que os Estados Unidos realmente pensam sobre as mulheres e sobre o tratamento que elas merecem.

Trump, é claro, passou parte da noite de domingo tentando desviar do assunto (mencionando infidelidades de Bill Clinton) e recuar (dizendo que ninguém respeita mais as mulheres do que ele).

Mas o abismo entre os dois é vasto e enraizado. Trump é um misógino predatório. Ele insiste que respeita as mulheres, enquanto ao mesmo tempo cataloga seus atributos físicos e supostas deficiências. Ele acha que é OK chamar sua própria filha de gostosa.

Ele acredita, erradamente, que só as mães devem ter direito à licença familiar remunerada e montou uma coalizão determinada a tirar das mulheres o acesso a serviços de abortos legais e seguros.

Clinton, pelo contrário, é uma antiga defensora dos direitos das mulheres. Ela quer eliminar as disparidades salariais entre os sexos e foi apoiada pela ONG de direitos reprodutivos Planned Parenthood. Em nível pessoal, ela aturou décadas de insultos de gênero e aprendeu o custo de ser uma pessoa “muito emotiva”.

Ela foi chamada de antipática e repreendida por não querer fazer cookies. Ela foi considerada física e mentalmente fraca e ridicularizada por sua voz estridente.

Ser mulher nos Estados Unidos em 2016 é uma experiência estranha e inconstante. Por um lado, as coisas parecem mais igualitárias do que nunca. Muitas mulheres são as responsáveis pela renda da família.

Elas têm maior propensão a se inscrever e completar cursos de pós-graduação. Ao mesmo tempo, as mulheres -- especialmente as mulheres de cor – recebem salários mais baixos - e têm menor chance de exercer cargos de liderança.

Uma em cada cinco mulheres foi agredida sexualmente enquanto estava na faculdade. Como mulher nos Estados Unidos, você tem controle sobre o seu destino e seu corpo -- até certo ponto.

Como escreveu Lisa Belkin no Yahoo, a enorme diferença na retórica dos candidatos no fim de semana é, em muitos aspectos, um presente.

Os eleitores não podem mais fingir que esta eleição -- além de ser sobre a economia, meio ambiente, imigração, racismo e segurança – não é também um teste simples do quanto este país valoriza as mulheres.

Não há como ignorar a diferença entre um candidato que fala sobre a valorização da diversidade (Clinton) e um que tenta encobrir o que disse sobre agarrar mulheres “pela xoxota” (Trump).

É raro ter um momento em que o contraste entre dois candidatos seja tão claro -- e em que o que está em jogo para as mulheres é tão grande. Hillary Clinton está certa. Esta é uma das eleições mais importantes de todos os tempos.

Nota do editor: Donald Trump incita regularmente a violência política e é um mentiroso contumaz, xenófobo desenfreado, racista e misógino que prometeu repetidas vezes impedir todos os muçulmanos – 1,6 bilhão de pessoas de uma religião inteira – de entrar nos Estados Unidos.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

LEIA MAIS:

- A performance de Trump no debate foi a pior de todos os tempos

- Se você é gay e apoia Trump, não se importa conosco

- J.K. Rowling defende o direito de Donald Trump ser 'ofensivo' e 'preconceituoso'

TAMBÉM NO HUFFPOST BRASIL:

Close
13 frases (apavorantes) de Donald Trump
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção