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'Se não fizermos os cortes agora, não teremos um País saudável daqui a 4, 5 anos'

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MICHEL TEMER
Marcos Corrêa / PR
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Em defesa da PEC 241, que estabelece um teto global para os gastos da União, o presidente Michel Temer disse, em entrevista exclusiva à Miriam Leitão, que a proposta pode ser revista, caso a economia brasileira melhore. O presidente tentou desmontar a tese de que há cortes na saúde e na educação. Segundo ele, a medida é importante para retomar a confiança do setor privado e atrair investimentos.

Se não fizermos os cortes agora, não teremos um País saudável daqui 4, 5 anos. (…) Se não houver um certo sacrifico, não tiramos o País da crise."

A proposta, de acordo com o presidente, permite que dentro de um teto global, o orçamento seja revisto para cada setor. “Não sei bem como será no futuro, pode tirar de outros setores, mas não vai reduzir da saúde e da educação”, garantiu.

Criticado pela proposta, Temer se prontificou em enfatizar que nenhum direito será afetado, nenhum programa social, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida ou o de concessão de bolsas a estudantes, e que trabalha para retomar a geração de empregos.

Ainda de acordo com ele, a ideia de que o orçamento estará engessado, independentemente do crescimento do País, também é errada.

"Pergunto, não se pode revisar daqui a quatro, cinco, seis anos? De repente, o Brasil aumenta a arrecadação e pode-se modificar? Eu acho que pode. Você propõe uma nova emenda constitucional que reduz o prazo de dez anos para quatro, cinco anos. Ou seja, o país não ficará engessado em função do teto. (…) Não significa que o Congresso não possa rever essa matéria.”

Reforma previdenciária e trabalhista

À jornalista, Temer afirmou que a reforma da previdência está em negociação e que o tema será debatido com as centrais sindicais e com os líderes partidários. O presidente confidenciou ainda que se aposentou como procurador há 20 anos, mas que naquele tempo o deficit da previdência não era do tamanho que é hoje.

Quanto à trabalhista, ele disse que não desistiu da reforma. “Ocorreu um fenômeno curioso”, afirmou. A principal proposta do governo Temer era fazer com que os acordos coletivos tivessem peso maior que o da lei trabalhista, o que, segundo ele, já ocorre.

“Verificaram-se dois fatos, que o STF já acolheu uma convenção coletiva em que ultrapassa os limites legais. E, segundo ponto, editou-se uma medida provisória que permite a redução de 30% do salário para manter o emprego, desde que acordado e isso foi feito. Só desistirei dela ou outros temas se, após passar teto e prevê já não houver mais necessidade dela, se a cultura jurídica já tiver absolvido a ideia q lançamos na Ponte para o Futuro."

Lava Jato

Temer se defendeu das menções na Operação Lava Jato. Ele negou que tenha indicado um diretor para a Petrobras e que tenha pedido contribuição para campanha. “Convenhamos que a esta altura tenho prestígio suficiente para pleitear uma contribuição para o partido sem precisar de figuras secundárias”, explicou.

Cassação pelo TSE

O presidente também se defendeu da ação que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa dele e da ex-presidente Dilma Rousseff, que pode levar a cassação do mandato.

“Responsabilizar o vice, como responsabiliza o presidente, é como se um sujeito atropela alguém e o condutor é condenado, mas como eu estava do lado, sou condenado também.”

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