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Trump tem novas acusações de abuso sexual e diz que é conspiração

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Mais uma mulher acusou o candidato presidencial dos EUA pelo Partido Republicano, Donald Trump, de abuso sexual. A nova acusação se soma a uma lista crescente de mulheres que contaram histórias semelhantes.

Summer Zervos, que competiu na quinta temporada do programa de televisão programa O Aprendiz, em 2006, concedeu uma entrevista coletiva com a advogada de celebridades Gloria Allred, em Los Angeles, dizendo que Trump a beijou, tocou seu peito e tentou levá-la para se deitar numa cama com ele durante uma reunião em 2007 sobre um possível emprego.

O reality show foi apresentado por Donald Trump durante muitos anos pela rede de televisão americana NBC.

"Ele me agarrou e eu tentei afastá-lo. Eu empurrei o peito dele para colocar espaço entre nós e disse para ele cair na real. Ele repetiu as minhas palavras, 'caia na real', enquanto começou a pressionar com seus órgãos genitais", disse Zervos.

Ela afirmou que achava que Trump iria levá-la para jantar para discutir um emprego, mas a reunião aconteceu em seu bangalô no Hotel Beverly Hills, onde mais tarde ele pediu um sanduíche para os dois.

"Fiquei pensando se o comportamento sexual era algum tipo de teste e se eu tinha passado ou não", rejeitando-o, ela disse, mas Trump depois ofereceu-lhe um emprego em um campo de golfe por metade do salário que ela tinha pedido.

Trump divulgou um comunicado negando as alegações.

"Lembro-me vagamente da senhora Zervos como uma das muitas concorrentes em 'O Aprendiz' ao longo dos anos. Para ser claro, eu nunca a encontrei em um hotel ou a saudei de maneira inadequada uma década atrás", disse Trump. "Isso não é quem eu sou como pessoa, e não é como eu tenho conduzido a minha vida."

Em relato feito ao jornal The Washington Post, outra mulher – Kristin Anderson, hoje com 46 anos – disse que Trump tocou sua vagina por baixo de sua saia em uma boate em Nova York. Na época, Kristin tinha 20 anos e tentava ingressar na carreira de modelo.

A situação ocorreu no início de 1990 no China Club, em Manhattan. e Anderson resolveu falar pela primeira vez sobre o caso de assédio em entrevista ao jornal americano.

"Acusações fabricadas"

Em um comício na última sexta-feira (14), Trump se referiu raivosamente às alegações que várias mulheres fizeram sobre ele nos últimos dias, chamando-as de "doentes" e dizendo que as acusações foram fabricadas.

"Eu não sei quem são essas pessoas. Eu olho na televisão, eu acho que é uma coisa repugnante e está sendo empurrada, elas não têm testemunhas, não há ninguém por perto", disse Trump no comício em Greensboro, na Carolina do Norte. "Algumas estão fazendo isso por, provavelmente, um pouco de fama."

Ele questionou os motivos do aparecimento de várias acusações de mulheres, a pouco mais de 20 dias das eleições para presidente dos Estados. As eleições vão ocorrer no dia 8 de novembro deste ano.

A campanha de Trump pela Casa Branca vem lutando para se recuperar da divulgação de um vídeo de 2005 no qual ele se vangloria de apalpar mulheres e fazer insinuações sexuais indesejadas.

Embora o empresário tenha dito que o vídeo era só falatório e que jamais se comportou dessa maneira, subsequentemente várias mulheres foram a público com alegações de má conduta sexual contra o magnata do setor imobiliário de Nova York que datam de três décadas.

O vice-candidato presidencial republicano, Mike Pence, defendeu vigorosamente o cabeça de chapa.

"Fiquem ligados. Sei que há mais informações que virão à tona que irão sustentar sua afirmação de que tudo isso é categoricamente falso", disse Pence em uma entrevista ao programa "This Morning", da rede CBS.

Consequências

O surgimento de relatos de mulheres com acusações a respeito do comportamento sexual de Donald Trump está dividindo o Partido Republicano. Cerca de 40 políticos que integram o partido declararam que não mais apoiarão o empresário. Desses 40 membros partidários, 30 sugeriram que Donald Trump ceda o lugar de candidato para outro.

Conspiração

Se dentro do Partido Republicano é cada vez maior o número de políticos que discordam da candidatura de Donald Trump, fora do partido os conflitos atingem proporções ainda maiores. Os conflitos estão sendo provocados pelas afirmações de Donald Trump, em comícios durante esta semana, de que sua candidatura vem sendo combatida por uma conspiração internacional. De acordo com a teoria conspiratória, o plano tem como objetivo não só minar sua candidatura, mas a própria soberania americana.

Em um comício em West Palm Beach, no estado da Flórida, quinta-feira (13), Trump disse o seguinte: "[A candidata do Partido Democrata] Hillary Clinton reúne-se em segredo com bancos internacionais para traçar a destruição da soberania dos Estados Unidos a fim de enriquecer esses poderes financeiros globais, seus amigos, interesses especiais e os seus doadores".

E sobre Hillary Clinton, Trump disse no mesmo comício: "Honestamente, ela deve ser encarcerada. Ela deve ser presa".

Ele mencionou Hillary Clinton e a mídia americana como integrantes da conspiração internacional. E, no comício na Carolina do Norte, ontem, ele criticou os jornalistas do The New York Times, o jornal que entrevistou duas das mulheres que o acusam de assédio sexual:

"Os repórteres do New York Times não são jornalistas. Eles são lobistas corporativos de Carlos Slim e Hillary Clinton". Carlos Slim é o bilionário mexicano que individualmente detém o maior número de ações do The New York Times.

Com informações da Reuters e da Agência Brasil.

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