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Racismo cresce no futebol brasileiro, aponta estudo. E a impunidade é a regra

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YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
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O racismo no esporte não é uma novidade para o brasileiro. Acontece que a discussão do problema é sempre jogada para escanteio, chutado para longe sempre que possível. Vez por outra, porém, como foi o caso com o goleiro Aranha e do meia Tinga, os ataques tornam-se alvo de discussão. Mas, infelizmente, casos como esses são sempre a minoria.

Uma dos possíveis desdobramentos para um problema que não é discutido é justamente que ele não seja punido e, de alguma forma, acabe estimulado e ampliado. É exatamente esse o caminho que sugere o estudo da ONG ‘Observatório da Discriminação Racial no Futebol’, elaborado em conjunto com a Esefid (Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança), ligada à UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e com apoio da Comissão de Direito Desportivo da OAB.

Silenciado, o problema se alastra. De acordo com o levantamento, os casos de racismo nos estádios quase dobraram em 2015: foram 35 ocorrências no ano passado, ante 20 registros em 2014. Deste total, trinta e cinco casos estão atrelados a discriminação racial, um com homofobia e outro com xenofobia. Os números, no entanto, são sempre menores do que os episódios racistas, já que este foram os casos reportados oficialmente. Em 24 episódios o racismo ocorreu dentro das arenas esportivas e 11 através da internet, como no caso do meia são-paulino Michel Bastos.


No Rio Grande do Sul foi registrado o maior número de casos de crimes raciais, passando de cinco em 2014 para nove em 2015. O Estado de São Paulo aparece na sequência, com quatro casos em 2014 e três no ano passado.

Nesta edição, a ONG também levantou casos em outras modalidades. Além do futebol, foram registrados dois incidentes no vôlei, um no basquete e outro na ginástica, totalizando 41 casos no esporte brasileiro em 2015.

A impunidade em números

Apenas 2 casos foram julgados pelo Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), 6 casos foram julgados pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), mas, por outro lado, 17 casos não originaram registros de ocorrência, 10 casos não avançaram mesmo com registro de Boletim de Ocorrência (B.O.).

Atletas apontam racismo no futebol

Ainda que já tenha sido negado por nome do calibre de Pelé, os atletas brasileiros veem, sim, o racismo dentro das quatro linhas. Em pesquisa com 108 atletas que disputaram a série A e B do Campeonato Brasileiro, 75,9% disseram acreditar que exista racismo no futebol brasileiro. Outros 19,4% disseram que não existe racismo.

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