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Feminicídio choca a Argentina, e mulheres prometem parar o país

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LUCIA
Reprodução/Twitter
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Milhares de mulheres devem se reunir em passeatas e em uma greve geral que deve durar uma hora nesta quarta-feira (19), em diferentes cidades da Argentina para protestar contra um caso brutal de feminicídio que chocou o país.

Lucía Pérez morreu, aos 16 anos, em um caso que foi classificado pela juíza responsável pelas investigações como "uma aberração desumana".

Pelo menos três homens são suspeitos de envolvimento no estupro e na morte da jovem, ocorrido em Mar Del Plata, cidade litorânea a cerca de 400 km da capital, Buenos Aires. Segundo o jornal Clarín, os três - que tem 23, 41 e 61 anos - estão presos.

Após cometer o crime, eles lavaram o corpo da vítima, trocaram suas roupas e levaram a adolescente a um hospital, alegando que Lucía estava sofrendo uma overdose. Os médicos tentaram reanimá-la, mas ela já estava morta ao dar entrada no local, segundo o periódico argentino.

De acordo com a investigação, a menina foi entorpecida com uma grande quantidade de maconha e cocaína, e "estuprada via vaginal e anal, não apenas com o pênis do homem que a violou como também com um objeto pontiagudo, como um pau". A morte de Lucía foi um "reflexo vagal" da violência que sofreu. María Isabel Sánchez, oficial responsável pelo caso, disse que a jovem morreu devido à "dor excessiva" de ser empalada.

Lucía saiu de casa no último sábado (15), quando foi a casa de Matías Gabriel Farías, o mais jovem entre os acusados. Os policiais suspeitam que os dois mantinham "uma espécie de relação sentimental". Ainda de acordo com a investigação, foi uma amiga de Lúcia que colocou os dois em contato, para que Farías fornecesse maconha à adolescente, que não era usuária frequente de drogas. De acordo com os país da vítima, ele se apresentou como namorado de Lúcia ao chegar no hospital.

Foi na casa de Farías, que traficava drogas perto de escolas, que a menina foi drogada e estuprada. Na cena do crime, os policiais encontraram preservativos usados, lençóis e cobertores, além de drogas e munições.

De acordo com o irmão da jovem, Matias, ela saia raramente de casa. Em uma carta, o rapaz contou ainda que a família vem sofrendo ameaças de morte desde o assassinato de Lúcia.

"Devemos ser conscientes, sim, porque esta vez foi Lúcia quem sofreu essa violência de gênero bestial, mas a próxima vez pode ser com você, ou com a pessoa que você mais ama no mundo. Temos que juntar forças e sair para as ruas, para gritarmos todos juntos, e agora mais do que nunca: 'Nem uma a menos'". Somente assim, evitaremos que matem mais milhares de Lúcias. Somente assim poderemos fechar seus olhos, para vê-la descansar em paz".


Segundo o El País
, desde o assassinato da adolescente, pelo menos outras três mulheres foram mortas no país: Silvia Filomena Ruiz, foi esfaqueada aos 55 anos por seu ex-marido. Marilyn Méndez também morreu esfaqueada, aos 28 anos e grávida de três meses. O autor do crime é seu ex-namorado. Vanesa Débora Moreno foi morta pelo marido, aos 38 anos.

No ano passado, a Suprema Corte da Argentina registrou 235 feminicídios, contra 225 no ano anterior.

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