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Lula diz que agentes da lei não entendem governo de coalizão

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Ricardo Stuckert / Instituto Lula
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Em meio a rumores sobre um pedido de prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o PT foi prejudicado nas eleições municipais devido a uma perseguição política e que agentes da lei não entendem o funcionamento de um governo de coalizão.

Em artigo publicado nesta terça-feira (18) na Folha de São Paulo, o petista reitera que sempre teve a "vida pública sempre vasculhada", mas que "jamais encontraram um ato desonesto" de sua parte. "Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história", escreveu. Ele lembrou ainda sua prisão na época da ditadura militar.

Réu em três inquéritos na Operação Lava Jato, Lula disse que os depoimentos que prestou aos investigadores foram "ritos burocráticos vazios", sem perguntas objetivas sobre as hipóteses de acusação.

"Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES."

O ex-presidente é réu por corrupção e lavagem de dinheiro suspeito de ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS por meio de um upgrade em imóveis, reforma e decoração de um tríplex, além do armazenamento de bens do petista pela empreiteira.

Ao apresentar essa denúncia, o procurador da República Deltan Dallagnol identificou Lula como o "comandante máximo do esquema de corrupção" na Petrobras e "verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa". Ele afirmou ainda que o ex-presidente instituiu a propinocracia: uma governabilidade corrompida por meio da distribuição de propina.

No artigo, o petista diz que jamais praticou, autorizou ou se beneficiou de atos ilícitos na estatal ou em qualquer outro setor do governo. "Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma 'organização criminosa', e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que 'não há fatos, mas convicções'.", escreveu.

Em outro inquérito, Lula é investigado por tráfico de influência, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva na Operação Janus, um braço da Lava Jato. A investigação apura irregularidades em negócios entre a Odebrecht e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras em Angola.

Também na Lava Jato, o ex-presidente é acusado numa terceira ação de suposta tentativa de obstruir a Lava Jato ao tentar impedir o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró de assinar delação premiada.

Na avaliação de Lula, a aceitação da denúncia do caso do tríplex pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba Sergio Moro cinco dias após ter sido apresentada pelo MP e a prisão dos ex-ministros da Fazenda Guido Mantega e Antonio Palocci "foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito"

No primeiro turno das eleições municipais, o PT conquistou 256 prefeituras. Uma redução de 59,4% em relação a 2012, quanto tinha 630 prefeituras. Nas capitais, apenas Marcos Alexandre conseguiu se reeleger em Rio Branco (AC). O partido também conseguiu enviar João Paulo para o segundo turno no Recife (PE).

O ex-presidente disse ainda que a "perseguição política" contra ele visa acabar com um projeto de país com oportunidades para todos. De acordo com ele, programas como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e a valorização dos salários "proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos".

"Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar."

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