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5 realidades preocupantes sobre o estado da saúde mental nos Estados Unidos

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Um em cada cinco adultos americanos passa por um transtorno de saúde mental em qualquer ano dado. Assim, muitos de nós provavelmente conhecemos alguém que enfrenta um transtorno psicológico.

Mas, quando se trata de entender esses transtornos, muitas vezes deixamos a desejar.

Reunimos algumas das descobertas mais importantes nessa área feitas este ano. Elas comprovam que, para facilitar a vida das pessoas diagnosticadas com um problema mental, é crucial continuar a informar a população sobre saúde mental e defender as pessoas que apresentam problemas.

saude mental

1. O índice de suicídio está subindo.

Um relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, publicado em abril deste ano, constatou que as mortes por suicídio chegaram ao nível mais alto em 15 anos. O maior aumento se deu entre meninas na faixa dos 10 aos 14 anos, um grupo em que o índice de suicídio subiu espantosos 200% nas últimas várias décadas.

“O suicídio não é apenas uma questão de saúde mental – é um problema de saúde pública, e é evitável”, disse a cientista comportamental Kristin Holland, da Divisão de Vigilância e Prevenção de Violência do CDC, falando ao Huffington Post após a divulgação do estudo.

2. A mídia faz uma representação incorreta da doença mental e da violência.

Um estudo da Universidade Johns Hopkins divulgado em junho constatou que mais de um terço dos artigos sobre doença mental relatados na mídia vinculam um transtorno de saúde mental com violência em relação a outras pessoas.

É uma cifra totalmente desproporcional, comparada com os índices reais de violência envolvendo pessoas com uma doença mental.

Pesquisas revelam que apenas entre 3% e 5% dos crimes violentos podem ser atribuídos a uma doença mental grave.

Na realidade, as pessoas com transtornos de saúde mental têm mais chances de ser vítimas de crimes violentos que seus autores.

3. Os transtornos de saúde mental hoje são a condição de saúde que gera mais custos nos Estados Unidos.

Uma pesquisa publicada este ano no periódico Health Affairs concluiu que em 2013 (o ano mais recente para o qual existem cifras disponíveis) os EUA gastaram US$201 bilhões com transtornos psicológicos.

E um estudo separado realizado pela Organização Mundial de Saúde descobriu que condições de saúde mental não tratadas, como ansiedade e depressão, podem custar ao mundo US$1 trilhão por ano.

Pesquisadores dizem que esse custo é um indício claro de que mais pessoas precisam reconhecer a saúde mental como um problema de saúde público que requer políticas e prevenção adequadas, como as doenças cardiovasculares ou a diabetes.

4. Os médicos não tratam a doença mental com a seriedade devida.

Doenças mentais são uma condição crônica, mas não é o que se poderia imaginar, com base no acompanhamento médico.

Os profissionais médicos frequentemente deixam de acompanhar a situação de seus pacientes que receberam diagnóstico de depressão e, segundo estudo publicado no Health Affairs em março, têm menos probabilidade de ajudar os pacientes a controlar a doença.

Esses mesmos médicos tendem muito mais a seguir estratégias de atendimento com pacientes que têm doenças físicas, como diabetes.

5. Não foi dada a devida atenção à saúde mental durante o ciclo eleitoral.

A arena política vem sendo pouquíssimo receptiva a discussões sobre saúde mental.

O candidato presidencial republicano, Donald Trump, sugeriu que doenças mentais são a causa da violência com armas de fogo, caçoou da mulher de Ted Cruz, Heidi Cruz, por passar por depressão, e fez comentários desairosos sobre veteranos de guerra que cometem suicídio.

O pré-candidato democrata Bernie Sanders, falando sobre o Partido Republicano, fez uma piada sobre transtornos psicológicos.

A saúde mental vem sendo usada para desancar adversários, mas não foi até agora mencionada em um contexto sério e construtivo nos debates políticos. É um indício claro de que há muito que precisa ser feito.

Felizmente, a primeira-dama Michelle Obama e o presidente Barack Obama defendem uma reforma da saúde mental e uma atitude de mais abertura e compreensão desses transtornos.

6. Celebridades vêm utilizando suas plataformas para promover transformações positivas.

As notícias não são todas negativas: este ano, celebridades como a atriz Wynona Ryder, de Stranger Things, o cantor Zayn Malik e Kristen Bell, estrela de Frozen, falaram francamente com a mídia e seus fãs sobre suas próprias experiências com transtornos de saúde mental.

Especialistas enfatizam que figuras públicas que utilizam sua influência para falar de saúde mental podem exercer impacto grande. Quanto mais a saúde mental for normalizada na discussão nacional, mais fácil será romper os estereótipos.

“As celebridades que sofrem doença mental e se dispõem a falar disso transmitem uma mensagem importante”, disse anteriormente ao HuffPost o diretor do departamento de psiquiatria da Universidade de Michigan, Gregory Dalack.

“Ter uma doença mental não significa que você não possa funcionar no nível mais alto e ter sucesso.”

É claro que a discussão pública sobre esse tema é apenas uma parte de uma equação complicada. A sociedade ainda tem um longo caminho a percorrer em matéria de saúde mental como um todo.

Sempre há lugar para mais pesquisas, legislação e compaixão para que as pessoas comecem a levar a saúde mental tão a sério quanto qualquer outro problema de saúde – como deveria ser.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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