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O fardo de Hillary: Não apenas vencer, mas vencer de forma convincente

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HILLARY CLINTON
Lucy Nicholson / Reuters
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Diferentemente dos dois primeiros debates entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o terceiro confronto, na Universidade de Nevada em Las Vegas, será todo focado em Hillary Clinton. E ela tem um fardo maior do que simplesmente tentar vencer a eleição.

Talvez seja injusto – a política é injusta --, mas o estado do país e sua política em frangalhos exigem da candidata democrata mais do que uma mera vitória na eleição.

Clinton tem de vencer de forma convincente para ter a chance de proteger a confiança do público na máquina eleitoral, na capacidade de funcionamento do governo federal e na credibilidade da democracia americana.

Ela tem de liquidar a fatura em seus próprios termos e em interesse próprio.

Se ela não o fizer – se for mal no debate de quarta-feira e nas últimas três semanas da campanha --, corre o risco de um resultado que deixe Donald Trump derrotado, mas ainda em pé – e disposto a continuar afirmando que o resultado da eleição foi fraudado.

Se ela não o fizer, vai enfrentar um governo dividido em Washington, sem mandato real e sem poder de barganha.

“Mesmo que ela leve consigo vários democratas, mesmo que os democratas conquistem o Senado e até mesmo a Câmara, não será fácil”, disse Normal Ornstein, um especialista na política de Washington. “Sem isso, é difícil contemplar como ela vai conseguir fazer algo.”

A campanha de Clinton tem plena consciência do desafio – e da oportunidade.

Representantes da campanha e do partido estão tentando estender o campo de batalha, tanto em termos dos estados em que Clinton possa sair vitoriosa como nas disputas de cadeiras no Congresso que eram dadas como perdidas pouco tempo atrás.

A democrata pode até mesmo vencer no Texas, graças ao peso do eleitorado de origem latina – que a família Bush entende muito bem, mas que Trump desprezou de forma grosseira.

Se os democratas conquistarem a maioria no Senado – sem falar na Câmara --, uma Hillary Clinton presidente poderia negociar em posição de superioridade.

E este é o desafio de Clinton, começando pelo debate: manter a tendência de crescimento.

Se Trump e os republicanos sofrerem uma grande derrota, a ala inflexível do partido pode ficar enfraquecida a ponto de permitir a volta das concessões e da política bipartidária no país.

Em outras palavras, Washington pode voltar a funcionar, nem que só um pouco.

Clinton tem vantagem crescente em virtualmente todas as pesquisas. Analistas – e os lendários agenciadores de apostas de Las Vegas – dão a ela 90% de chances de vitória. A liderança modesta nas intenções de voto popular pode se transformar numa vitória significativa graças à matemática do Colégio Eleitoral.

As tendências não sofrem grandes alterações tão perto da eleição, mas também é verdade que três semanas são um período muito longo na política americana, especialmente nesta era de hipermetabolismo e de Twitter e Facebook.

Eis o desafio de Clinton, começando pelo debate: manter a tendência de crescimento.

A esta altura, poucas novidades (ou notícias ainda piores) podem ser reveladas a respeito de Trump. Ele é o que é. Seus apoiadores são ferozes, não necessariamente porque o adorem pessoalmente, mas porque enxergam no candidato um míssil que vai destruir o establishment político e financeiro e as elites que eles detestam.

O restante do país (e isso claramente significa a maioria) acha que Trump é maluco e não tem a qualificação necessária para assumir a Presidência.

Em outras palavras, Trump basicamente cavou a própria cova.

Mas isso não quer dizer que o país esteja ansioso para aceitar, muito menos acolher, Hillary Clinton.

Por mais que os eleitores gostem das políticas da candidata – e de suas propostas de saúde, educação e direitos das mulheres, entre outras --, Clinton é vista como uma mulher de duas caras, uma manipuladora extremamente hábil na barganha suja entre os políticos e o dinheiro das grandes corporações.

Seus próprios assessores temem que ela não tenha oferecido uma visão empolgante e enobrecedora de um eventual governo Hillary Clinton. Até aqui, isso tem sido pouco relevante, pois ela tem concentrado seus esforços em apontar os defeitos de Trump.

Mas Clinton ainda precisa de um grande tema positivo.

Enquanto isso, o WikiLeaks, de Julian Assange, vem publicando uma torrente de emails da campanha de Clinton (provavelmente trabalho de hackers russos, segundo o FBI). Os emails acrescentam um lado vívido à narrativa de que a democrata manobra nos bastidores para conquistar poder e dinheiro. Não há provas incontestáveis, mas no geral as coisas não cheiram muito bem.

Eleitores jovens e minorias, que deveriam estar loucos para votar em Clinton, mostram cautela – pelo menos por enquanto. Idem para os moradores dos subúrbios – de todos os credos e cores – que não aturam Trump, mas também não se sentem à vontade votando em Clinton.

Clinton tem de convencer eleitoras como Ana Santos, aluna do quarto ano da Universidade de Nevada em Las Vegas, onde acontece o terceiro debate.

“Estou indecisa”, disse Santos na terça-feira (18). Natural de Las Vegas, a estudante de 21 anos estuda política e comunicação e afirma que “jamais votaria em Trump”.

Ela também não votaria em nenhum dos independentes, como o libertário Gary Johnson ou Jill Stein, do Partido Verde.

Então ela apoia, Hillary, certo?

“Pois é por isso que estou indecisa – entre votar ou não votar”, disse Santos. “Gosto de algumas posições, mas não confio nela. Os emails... toda a história dela. Não sei se vou votar.”

“Mas vou assistir o debate.”

Ela e outros 80 milhões de americanos.

Nota do editor: Donald Trump incita regularmente a violência política e é um mentiroso contumaz, xenófobo desenfreado, racista e misógino que prometeu repetidas vezes impedir todos os muçulmanos – 1,6 bilhão de pessoas de uma religião inteira – de entrar nos Estados Unidos.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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