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Contra o feminicídio, mulheres tomam as ruas na América Latina

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A sessão no plenário do Senado argentino foi menor nesta quarta-feira (19). Logo cedo, as senadoras avisaram que, no final da tarde, estariam em frente ao Obelisco, emblemático ponto de Buenos Aires.

Algumas parlamentares também paralisaram suas atividades logo no começo da tarde, em uma greve geral de uma hora convocada por coletivos feministas.

"Entre guarda-chuvas e silêncio", escreveu o jornal Clarín, sobre o protesto que reuniu milhares de mulheres.

As manifestações foram motivadas por um dos feminicídios mais brutais já registrados na Argentina. Lucía Pérez morreu, aos 16 anos, em um caso que foi classificado pela juíza responsável pelas investigações como "uma aberração desumana".

De acordo com o inquérito, a menina foi entorpecida com uma grande quantidade de maconha e cocaína, e "estuprada via vaginal e anal, não apenas com o pênis do homem que a violou como também com um objeto pontiagudo, como um pau". A morte de Lucía foi reflexo da violência que sofreu. María Isabel Sánchez, oficial responsável pelo caso, disse que a jovem morreu devido à "dor excessiva" de ser empalada.

Após cometer o crime, os acusados lavaram o corpo da vítima, trocaram suas roupas e levaram a adolescente a um hospital, alegando que Lucía estava sofrendo uma overdose. Os médicos tentaram reanimá-la, mas ela já estava morta ao dar entrada no local, segundo o Clarín.

Pesquisas recentes de opinião mostram que segurança substituiu inflação como a principal preocupação dos argentinos, e o caso de Lucia provocou especial indignação.

A dor e a revolta que levaram milhares de mulheres às ruas da Argentina não ficou restrita ao país vizinho. Em toda a América Latina e em países como França e Espanha, milhares de pessoas se manifestaram pedindo um basta na violência contra a mulher, em uma manifestação que foi chamada de #MiércolesNegro (Quarta-feira negra, em tradução livre), em alusão às roupas pretas usadas pelas mulheres, para sinalizar o luto.

Ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner postou, em seu Instagram, uma mensagem na qual diz: "Nos quero nos espaços políticos e sociais, nos quero na ciência, na cultura e em cada espaço que promova nossa sociedade a um lugar mais justo e igualitário, nos quero na justiça e nos hospitais, nas escolas e nas ruas".

Todas. #niunamenos

Uma foto publicada por Cristina Fernández de Kirchner (@cristinafkirchner) em


No Twitter, a presidente do Chile, Michelle Bachelet também se manifestou. No país andino, as mulheres devem ir às ruas de pelo menos 30 cidades, para protestar contra a violência contra a mulher.

"Por Florencia Aguirre, de Coyhaique. Por Lucía Perez, de Mar del Plata. Por todas as mulheres, eu digo com força #NiUnaMenos".

Além de falar de Lucía, Bachelet também fez referência a Florência, uma menina de dez anos que foi morta depois de ser asfixiada e queimada pelo padrasto, em um caso que revoltou o Chile. Segundo o jornal La Tercera, o Chile já registrou 39 casos de feminicídio em 2016.

Na Cidade do México, centenas de mulheres se reuniram em marcha até o Palácio de Belas Artes, onde foram entregues folhetos informativos que pediam que mulheres vítimas de agressão denunciem o caso. "Desculpem o incômodo, mas estou sendo assassinada", era um dos gritos de ordem que se ouvia no local, segundo o portal mexicano 24 Horas.

O México, segundo o portal Terra, vive uma onda de assassinatos contra mulheres transexuais. Entre 30 de setembro de 13 de outubro, três mulheres trans foram vítimas de feminicídio no país.

Segundo a ONU Mulheres, desde 2007, 15 países latino-americanos aprovaram leis que tipificam o feminicídio: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela. Em 2015, a lei que classifica feminicídio como crime hediondo foi sancionada no Brasil.

Segundo um estudo conduzido pelas Nações Unidas, as maiores taxas de feminicídio do mundo estão concentradas em El Salvador, Honduras e Guatemala.

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