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Cármen Lúcia sobre boatos nas redes: 'Leio coisas sobre essa Cármen Lúcia que até eu fico contra'

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CRMEN LCIA
José Cruz/ Agência Brasil
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Presidente do Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia fez um alerta sobre a facilidade de disseminação de mentiras na internet. Em uma palestra sobre liberdade de expressão no X Fórum da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, a ministra brincou e disse que até ela fica contra as coisas que lê sobre a sua pessoa.

"Você pode hoje construir uma notícia, uma narrativa, dotá-la de perfeita coerência, espalhar pelas redes sociais, colocar meio mundo a favor daquilo, simplesmente sem que aquilo tenha acontecido”, disse. "E olha que leio coisas sobre essa ministra Cármen Lúcia que até eu fico contra”, completou, segundo a Folha de S.Paulo.

A ministra ressaltou que a imprensa tradicional tem um “marco normativo e ético” que faz com que as matérias se sustentem em fatos comprovados.

"A imprensa tinha marco normativo e, principalmente, tinha marco ético dentro do qual ela circulava. E portanto a liberdade de expressão, a liberdade de informação tinham um embasamento centrado em fatos que podiam ser comprovados."

Na avaliação dela, principalmente por meio das redes sociais, a internet mudou a ideia de tempo e de espaço, afetando desde o ritmo da imprensa ao cotidiano dos juízes. A expectativa dela é que a ferramenta se torne um novo espaço para o exercício da democracia.

“Às vezes eu me pergunto se não estamos tendo uma grande oportunidade de passar da democracia representativa para formas de democracia direta. Quando eu dava aula, só passava para os meus alunos esse tema como um dado histórico, vindo da Grécia, onde os assuntos eram colocados em praça pública para todos poderem opinar e decidir. Agora temos uma praça virtual, podemos ter de novo uma ágora para todos se manifestarem”, disse, segundo a IstoÉ.

A ministra aproveitou para fazer um discurso enfático contra a censura. "Sou de uma geração que ficou calada durante muito tempo, como dizia Chico Buarque, falando de lado e olhando para o chão, e não gostei dessa experiência”, afirmou.

Em seguida, disse que a imprensa é livre e não é livre como poder. "É livre até como uma exigência constitucional para se garantir o direito à liberdade de informar, e do cidadão ser informado para exercer livremente a sua cidadania. Portanto, eu vou dar cumprimento ao que o Supremo já decidiu reiteradamente: é fato, cala a boca já morreu.”

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