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Governo Temer silencia sobre prisão de Cunha. Nos corredores, o medo de 'vingança' cresce

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A prisão de Eduardo Cunha após longo período de investigações na Operação Lava Jato causa transtornos em Brasília. Dentro do governo Michel Temer (PMDB), a visão é de que o deputado cassado e, até pouco tempo, todo poderoso presidente da Câmara dos Deputados, pode agir de forma "vingativa" e "não cair sozinho". Essas são as informações trazidas pelos principais jornais brasileiros nesta quinta-feira (21).

Nesta manhã, ao deixar o exame de corpo delito, no Instituto Médico Legal (IML), de Curitiba, falou rapidamente sobre sua prisão: "É uma decisão absurda".

Para o Estadão, o primeiro alvo de uma possível delação de Cunha seria o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, homem próximo a Temer. O ex-deputado já acusou, inclusive, Moreira Franco de estar por trás de irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), que é administrado pela Caixa e financia obras de infraestrutura.

Na Folha, a possibilidade de que a prisão possa levar Cunha a optar por delação premiada para que seja beneficiado com a diminuição de sua pena é levantada.

O Planalto, escreve o colunista Valdo Cruz, considera Cunha como um político "incontrolável".

"Além do receio de que uma eventual delação atinja nomes próximos a Temer, inclusive o próprio presidente, governistas temem que ela acabe prejudicando as votações de interesse do Planalto na Câmara dos Deputados".

Em linha semelhante segue o colunista Josias de Souza, do Uol. Para ele, Cunha leva para a prisão "muita mágoa" por ter sofrido "traição".

"Desde que foi cassado, há 38 dias, Eduardo Cunha atribui sua derrocada a Michel Temer e aos auxiliares palacianos do presidente. Com o passar do tempo, Cunha evoluiu da lamentação para a execração. Vangloriava-se de ter “enxotado Dilma” da Presidência da República. Considerava-se credor de alguma “gratidão”. E queixava-se de ter recebido apenas 'traição'"

.

'Dor de cabeça'

Fora do País, a visão de que Cunha pode funcionar como um homem-bomba no colo do governo Temer também é compartilhada. Para o The New York Times, a capacidade de criar "dor de cabeça" é real. O jornal lembra o livro que Cunha está escrevendo - e que pode ser publicado em novembro -, além das ameaças que já fez a antigos aliados.

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