Huffpost Brazil

Em debate, Trump diz que 'não sabe' se vai aceitar resultado das eleições

Publicado: Atualizado:
DEBATE
Reuters
Imprimir

"Vou manter o suspense".

Foi dessa forma que o candidato republicano à presidência dos EUA Donald Trump declarou que "não sabe" se vai aceitar o resultado do pleito que vai definir o próximo presidente dos EUA.

A declaração - chocante e inédita - do candidato, foi feita nesta quarta-feira (20), no terceiro e último debate presidencial entre Trump e sua adversária, a democrata Hillary Clinton.

O debate entre os candidatos aconteceu na Universidade de Nevada, em Las Vegas, foi o último de três embates televisionados e teve uma média de 80 milhões de espectadores. A 19 dias da eleição, o evento também foi a chance final de cada candidato em convencer milhões de americanos a irem às urnas no próximo dia 8 de novembro - sempre é bom lembrar que o voto não é obrigatório por lá.

O clima de hostilidade continuou entre os dois, que não apertaram as mãos no começo do debate.

Com um nível bem mais alto do que os anteriores, o debate foi marcado por um Trump mais comedido, pelo menos em um primeiro momento - na segunda metade do debate, no entanto, o candidato perdeu calma e começou a fazer algo que foi constante nos últimos dois debates: elevar o tom de voz e interromper Hillary. Sua mudança parcial de comportamento, ainda que o impacto dos debates seja limitado, pode ajudar a estancar a crise que afeta sua campanha nas últimas semanas.

De acordo com uma pesquisa da CNN feita imediatamente após o debate, 52% do eleitorado vê Hillary como vencedora, e 39% Trump. Para 60% dos entrevistados, no entanto, Trump foi mais agressivo do que sua oponente.

Trump, que vem disparando uma série de comentários em suas redes sociais que colocam em xeque a credibilidade do processo democrático americano , manteve essa estratégia e fez severas críticas à imprensa americana, que chamou de "corrupta e desonesta".

Hillary revidou, dizendo que "não é assim" que a democracia americana funciona, lembrando o episódio em que "O Aprendiz", programa comandado por Trump não ganhou o Emmy, e ele acusou a premiação de ser injusta. "Toda vez que Donald não tem o que dizer, ele diz que é armado contra ele", afirmou a democrata.

O debate foi mediado por Chris Wallace, da Fox News. Entre os temas anunciados para a discussão estavam dívidas do governo, imigração, economia, a Suprema Corte, benefícios sociais, assuntos externos e o preparo de cada um dos candidatos para assumir a presidência. Cada tema foi explorado por 15 minutos, e esse debate não teve a participação de eleitores indecisos.

Eleitorado feminino

Nas últimas semanas, segundo a NPR, uma das buscas mais feitas no Google foi "Is Trump Trying to lose" ("Trump está tentando perder?", em tradução livre). E, de fato, esta cada vez mais difícil entender qual a estratégia do republicano, que nas últimas semanas teve sua reputação abalada por uma série de escândalos sexuais.

O debate, de fato, deve ter um impacto significativo no eleitorado feminino. Depois de provocar risadas da plateia ao afirmar "ninguém tem mais respeito pelas mulheres do que eu", Trump se referiu a Hillary como "nasty" (adjetivo que pode significar suja ou indecente). A ofensa foi proferida quando Hillary falou sobre sua proposta de taxar apenas os mais ricos.

A sucessão de escândalos sexuais, que provocou uma debandada na campanha de Trump - inclusive de importantes figuras republicanas - também veio à tona. Nessa hora, Trump repetiu a estratégia que adotou no último debate, poucos dias após um vídeo onde ele faz comentários misóginos e pejorativos sobre mulheres vir à tona.

Novamente, o empresário negou as acusações, disse que não pediu desculpas à mulher, Melania Trump (que afirmou que ele se desculpou) e desqualificou as mulheres que o acusam de assédio sexual, dizendo que nunca as viu na vida. "Mentiras e ficção que garantiram 10 minutos de fama a elas".

Segundo assunto da noite, o aborto foi tema quando Trump afirmou que vai nomear juízes "pró-vida" para a Suprema Corte. Para o candidato, suas escolas podem por em xeque o caso Roe v. Wade, que embasa a lei que permite que as mulheres nos EUA interrompam a gravidez no 1º trimestre.

Contrária à opinião do republicano, Hillary foi categórica ao dizer que o aborto é "a decisão mais íntima e muitas vezes a decisão mais difícil da vida de uma mulher, e eu não acho que caiba ao governo fazê-la".

A candidata ainda criticou normas severas impostas por alguns estados, que impedem que "as mulheres exercitem suas escolhas". A declaração foi criticada por Trump, que em uma das suas falas mais surreais, acusou Hillary de propor uma legislação permissiva "que deixaria que as mulheres abortassem até o último dia de gravidez".

Fronteiras e Imigração

Contando que na plateia do debate havia quatro mães cujos filhos foram mortos por imigrantes ilegais, Trump insistiu na ideia de construir um muro na fronteira com o México, e também ressaltou a importância de fronteiras fortalecidas. "Não temos país se não tivermos fronteiras".

"Quero construir um muro, precisamos do muro. Nós temos algumas pessoas muito ruins nesse país, que precisam ir embora. Vamos tirá-las e reforçar a segurança na fronteira".

Hillary rebateu a declaração de Trump, dizendo que seu projeto "não condiz com o que somos como nação".

"É uma ideia que isola nosso país. Eu votei pela segurança das fronteiras no Senado, e é claro que minha compreensão de reforma imigratória inclui a segurança de fronteira, mas temos outras prioridades".

Em uma noite marcada por muita ironia, a candidata ainda aproveitou para alfinetar Trump, ao dizer que é importante "tirar os imigrantes ilegais da sombra".

"Isso é bom, pois empregadores como Donald Trump não poderão explorá-lo", disse ela, fazendo referência às acusações de que Trump empregou imigrantes ilegais para construir seus empreendimentos em Nova York. "Quando eles reclamaram, ele ameaçou deportá-los", acusou Hillary.

A noite também não foi fácil para a democrata, que teve que responder questionamentos sobre os vazamentos de documentos pelo Wikileaks, as finanças da Fundação Clinton e um possível favorecimento de interesses da instituição filantrópica na época que ela atuava como Secretária de Estado.

Trump também afirmou que o presidente da Rússia, Vladmir Putin, não respeita a candidata.

Refugiados e Síria

Sobre esse assunto, Trump fez severas críticas à Hillary, acusando-a de fomentar o crescimento do grupo extremista Estado Islâmico na época em que era Secretária de Estado. Ele ainda criticou o acordo nuclear com o Irã, e disse que o país vai ser o maior beneficiado com o cerco a Mossul, atualmente dominada pelo Estado Islâmico.

Por fim, o Trump xenofóbico reapareceu. Ao falar sobre os refugiados sírios, que fogem de uma guerra que já matou mais de 250 mil pessoas e deslocou milhões (dentro e fora das fronteiras do país), ele insinuou que eles estão "alinhados com o Estado Islâmico".

Trump, que já defendeu diversas vezes a ideia de proibir todos os muçulmanos de entrarem no país, disse que os refugiados representam "um cavalo de Troia" para os EUA, que vão aumentar a quantidade de ataques terroristas no país nos próximos anos. "Esperem e vejam o que vai acontecer no futuro. Muito obrigado, Hilllary", disse ele, apelando mais uma vez para a ironia que foi onipresente no debate, que acabou sem nem mesmo um aperto de mão.

LEIA MAIS:

- O fardo de Hillary: Não apenas vencer, mas vencer de forma convincente

- Pesquisa mostra Hillary 11 pontos percentuais à frente de Trump

- Conversamos com um dos organizadores do ato pró-Trump no Brasil

Também no HuffPost Brasil

Close
13 frases (apavorantes) de Donald Trump
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção