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Chileno que carregou 'cartaz feminista' em protesto foi denunciado pela ex-mulher por violência

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CARTAZ CHILE
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Na última quarta-feira (19), milhares de mulheres tomaram as ruas em diversas cidades da América Latina para pedir o fim da violência de gênero.

Os protestos foram convocados por vários coletivos feministas, especialmente na Argentina. O assassinato de Lúcia Perez, morta após ser drogada e estuprada, causou revolta e indignação no país, e foi o estopim para a mobilização.

No Chile, no entanto, em uma marcha convocada pelas mulheres, quem roubou a cena foi um homem sem camisa, que carregava um cartaz com os seguintes dizeres: "Estou seminu, rodeado pelo sexo oposto... E me sinto protegido, não intimidado. Quero o mesmo para elas."

Depois de receber muitos elogios nas redes sociais, Felipe Garrido voltou a ser assunto nesta sexta-feira. Francesca Palma, sua ex-mulher, foi categórica: "Se eu não tivesse saído de casa, talvez fosse uma a menos", disse ela, fazendo analogia à hashtag #NiUnaMenos.

Francesca foi entrevistada pelo site chileno El Desconcierto, e contou que o ex-companheiro deve mais de R$ 14 mil em pensão para a filha de 11 anos dos dois e que já foi denunciado por agressões. A pensão não é depositada desde janeiro, e ele já entrou com um recurso para reduzir o valor do auxílio, alegando projetos profissionais frustrados.

Em sua conta do Facebook, ela também fez um desabafo.

"Eu sou mãe da filha que nasceu da relação com este indivíduo, que diz defender nossos direitos e que, por anos, destruiu a vida da minha filha e a minha. Levo cicatrizes em meu corpo e em minhas lembranças, ainda que ele não importe que sua filha tenha o que comer, estudos, saúde. Esse mesmo homem que não paga pensão, que descadastrou sua filha do Isapre [sistema privado de seguros de saúde do Chile] sem avisar, que provocou a depressão que afetou minha filha por muitos anos por culpa do mal-trato psicológico. Sem ir mais adiante, ontem era dia de visita, e ele mandou uma mensagem dizendo que não poderia buscá-la porque teria que trabalhar, agora todos sabemos que era para ir para a marcha, não para o trabalho.

Ele sumiu um ano, logo chegou dizendo que eu não o deixava ver sua filha, tentando me mandar para a cadeia várias vezes. Os tribunais não lhe deram esse prazer, e nos mandaram para terapia, da qual ele nunca participou. Ele segue prejudicando minha filha, inclusive fazendo com que ela durma no chão ou em um colchão inflável enquanto ele dorme na cama.

Por favor, compartilhem e não acreditem em tudo o que veem."

Ao El Desconcierto, ela contou que conheceu o ex aos 15 anos, e quando tinha 19 ficou grávida. Os dois, então, foram morar juntos.

"Sempre cortavam a luz do apartamento. A pessoa que nos ajudava a cuidar da bebê é testemunha de tudo isso. Ali começaram as brigas, porque eu estava cansada de mantê-lo, já que ele não trabalhava. Uma vez ele jogou um prato contra mim e rompeu meu tendão, tenho uma cicatriz no pé. quando chegamos à clínica ele me pediu que não contasse nada ao médico que me atendeu, para que ele não fosse preso. Me arrependo muito de ter feito isso", contou ela, que relatou que ele chegou a forjar ocorrências policiais, alegando que ela agredia a filha.

Já separada, ela disse que os descasos com a pequena continuaram. Em um domingo, após visitar o pai, a menina chegou à casa da mãe às quatro da tarde sem comer e com sintomas de insolação.

"Você imagina como eu me senti quando vi sua foto por todo o lugar?"

O jornal argentino Clarín checou as denúncias por maus tratos. Os processos foram registrados em Santiago, sob os números C1307-2016 C557-2013.

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