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É uma miopia achar que cerveja é coisa de homem, diz VP de Marketing da Ambev

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Paula Lindenberg aposta na desconstrução do machismo na Ambev

As agências de publicidade ainda estão longe de criarem campanhas de cerveja democráticas e, em inúmeros casos, ainda se apoiam nos estereótipos machistas, com a objetificação da mulher.

Mas, na Ambev, as coisas estão andando no caminho oposto. Segundo a vice-presidente de Marketing da companhia, Paula Lindenberg, o grupo detentor de marcas como Skol, Brahma, Stella, Antarctica, Bohemia, Budweiser, entre outras, estão se afastando cada vez mais desse formato machista de vender cerveja.

"A gente sabe que a categoria tem uma associação com a ideia machista, porque realmente essa fórmula foi usada por muito tempo", disse Lindenberg, que participou do evento Dia de Campo, realizado na última quinta-feira (20) pela companhia em Passo Fundo (RS). "A gente [da Ambev] tem se afastado completamente desse tipo de rótulo há algum tempo. Por pelo menos cinco anos a gente não usa mais a história da 'mulher de biquíni', daquele estereótipo da 'gostosona'."

Segundo a executiva, a ordem é abolir propagandas que menosprezem a mulher, uma vez que as brasileiras têm aumentado seu consumo de bebidas alcoólicas nos últimos anos. Um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) revelou que a porcentagem de mulheres que consomem bebida alcoólica frequentemente triplicou nos últimos cinco anos.

De acordo com o estudo, enquanto a porcentagem de homens que consomem pelo menos quatro ou cinco doses de bebida alcoólica por mês passou de 17,9% a 29,4% entre 2005 e 2010, a porcentagem de mulheres que consome a mesma quantidade pulou de 4,6% para 13%.

"A mulher brasileira já toma cerveja há muito tempo. É uma miopia achar que a cerveja é coisa de homem... Não tem por que não incluí-la na comunicação, nas propagandas, nas inovações, nas maneiras de fazer os produtos. A gente tem uma lente, queremos entender a mulher e tornar nossos produtos atrativos para ela."

A VP de Marketing analisa que o mercado ainda é muito machista, mas sabe que as marcas precisam avançar nessa desconstrução. "O consumidor vem evoluindo, e a gente tem que evoluir junto."

E a tendência não é apenas deixar de objetificar a mulher, mas de fazê-la protagonista.

"A gente tem tentado fazer cerveja não só para homem, nem só para mulher, mas em alguns momentos faz sentido usar um homem ou uma mulher como protagonista, como foi o caso da Skol Beats Secret, que tem uma mulher como principal. E vamos fazer cada vez mais isso. Várias marcas são superdemocráticas, não tem por que ficar ancorada só na figura do homem."

É preciso lembrar que no Carnaval de 2015, a campanha "Esqueci o 'não' em casa", da Skol, foi bem criticada nas redes sociais. Centenas de usuários consideraram que a campanha estimulava a perda de controle e o desrespeito, principalmente contra mulheres.

A Skol acabou alterando a campanha, colocando frases que destacavam o dever de respeitar limites durante as folias, como "Não deu jogo? Tire o time de campo" e "Quando um não quer, o outro vai dançar."

Beijo gay

Não só a mulher está ganhando espaço nas campanhas de cervejas. O último comercial da Budweiser veiculou um beijo gay em horário nobre da televisão brasileira, no intervalo do Jornal Nacional. A campanha "Deixe Que Diga" contesta tabus da sociedade e instiga o consumidor a fazer o que o faz feliz.

"Por ser uma marca premium e jovem, a Budweiser quer dar mais relevância a essa questão de ser sempre autêntico. Ela busca estimular as pessoas a viverem menos de aparências, dos rótulos. O beijo gay é uma fração dessa autenticidade."

* A jornalista viajou a Passo Fundo (RS) a convite da Ambev.

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