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Elza Soares vai lançar 'A Mulher do Fim do Mundo' em vinil e vai partir para uma turnê europeia com ele

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O álbum A Mulher do Fim do Mundo é quase uma unanimidade entre a crítica especializada. Fruto do encontro da veterana Elza Soares com nomes da atual cena musical paulistana, ele traz repertório engajado que combina discurso de empoderamento feminino, denúncias de tensão racial e de violência doméstica, entre outros temas.

No Brasil, ele foi escolhido como o Melhor Disco do Ano pelo Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e pelo Prêmio da Musica Brasileira, para citar duas premiações de prestígio. Já no exterior, recebeu crítica pra lá de entusiasmada do respeitado The Guardian, que apontou: “Surely the best Brasilian album of the year” (Certamente o melhor álbum brasileiro do ano). Recentemente, recebeu duas indicações ao Grammy Latino.

O trabalho, que também renovou e ampliou o público da cantora, vai ganhar agora sua versão em vinil. Nos próximos dias 27, 28 e 29 de outubro, a incansável artista celebra o lançamento com shows no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros.

Em entrevista por telefone ao HuffPost Brasil, ela revela que a coluna continua dando trabalho, “beliscando” e “brincando de esconde-esconde”. “Mas eu não estou nem aí pra ela’, responde tranquila.

A concepção do espetáculo traz Elza sentada em um trono metálico em meio a um cenário cercado por mil sacos plásticos de lixo. E parece que fazer shows nessa condição não é mais um incômodo para a cantora carioca, que vem de uma longa série de tratamentos na região da coluna, depois de uma grave queda em 1999.

No palco, ao redor do trono, estão músicos do Bixiga 70, o cantor Rodrigo Campos, além de Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Guilherme Kastrup e DaLua. Feliz com repercussão do álbum, lançado há exatamente um ano, a cantora acredita que o reconhecimento do público mais jovem e da crítica é algo natural, visto o esforço de todos os envolvidos. “A gente trabalha, a gente arrisca e a resposta vem imediatamente. Eu tenho um respeito muito grande do público”, comemora.

Por falar em reconhecimento do público jovem e novos nomes da música nacional, nos dias 27 e 28 de outubro, Liniker, da banda Liniker e os Caramelows, faz uma participação especial no show. Liniker é uma das figuras da nova safra que, assim como Elza, combina discurso político e arte em seu trabalho. Além de músicas do álbum, o repertório traz ainda sucessos da carreira de Elza, incluindo Malandro, A Carne e Volta por Cima.

Os três shows em São Paulo encerram a turnê brasileira. Em breve, Elza levará a A Mulher do Fim do Mundo para a Europa. Ela se apresentará em Berlim, Amsterdam, Londres, Porto, Aveeiro e Lisboa. Questionada se está ansiosa para os shows no exterior, ela responde: “Mais ou menos. Mas não digo mais ou menos por mal. É que tem que ver o que vai acontecer lá fora. O que vai acontecer lá fora, meu Deus?”.

A resposta cautelosa de Elza é plenamente justificável. Aos 79 anos, a estrela incansável da música popular brasileira viu e viveu muitas alegrias e reviravoltas, tanto no plano público quanto privado.

E é a situação no plano público que encerra, de forma melancólica, a breve conversa.

Sempre otimista com o futuro do Brasil, Elza Soares preferiu não falar da atual situação do país - que desde o lançamento do álbum teve uma presidente que sofreu um impeachment e um novo governo instituído. O motivo? “Porque cada vez que eu falo eu fico muito triste. Eu não quero falar disso. Só espero que o Brasil reaja”.

SERVIÇO

Elza Soares – Lançamento do vinil A Mulher do Fim do Mundo
Dias 27, 28 e 29 de outubro (quinta-feira a sábado), às 21h Local: Teatro Paulo Autran (1.010 lugares). Duração: 90 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 10 anos. Ingressos: R$ 60,00 (inteira). R$ 30,00 (meia entrada). R$ 18,00 (credencial plena do Sesc).
Ingressos à venda online, em www.sescsp.org.br, a partir de 18/10, às 19h, e nas bilheterias das unidades do SescSP a partir de 19/10, às 17h30.

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